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A RELAÇÃO ENTRE MORTE E RETÓRICA NOS NOS DIÁLOGOS: GÓRGIAS E APOLOGIA DE SÓCRATES

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No diálogo Górgias, Sócrates não parece disposto a aceitar incondicionalmente a beleza, o poder e a grandeza da retórica, tampouco a sabedoria de Górgias. Ele coloca, através de seus elenkhoi, o valor da arte retórica em questão e assim, parece promover uma espécie de interdição contra a grandeza absoluta da retórica defendida pelos sofistas. Porém, em diversas outras obras de Platão, principalmente na Apologia de Sócrates, Sócrates emprega múltiplas vezes estratégias clássicas da retórica forense que, de muitos modos, pode ser aproximada da retórica do próprio Górgias. Dessa forma, não é ocioso perceber que a retórica aparenta possuir certa utilidade, tanto para o personagem Sócrates nas conversas com seus interlocutores, quanto para o autor Platão, no seu projeto político-pedagógico-filosófico. Dessa maneira, é importante lembrar que a boa utilidade da retórica em questão só poderia ser explorada plenamente enquanto submetida a valores filosóficos. Dessa forma, Sócrates mostra-se capaz de utilizar-se da arte retórica sem corromper-se ou tornar-se injusto e isso se dá, em última analise, devido à relação diferenciada que ele possui com a morte. No diálogo Górgias, fica evidente que Górgias, Polo e Cálicles parecem viver subordinados ao medo de serem acometido por injustiça (despojado se seus bens, exilados ou assassinados). Desse modo, o uso que fazem da retórica relaciona-se com uma manutenção ou conquista de poder para evitar sofrer injustiça ou ser subordinado à vontade do mais forte e isso os levaria, segundo a visão socrática, a cometer injustiça e buscar então tornar-se o mais forte. Dessa forma, adotar totalmente a retórica proposta pelos sofistas seria tornar-se injusto. Assim, ao não temer a morte, Sócrates pode adotar, com ressalvas, estratégias retóricas e permanecer sob o signo de virtude filosófica.
Faculdades Catolicas
Title: A RELAÇÃO ENTRE MORTE E RETÓRICA NOS NOS DIÁLOGOS: GÓRGIAS E APOLOGIA DE SÓCRATES
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No diálogo Górgias, Sócrates não parece disposto a aceitar incondicionalmente a beleza, o poder e a grandeza da retórica, tampouco a sabedoria de Górgias.
Ele coloca, através de seus elenkhoi, o valor da arte retórica em questão e assim, parece promover uma espécie de interdição contra a grandeza absoluta da retórica defendida pelos sofistas.
Porém, em diversas outras obras de Platão, principalmente na Apologia de Sócrates, Sócrates emprega múltiplas vezes estratégias clássicas da retórica forense que, de muitos modos, pode ser aproximada da retórica do próprio Górgias.
Dessa forma, não é ocioso perceber que a retórica aparenta possuir certa utilidade, tanto para o personagem Sócrates nas conversas com seus interlocutores, quanto para o autor Platão, no seu projeto político-pedagógico-filosófico.
Dessa maneira, é importante lembrar que a boa utilidade da retórica em questão só poderia ser explorada plenamente enquanto submetida a valores filosóficos.
Dessa forma, Sócrates mostra-se capaz de utilizar-se da arte retórica sem corromper-se ou tornar-se injusto e isso se dá, em última analise, devido à relação diferenciada que ele possui com a morte.
No diálogo Górgias, fica evidente que Górgias, Polo e Cálicles parecem viver subordinados ao medo de serem acometido por injustiça (despojado se seus bens, exilados ou assassinados).
Desse modo, o uso que fazem da retórica relaciona-se com uma manutenção ou conquista de poder para evitar sofrer injustiça ou ser subordinado à vontade do mais forte e isso os levaria, segundo a visão socrática, a cometer injustiça e buscar então tornar-se o mais forte.
Dessa forma, adotar totalmente a retórica proposta pelos sofistas seria tornar-se injusto.
Assim, ao não temer a morte, Sócrates pode adotar, com ressalvas, estratégias retóricas e permanecer sob o signo de virtude filosófica.

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