Javascript must be enabled to continue!
Racionalidade médica na morte e na finitude
View through CrossRef
Introdução Somos concebidos. E a partir desse momento, estamos vulneráveis e podemos deixar de vivos estarmos. Encontramo-nos meio a inquietações a respeito da realidade acerca do que venha a significar as vias de ocultamente adotadas por alguns profissionais da classe médica diante da morte. Vias estas impetradas pelo método da Medicina Moderna, o anátomo-clínico. O médico, na morte, ainda hoje, vem deparando-se com o fato de que seus conhecimentos o orientam a salvar todas as vidas e não, salvar vidas. Assim, constata a limitação de suas ações e este movimento, resvalando no antigo paradigma de associação da figura do médico ligada ao divino, causando-lhe compreensível dor, angústia e sofrimento. Há sim, o poder do homem-médico que lhe é conferido pelo conhecimento técnico adquirido nos bancos da faculdade, contudo circunscrito em situações diversas. Junto a isto, enfocamos o lugar que a morte ocupa na Medicina Moderna. O que sabemos é que o médico tem a ver com tudo isso que transcende ao biológico e para tanto, seguimos delineando uma Medicina mais humanizada, trazendo a racionalidade médica, a morte e a finitude para local de reflexão acadêmica, preparando o discente de medicina para sua missão maior; o cuidar do ser humano. Nesta perspectiva, enfocou-se o lugar que a morte ocupa na Medicina, tornando o tema fator preponderante. Possibilitar um olhar de finitude ao ser humano, despindo a onipotência médica que sua formação lhe inculca. Trazendo um olhar que busca não submeter o saber médico à morte, mas sim um olhar acrescido do interesse em se escutar o som e o caminhar do morrer sem que para isso seja estabelecido um duelo. Nesta construção caminhamos acompanhados por Phillipe Aires, pelas fases estruturadas por Klober Ross a respeito da morte/morrer e outros renomados teóricos. Objetivos O objetivo deste trabalho é ocasionar uma reflexão frente à racionalidade médica, morte e finitude tornando este profissional mais sensível às mazelas das doenças que acometem a humanidade e ao desfecho de muitas delas, a morte. Métodos A pesquisa foi balizada qualitativamente a partir das análises de conteúdos em Bardin (2009), onde se percebe um concreto e operacional método de investigação. Tais conteúdos manifestados pelos discentes em sala de aula, seguindo as orientações do método descritivo, com revisão bibliográfica sobre o tema, tendo como base os teores programáticos dentro do Projeto Político Pedagógico do UniFOA no Curso de Medicina. Levando em consideração que o curso é de estrutura modular onde o eixo de Bases Humanísticas apresenta uma transversalidade em toda a sua graduação isso porque, o tema em questão, segue as orientações das DCNS (Diretrizes Curriculares Nacionais/Medicina). Resultados A partir dos discursos apresentados em sala de aula, nos trabalhos e nas avaliações, tem se percebido transformações dos conteúdos manifestados pelos acadêmicos a respeito da morte e da finitude, o que nos mostra a substituição da racionalidade médica como mecanismo de defesa pelo caminhar das emoções pelos referidos temas com mais naturalidade e aceitação. Tal movimento nos faz crer que ao (re)significarem suas representações a cerca da morte e do morrer, os acadêmicos possam passar a vivê-la de forma também transformada e menos temida. Conclusões Pensamos que diante da estratégia de aproximação dos discentes de medicina junto ao tema morte e finitude, aproximação esta proporcionada pela utilização de conteúdos específicos ao eixo de bases humanísticas foi viabilizada a expressão dos sentimentos que anteriormente eram mascarados e oprimidos pela racionalidade da profissão, que traz como herança tal postura da medicina antiga, defendendo o paradigma de que o profissional médico precisaria ser frio e imparcial frente ao fenômeno da morte/ morrer e isso, como condição que ateste sua eficiência enquanto profissional. Livrá-lo das amarras da racionalidade médica e possibilitar-lhe ressignificar os sentidos frente à morte.
Fundacao Oswaldo Aranha - FOA
Title: Racionalidade médica na morte e na finitude
Description:
Introdução Somos concebidos.
E a partir desse momento, estamos vulneráveis e podemos deixar de vivos estarmos.
Encontramo-nos meio a inquietações a respeito da realidade acerca do que venha a significar as vias de ocultamente adotadas por alguns profissionais da classe médica diante da morte.
Vias estas impetradas pelo método da Medicina Moderna, o anátomo-clínico.
O médico, na morte, ainda hoje, vem deparando-se com o fato de que seus conhecimentos o orientam a salvar todas as vidas e não, salvar vidas.
Assim, constata a limitação de suas ações e este movimento, resvalando no antigo paradigma de associação da figura do médico ligada ao divino, causando-lhe compreensível dor, angústia e sofrimento.
Há sim, o poder do homem-médico que lhe é conferido pelo conhecimento técnico adquirido nos bancos da faculdade, contudo circunscrito em situações diversas.
Junto a isto, enfocamos o lugar que a morte ocupa na Medicina Moderna.
O que sabemos é que o médico tem a ver com tudo isso que transcende ao biológico e para tanto, seguimos delineando uma Medicina mais humanizada, trazendo a racionalidade médica, a morte e a finitude para local de reflexão acadêmica, preparando o discente de medicina para sua missão maior; o cuidar do ser humano.
Nesta perspectiva, enfocou-se o lugar que a morte ocupa na Medicina, tornando o tema fator preponderante.
Possibilitar um olhar de finitude ao ser humano, despindo a onipotência médica que sua formação lhe inculca.
Trazendo um olhar que busca não submeter o saber médico à morte, mas sim um olhar acrescido do interesse em se escutar o som e o caminhar do morrer sem que para isso seja estabelecido um duelo.
Nesta construção caminhamos acompanhados por Phillipe Aires, pelas fases estruturadas por Klober Ross a respeito da morte/morrer e outros renomados teóricos.
Objetivos O objetivo deste trabalho é ocasionar uma reflexão frente à racionalidade médica, morte e finitude tornando este profissional mais sensível às mazelas das doenças que acometem a humanidade e ao desfecho de muitas delas, a morte.
Métodos A pesquisa foi balizada qualitativamente a partir das análises de conteúdos em Bardin (2009), onde se percebe um concreto e operacional método de investigação.
Tais conteúdos manifestados pelos discentes em sala de aula, seguindo as orientações do método descritivo, com revisão bibliográfica sobre o tema, tendo como base os teores programáticos dentro do Projeto Político Pedagógico do UniFOA no Curso de Medicina.
Levando em consideração que o curso é de estrutura modular onde o eixo de Bases Humanísticas apresenta uma transversalidade em toda a sua graduação isso porque, o tema em questão, segue as orientações das DCNS (Diretrizes Curriculares Nacionais/Medicina).
Resultados A partir dos discursos apresentados em sala de aula, nos trabalhos e nas avaliações, tem se percebido transformações dos conteúdos manifestados pelos acadêmicos a respeito da morte e da finitude, o que nos mostra a substituição da racionalidade médica como mecanismo de defesa pelo caminhar das emoções pelos referidos temas com mais naturalidade e aceitação.
Tal movimento nos faz crer que ao (re)significarem suas representações a cerca da morte e do morrer, os acadêmicos possam passar a vivê-la de forma também transformada e menos temida.
Conclusões Pensamos que diante da estratégia de aproximação dos discentes de medicina junto ao tema morte e finitude, aproximação esta proporcionada pela utilização de conteúdos específicos ao eixo de bases humanísticas foi viabilizada a expressão dos sentimentos que anteriormente eram mascarados e oprimidos pela racionalidade da profissão, que traz como herança tal postura da medicina antiga, defendendo o paradigma de que o profissional médico precisaria ser frio e imparcial frente ao fenômeno da morte/ morrer e isso, como condição que ateste sua eficiência enquanto profissional.
Livrá-lo das amarras da racionalidade médica e possibilitar-lhe ressignificar os sentidos frente à morte.
.
Related Results
Finitude et transcendance dans l'oeuvre d'Edith Stein : une réponse à Heidegger
Finitude et transcendance dans l'oeuvre d'Edith Stein : une réponse à Heidegger
En 1936, Edith Stein, alors carmélite, joint à son grand ouvrage de maturité, Être fini et être éternel, une annexe critique intitulée « La philosophie de l’existence de Martin Hei...
Enfermeiro neonatologista no processo de luto: estratégias de enfrentamento
Enfermeiro neonatologista no processo de luto: estratégias de enfrentamento
Introdução: No ambiente da unidade de terapia intensiva neonatal o convívio entre o profissional e o familiar é marcado por tensão e desequilíbrio emocional, o profissional de saúd...
A “boa morte” na percepção de pessoas com câncer acompanhadas por serviço de atenção domiciliar
A “boa morte” na percepção de pessoas com câncer acompanhadas por serviço de atenção domiciliar
Introdução: A “boa morte” se trata de um conceito individual, variável, que contempla as práticas para a promoção do morrer e da morte de maneira confortável, digna e com o menor s...
Memórias da morte e a (trans)formação de sua identidade no romance de Saramago
Memórias da morte e a (trans)formação de sua identidade no romance de Saramago
Podemos inferir que somos constituídos de passados, amontoados de situações e acontecimentos que se integram, interagem e se excluem, contribuindo para a formação do “eu” durante o...
OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NO CONTEXTO HOSPITALAR E A FINITUDE HUMANA: A PARTIR DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NO CONTEXTO HOSPITALAR E A FINITUDE HUMANA: A PARTIR DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
A pesquisa apresentada nesse artigo discorre sobre a compreensão da finitude humana por parte dos profissionais de saúde no ambiente hospitalar, assim como os impactos decorrentes ...
Finitude in Maurice Blondel
Finitude in Maurice Blondel
Abstract
The thought of Maurice Blondel has been read (representatively by Emmanuel Falque) as the theological aspirational movement of human action towards the divine, and the...
La finitude infinie et ses figures : considérations philosophiques autour de la radicalisation de la finitude originaire chez Derrida
La finitude infinie et ses figures : considérations philosophiques autour de la radicalisation de la finitude originaire chez Derrida
Cette thèse a l’allure d’une géographie de l’historial visant à cartographier le site où la philosophie atteint sa fin. Une telle géographie obéit à, au moins, deux contraintes mat...
O PROCESSO DE MORTE EM UMA COMPREENSÃO DE COMUNHÃO AMOROSA
O PROCESSO DE MORTE EM UMA COMPREENSÃO DE COMUNHÃO AMOROSA
Este artigo discute o processo de morte sob a perspectiva de comunhão amorosa, confrontando
diversas visões morais. Partindo da sua inevitabilidade, propomos uma reflexão sobre a ...

