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Diagnóstico das ações de controle e presença do javali (Sus scrofa) na Área de Proteção Ambiental São Francisco Xavier, São José dos Campos, SP
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O javali (Sus scrofa) é uma espécie invasora no Brasil. Sua presença causa impactos ambientais, de saúde pública e socioeconômicos. No estado de São Paulo sua frequência de ocorrência é alta. Em Unidades de Conservação, o javali representa riscos como a perda de biodiversidade e destruição de nascentes. A APA-SFX é uma área de proteção com relevância para a conservação de recursos hídricos, de fauna e flora na Serra da Mantiqueira. O presente estudo objetiva o diagnóstico das ações e presença do javali na APA-SFX. Para isso foi usado o método de análise documental, de documentos federais e estaduais, e também a entrevista semi-estruturada. Foram entrevistadas 20 pessoas moradoras da região da APA-SFX. A presença do javali foi relatada como tendo início por volta de 2019, o que explica a falta de dados sobre a ocorrência de javalis na APA-SFX em documentos federais. Já os documentos estaduais descrevem a invasão do javali na APA-SFX como nível muito crítico. A presença do javali foi percebida por todos os entrevistados. Os danos relatados nas entrevistas foram destruição de nascentes, solo revirado, dano a plantações, ataque a cachorros domésticos, impacto na presença de fauna nativa e na dispersão da Araucária. Em relação à saúde pública, a toxoplasmose, a transmissão da raiva, pela relação javali-morcego hematófago, e o consumo de carne de javali foram relatadas. O principal dano econômico percebido foi o dano a plantações, o que desincentiva a prática agropecuária na região. Sobre o controle de javali, os entrevistados descreveram este como feito de forma individual com o objetivo de proteger plantações, propriedades e residências, sendo realizado por controladores voluntários ou contratados. Os métodos de controle relatados foram caça de espera e uso de armadilhas, tipo gaiola e tipo curral, além da captura usando laço que é proibida legalmente. Não foi relatada nenhuma assistência||aos moradores por parte de órgãos públicos em relação à presença de javalis na região. Na APA-SFX foi formada uma câmara técnica (CT - Javalis) para debater ações possíveis em relação ao problema na região, com o objetivo de monitorar a presença da espécie e controlar sua expansão no território. Essa CT não foi descrita como sendo uma iniciativa pública. A experiência da CT - Javalis pode ser estudada para entender como grupos voluntários em conjunto com a administração pública podem se reunir com o objetivo de controlar a expansão do javali no território local. Quando o assunto é coexistência, o medo é a principal barreira sentida nessa relação, sendo que a coexistência com javalis não é possível para entrevistados. Apesar de os entrevistados terem a percepção da presença do javali, ainda é necessário conscientizar a população sobre o impacto desta espécie. Denota-se a importância de investimentos em estudos ligados à temática, principalmente no que tange a parte humana dessa relação de coexistência humano-fauna. Contudo, é necessário que novos documentos federais sejam publicados sobre a situação do javali no Brasil, atualizando o plano nacional e tornando os dados do SIMAF acessíveis à população
Universidade de São Paulo. Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais
Title: Diagnóstico das ações de controle e presença do javali (Sus scrofa) na Área de Proteção Ambiental São Francisco Xavier, São José dos Campos, SP
Description:
O javali (Sus scrofa) é uma espécie invasora no Brasil.
Sua presença causa impactos ambientais, de saúde pública e socioeconômicos.
No estado de São Paulo sua frequência de ocorrência é alta.
Em Unidades de Conservação, o javali representa riscos como a perda de biodiversidade e destruição de nascentes.
A APA-SFX é uma área de proteção com relevância para a conservação de recursos hídricos, de fauna e flora na Serra da Mantiqueira.
O presente estudo objetiva o diagnóstico das ações e presença do javali na APA-SFX.
Para isso foi usado o método de análise documental, de documentos federais e estaduais, e também a entrevista semi-estruturada.
Foram entrevistadas 20 pessoas moradoras da região da APA-SFX.
A presença do javali foi relatada como tendo início por volta de 2019, o que explica a falta de dados sobre a ocorrência de javalis na APA-SFX em documentos federais.
Já os documentos estaduais descrevem a invasão do javali na APA-SFX como nível muito crítico.
A presença do javali foi percebida por todos os entrevistados.
Os danos relatados nas entrevistas foram destruição de nascentes, solo revirado, dano a plantações, ataque a cachorros domésticos, impacto na presença de fauna nativa e na dispersão da Araucária.
Em relação à saúde pública, a toxoplasmose, a transmissão da raiva, pela relação javali-morcego hematófago, e o consumo de carne de javali foram relatadas.
O principal dano econômico percebido foi o dano a plantações, o que desincentiva a prática agropecuária na região.
Sobre o controle de javali, os entrevistados descreveram este como feito de forma individual com o objetivo de proteger plantações, propriedades e residências, sendo realizado por controladores voluntários ou contratados.
Os métodos de controle relatados foram caça de espera e uso de armadilhas, tipo gaiola e tipo curral, além da captura usando laço que é proibida legalmente.
Não foi relatada nenhuma assistência||aos moradores por parte de órgãos públicos em relação à presença de javalis na região.
Na APA-SFX foi formada uma câmara técnica (CT - Javalis) para debater ações possíveis em relação ao problema na região, com o objetivo de monitorar a presença da espécie e controlar sua expansão no território.
Essa CT não foi descrita como sendo uma iniciativa pública.
A experiência da CT - Javalis pode ser estudada para entender como grupos voluntários em conjunto com a administração pública podem se reunir com o objetivo de controlar a expansão do javali no território local.
Quando o assunto é coexistência, o medo é a principal barreira sentida nessa relação, sendo que a coexistência com javalis não é possível para entrevistados.
Apesar de os entrevistados terem a percepção da presença do javali, ainda é necessário conscientizar a população sobre o impacto desta espécie.
Denota-se a importância de investimentos em estudos ligados à temática, principalmente no que tange a parte humana dessa relação de coexistência humano-fauna.
Contudo, é necessário que novos documentos federais sejam publicados sobre a situação do javali no Brasil, atualizando o plano nacional e tornando os dados do SIMAF acessíveis à população.
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