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Frequência de prematuridade em uma coorte de 250 gestantes com lúpus eritematoso sistêmico

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Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, desencadeada por uma resposta imunomediada, com epidemiologia reconhecida por sua prevalência em mulheres em idade reprodutiva. Nesse contexto, essa doença possui importantes repercussões materno-fetais durante a gestação. Dentre os principais desfechos para o feto, a restrição de crescimento intrauterino, a ruptura prematura de membranas ovulares e a prematuridade ganham destaque. Objetivo: Avaliar a frequência de partos prematuros e seus desencadeantes em gestações de mulheres com LES. Métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, com análise de dados de 250 gestantes com LES, acompanhadas em hospital universitário de referência, no período de 2016 a 2024. Resultados: Nas 250 gestações analisadas, a frequência de prematuridade foi de 35%; destas, 64,1% foram espontâneas. Na amostra total, a média de idade materna no parto foi de 28,7 anos, desvio padrão ±5,8 anos; a média de idade no diagnóstico de LES foi de 21,3±6,9 anos; e a duração do LES entre o diagnóstico e o início da gestação foi de 7,4±5,4 anos. As manifestações mais frequentes da doença no grupo estudado foram cutâneo-articulares em 92,3%, hematológicas em 56,4% e renais em 48,7%. No perfil imunológico, destacaram-se anti-Ro positivo em 46,2%, anti-DNA positivo em 43,6% e complemento baixo (C3 e/ou C4) em 35,9%. Não houve diferenças estatísticas quando comparadas as variáveis demográficas, clínicas e imunológicas entre os partos prematuros e as gestações a termo. O uso de corticoide em doses altas (>20 mg/dia) associou-se de forma estatisticamente significativa ao desfecho de prematuridade (risco relativo [RR] 7,29; intervalo de confiança [IC]95% 2,39–22,2; p=0,0005). O mesmo padrão foi observado com o uso de azatioprina (RR 2,92; IC95% 1,32–6,47; p=0,008), a atividade do LES em qualquer momento da gestação (RR 2,71; IC95% 1,20–6,11; p=0,010) e as internações não relacionadas diretamente ao LES, como por exemplo por infecções sistêmicas (RR 2,84; IC95% 1,17–6,88; p=0,020). Além disso, observaram-se resultados estatisticamente significativos para óbito intrauterino (p=0,001), menor peso ao nascer (p<0,0001), piores escores de Apgar (p=0,009), e maior necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal (p<0,0001). Na análise multivariada, as internações não relacionadas ao LES (p=0,020) e o uso de corticoides em altas doses (p=0,009) mantiveram-se como preditores independentes. Conclusão: Entre as gestantes com LES, acompanhadas no período entre 2016 e 2024, a prematuridade ocorreu em 35% das gestações, predominando os partos prematuros espontâneos. O uso de corticoides em altas doses e as internações maternas por causas não diretamente relacionadas ao LES despontaram como principais preditores independentes de parto prematuro, refletindo atividade inflamatória sistêmica e fragilidade clínica. A prematuridade associou-se aos desfechos neonatais adversos, como menor peso ao nascer, piores escores de Apgar, maior necessidade de UTI neonatal e maior taxa de óbito intrauterino. Esses achados reforçam a importância do controle rigoroso da atividade do LES, otimização do esquema terapêutico e monitorização obstétrica intensiva para reduzir o risco de prematuridade.
Title: Frequência de prematuridade em uma coorte de 250 gestantes com lúpus eritematoso sistêmico
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Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, desencadeada por uma resposta imunomediada, com epidemiologia reconhecida por sua prevalência em mulheres em idade reprodutiva.
Nesse contexto, essa doença possui importantes repercussões materno-fetais durante a gestação.
Dentre os principais desfechos para o feto, a restrição de crescimento intrauterino, a ruptura prematura de membranas ovulares e a prematuridade ganham destaque.
Objetivo: Avaliar a frequência de partos prematuros e seus desencadeantes em gestações de mulheres com LES.
Métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, com análise de dados de 250 gestantes com LES, acompanhadas em hospital universitário de referência, no período de 2016 a 2024.
Resultados: Nas 250 gestações analisadas, a frequência de prematuridade foi de 35%; destas, 64,1% foram espontâneas.
Na amostra total, a média de idade materna no parto foi de 28,7 anos, desvio padrão ±5,8 anos; a média de idade no diagnóstico de LES foi de 21,3±6,9 anos; e a duração do LES entre o diagnóstico e o início da gestação foi de 7,4±5,4 anos.
As manifestações mais frequentes da doença no grupo estudado foram cutâneo-articulares em 92,3%, hematológicas em 56,4% e renais em 48,7%.
No perfil imunológico, destacaram-se anti-Ro positivo em 46,2%, anti-DNA positivo em 43,6% e complemento baixo (C3 e/ou C4) em 35,9%.
Não houve diferenças estatísticas quando comparadas as variáveis demográficas, clínicas e imunológicas entre os partos prematuros e as gestações a termo.
O uso de corticoide em doses altas (>20 mg/dia) associou-se de forma estatisticamente significativa ao desfecho de prematuridade (risco relativo [RR] 7,29; intervalo de confiança [IC]95% 2,39–22,2; p=0,0005).
O mesmo padrão foi observado com o uso de azatioprina (RR 2,92; IC95% 1,32–6,47; p=0,008), a atividade do LES em qualquer momento da gestação (RR 2,71; IC95% 1,20–6,11; p=0,010) e as internações não relacionadas diretamente ao LES, como por exemplo por infecções sistêmicas (RR 2,84; IC95% 1,17–6,88; p=0,020).
Além disso, observaram-se resultados estatisticamente significativos para óbito intrauterino (p=0,001), menor peso ao nascer (p<0,0001), piores escores de Apgar (p=0,009), e maior necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal (p<0,0001).
Na análise multivariada, as internações não relacionadas ao LES (p=0,020) e o uso de corticoides em altas doses (p=0,009) mantiveram-se como preditores independentes.
Conclusão: Entre as gestantes com LES, acompanhadas no período entre 2016 e 2024, a prematuridade ocorreu em 35% das gestações, predominando os partos prematuros espontâneos.
O uso de corticoides em altas doses e as internações maternas por causas não diretamente relacionadas ao LES despontaram como principais preditores independentes de parto prematuro, refletindo atividade inflamatória sistêmica e fragilidade clínica.
A prematuridade associou-se aos desfechos neonatais adversos, como menor peso ao nascer, piores escores de Apgar, maior necessidade de UTI neonatal e maior taxa de óbito intrauterino.
Esses achados reforçam a importância do controle rigoroso da atividade do LES, otimização do esquema terapêutico e monitorização obstétrica intensiva para reduzir o risco de prematuridade.

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