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EPILEPSIAS E A HOMEOSTASE DE CLORETO

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Introdução: Os íons sódio, potássio, cálcio e cloreto são os principais envolvidos na determinação do potencial de membrana das células neuronais. Uma vez que o potencial de equilíbrio do cloreto (ECl), de - 80 mV, é próximo ao potencial de repouso da membrana (- 75 mV), pequenas variações na concentração intracelular do íon interferem de modo significativo no gradiente transmembrânico e, consequentemente, na excitabilidade celular. Objetivo: A proposta do presente estudo consistiu em uma revisão da literatura sobre a influência do desequilíbrio iônico de cloreto. Método: Realizou-se levantamento bibliográfico dos últimos 20 anos (2000- 2020) por meio da busca “chloride” AND “epilepsy” Resultados: A concentração intracelular de cloreto ([Cl-]i) determina a força do sistema de inibição ativado pelos receptores GABAA. Os canais ativados por estes receptores são permeáveis ao íon cloreto. O neurotransmissor GABA possui ação predominantemente inibitória no SNC, porém, as mudanças conformacionais desencadeadas pela ligação do neurotransmissor a estes receptores permitem que haja um influxo ou efluxo de cloreto através dos canais, resposta que será variável conforme a [Cl-]i e o potencial de equilíbrio do íon. Nos neurônios imaturos, nos quais a [Cl-]i é elevada, o ECl é positivo em relação ao Vm, e com a abertura de canais iônicos ativados por GABA, ocorre o efluxo de íons cloreto e despolarização neuronal, com a geração de respostas excitatórias. Esta característica é fundamental para o desenvolvimento neuronal. Inversamente, no cérebro adulto, o cloreto intracelular é mantido a baixas concentrações nos neurônios, sendo a [Cl-]i cerca de 10 a 20 vezes menor do que a concentração extracelular. Nessas condições, ECl é negativo em relação ao Vm e, quando os receptores GABAA são ativados, há o influxo de cloreto e hiperpolarização da membrana neuronal. Durante uma crise epiléptica, a [Cl-]i pode chegar a 26 mM. A falha do sistema de inibição e a despolarização gerada pela alta concentração intracelular acentuam o disparo neuronal, bem como a probabilidade de ocorrência e gravidade das crises. Conclusão: O aumento da [Cl-]i no cérebro aumenta a excitabilidade e os disparos neuronais, favorecendo a ocorrência de crises epilépticas.
Title: EPILEPSIAS E A HOMEOSTASE DE CLORETO
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Introdução: Os íons sódio, potássio, cálcio e cloreto são os principais envolvidos na determinação do potencial de membrana das células neuronais.
Uma vez que o potencial de equilíbrio do cloreto (ECl), de - 80 mV, é próximo ao potencial de repouso da membrana (- 75 mV), pequenas variações na concentração intracelular do íon interferem de modo significativo no gradiente transmembrânico e, consequentemente, na excitabilidade celular.
Objetivo: A proposta do presente estudo consistiu em uma revisão da literatura sobre a influência do desequilíbrio iônico de cloreto.
Método: Realizou-se levantamento bibliográfico dos últimos 20 anos (2000- 2020) por meio da busca “chloride” AND “epilepsy” Resultados: A concentração intracelular de cloreto ([Cl-]i) determina a força do sistema de inibição ativado pelos receptores GABAA.
Os canais ativados por estes receptores são permeáveis ao íon cloreto.
O neurotransmissor GABA possui ação predominantemente inibitória no SNC, porém, as mudanças conformacionais desencadeadas pela ligação do neurotransmissor a estes receptores permitem que haja um influxo ou efluxo de cloreto através dos canais, resposta que será variável conforme a [Cl-]i e o potencial de equilíbrio do íon.
Nos neurônios imaturos, nos quais a [Cl-]i é elevada, o ECl é positivo em relação ao Vm, e com a abertura de canais iônicos ativados por GABA, ocorre o efluxo de íons cloreto e despolarização neuronal, com a geração de respostas excitatórias.
Esta característica é fundamental para o desenvolvimento neuronal.
Inversamente, no cérebro adulto, o cloreto intracelular é mantido a baixas concentrações nos neurônios, sendo a [Cl-]i cerca de 10 a 20 vezes menor do que a concentração extracelular.
Nessas condições, ECl é negativo em relação ao Vm e, quando os receptores GABAA são ativados, há o influxo de cloreto e hiperpolarização da membrana neuronal.
Durante uma crise epiléptica, a [Cl-]i pode chegar a 26 mM.
A falha do sistema de inibição e a despolarização gerada pela alta concentração intracelular acentuam o disparo neuronal, bem como a probabilidade de ocorrência e gravidade das crises.
Conclusão: O aumento da [Cl-]i no cérebro aumenta a excitabilidade e os disparos neuronais, favorecendo a ocorrência de crises epilépticas.

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