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Memórias de velho
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O filme documentário Memórias de Velho possui duração de 48 minutos e foi produzido com recursos do Governo do Estado do Pará, via o edital de seleção cultural Prêmio Preamar de Arte e Cultura 2020 (Secult-Pa). A proposta da produção é retratar as narrativas e reflexões de vida de homens e mulheres idosos, acima de 60 anos, residentes em comunidades rurais e em bairros da zona urbana do município de Santarém, Pará.O filme é inspirado no livro Memória e Sociedade: lembranças de velho, da escritora Ecléa Bosi. Nesta obra, Bosi (1994) debruça suas análises sobre as lembranças narradas por idosos moradores da cidade de São Paulo. Com críticas à sociedade do capital em que o velho não possui valor e é relegado ao esquecimento, a escritora abre espaço protagonista e publica relatos biográficos sensíveis de homens e de mulheres que dedicaram suas vidas ao trabalho e vivenciaram as mudanças da sociedade paulistana.Este ponto, suscita as reflexões de Norbert Elias (2001) em Solidão dos Moribundos, ao abordar o tema a partir da experiência do envelhecimento e morte. Elias, percebe o processo de envelhecer tratado coletivamente como desvio da norma social e identifica negação aos signos que o velho representa, principalmente como recalque de gerações de outras faixas etárias. O envelhecimento, traz consigo a mudança de posição social da pessoa em todos os campos da vida, nas relações com outros entes no cotidiano, com a família, representada, muitas vezes, pelo isolamento do afetivo do velho no seio familiar. Destituído das forças produtivas, as experiências e conhecimentos dos velhos são postos ao esquecimento e suas ações ou vontades são tratadas de maneira infantilizadas sob a tutela dos adultos, como se regredissem a primeira idade, porém sem a paciência e afeições comuns às crianças. Ou autor pontua que o maior medo na velhice é perder as forças e a independência para as tarefas básicas do dia a dia e tornar-se refém do tempo de terceiros.O documentário Memórias de Velho pauta-se na oralidade. Propõe um retrato da memória coletiva (HALBWACHS, 1968) da cidade de Santarém a partir da experiência viva homens e mulheres, hoje velhos entre 65 e 99 anos, que participaram efetivamente das transformações da sociedade santarena. Cabe salientar que Santarém é uma das principais cidades da Amazônia. Tida como uma das mais antiga da região (PY-DANIEL, 2017) sua demografia expressa um quadro pluriétnico composto por indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Em períodos históricos recentes, Santarém passou por alterações políticas, culturais, sociais, motivadas pelos ciclos econômicos da borracha (1939–1945), das políticas de integração do Estado para ocupação da Amazônia, da abertura da estrada Transamazônica (1950-1970) e da efervescência da exploração aurífera (1950-1980). O fato de ser reconhecida por possuir melhores condições de estrutura, de serviços públicos e de comércio atraiu grande parte dos investimentos e de trabalhadores migrantes vindos de outras regiões com o propósito de mudança de vida. Há diversas comunidades no planalto do município compostas primordialmente por cearenses, maranhenses e piauienses. No entanto, cabe-nos questionar qual lugar das pessoas comuns nas narrativas históricas sobre esse lugar? E quem são essas pessoas? Quais as opiniões, os caminhos, as trajetórias desses personagens dentro das histórias narradas? Pensando em aludir a esses questionamentos o documentário reflete a história dos que vem de baixo (THOMPSON, 1992), neste caso, imaginado na figura do velho, que praticamente não aparece nas narrativas oficiais, mas é detentor de saberes ancestrais e capaz de intercambiar experiências de vida entre gerações e comunicar os fatos que contam a história local por um outro ponto de vista. Palavras-chave: Memórias. Velho. Audiovisual
Title: Memórias de velho
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O filme documentário Memórias de Velho possui duração de 48 minutos e foi produzido com recursos do Governo do Estado do Pará, via o edital de seleção cultural Prêmio Preamar de Arte e Cultura 2020 (Secult-Pa).
A proposta da produção é retratar as narrativas e reflexões de vida de homens e mulheres idosos, acima de 60 anos, residentes em comunidades rurais e em bairros da zona urbana do município de Santarém, Pará.
O filme é inspirado no livro Memória e Sociedade: lembranças de velho, da escritora Ecléa Bosi.
Nesta obra, Bosi (1994) debruça suas análises sobre as lembranças narradas por idosos moradores da cidade de São Paulo.
Com críticas à sociedade do capital em que o velho não possui valor e é relegado ao esquecimento, a escritora abre espaço protagonista e publica relatos biográficos sensíveis de homens e de mulheres que dedicaram suas vidas ao trabalho e vivenciaram as mudanças da sociedade paulistana.
Este ponto, suscita as reflexões de Norbert Elias (2001) em Solidão dos Moribundos, ao abordar o tema a partir da experiência do envelhecimento e morte.
Elias, percebe o processo de envelhecer tratado coletivamente como desvio da norma social e identifica negação aos signos que o velho representa, principalmente como recalque de gerações de outras faixas etárias.
O envelhecimento, traz consigo a mudança de posição social da pessoa em todos os campos da vida, nas relações com outros entes no cotidiano, com a família, representada, muitas vezes, pelo isolamento do afetivo do velho no seio familiar.
Destituído das forças produtivas, as experiências e conhecimentos dos velhos são postos ao esquecimento e suas ações ou vontades são tratadas de maneira infantilizadas sob a tutela dos adultos, como se regredissem a primeira idade, porém sem a paciência e afeições comuns às crianças.
Ou autor pontua que o maior medo na velhice é perder as forças e a independência para as tarefas básicas do dia a dia e tornar-se refém do tempo de terceiros.
O documentário Memórias de Velho pauta-se na oralidade.
Propõe um retrato da memória coletiva (HALBWACHS, 1968) da cidade de Santarém a partir da experiência viva homens e mulheres, hoje velhos entre 65 e 99 anos, que participaram efetivamente das transformações da sociedade santarena.
Cabe salientar que Santarém é uma das principais cidades da Amazônia.
Tida como uma das mais antiga da região (PY-DANIEL, 2017) sua demografia expressa um quadro pluriétnico composto por indígenas, quilombolas, ribeirinhos.
Em períodos históricos recentes, Santarém passou por alterações políticas, culturais, sociais, motivadas pelos ciclos econômicos da borracha (1939–1945), das políticas de integração do Estado para ocupação da Amazônia, da abertura da estrada Transamazônica (1950-1970) e da efervescência da exploração aurífera (1950-1980).
O fato de ser reconhecida por possuir melhores condições de estrutura, de serviços públicos e de comércio atraiu grande parte dos investimentos e de trabalhadores migrantes vindos de outras regiões com o propósito de mudança de vida.
Há diversas comunidades no planalto do município compostas primordialmente por cearenses, maranhenses e piauienses.
No entanto, cabe-nos questionar qual lugar das pessoas comuns nas narrativas históricas sobre esse lugar? E quem são essas pessoas? Quais as opiniões, os caminhos, as trajetórias desses personagens dentro das histórias narradas? Pensando em aludir a esses questionamentos o documentário reflete a história dos que vem de baixo (THOMPSON, 1992), neste caso, imaginado na figura do velho, que praticamente não aparece nas narrativas oficiais, mas é detentor de saberes ancestrais e capaz de intercambiar experiências de vida entre gerações e comunicar os fatos que contam a história local por um outro ponto de vista.
Palavras-chave: Memórias.
Velho.
Audiovisual.
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