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O lugar do leitor em Memorial de Aires de Machado de Assis
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O presente trabalho tem por objeto investigar o lugar do leitor no romance Memorial de Aires de Machado de Assis. Ocorre que o leitor, numa primeira instância, não é chamado para a interlocução, tendo em vista o formato de diário, que domina o discurso do autor ficcional Aires, e que pede apenas o papel como confidente. A investigação problematizou, então, a função do leitor no gênero diário, que estrutura e sustenta a narrativa, derivando daí três tipos de leitores propostos pelo Memorial: o leitor-papel, o leitor-testemunha e o leitor-autor. O leitor-papel é aquele previsto na literatura intimista do diário, afinando conteúdo e suporte de uma forma singular, já que aqui o papel assume função ativa e questionadora do próprio autor Aires. As duas outras instâncias de interlocução, no entanto, o leitor-testemunha e o leitor- autor, mostraram-se conflitantes com a estrutura do diário: o primeiro por se colocar na posição de quem observa e interpreta os fatos, assemelhando-se ao cronista; o segundo por tornar público o diário, desviando-o, assim, da sua principal característica: a de se manter, apenas, no espaço privado de seu autor. Quanto ao leitor-autor, desdobra-se, ainda, em editor do livro por meio da assinatura M. de A , duplo ficcional de Machado de Assis. É esse leitor-editor que assume, na Advertência, a seleção e edição da narrativa do Memorial a partir dos cadernos de notas deixados pelo Conselheiro Aires. Os resultados da pesquisa demonstraram que a obra, enfocada da perspectiva dos leitores engendrados pela narrativa, ganhou uma nova dimensão, que veio enriquecer a fortuna crítica de Memorial de Aires.
Title: O lugar do leitor em Memorial de Aires de Machado de Assis
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O presente trabalho tem por objeto investigar o lugar do leitor no romance Memorial de Aires de Machado de Assis.
Ocorre que o leitor, numa primeira instância, não é chamado para a interlocução, tendo em vista o formato de diário, que domina o discurso do autor ficcional Aires, e que pede apenas o papel como confidente.
A investigação problematizou, então, a função do leitor no gênero diário, que estrutura e sustenta a narrativa, derivando daí três tipos de leitores propostos pelo Memorial: o leitor-papel, o leitor-testemunha e o leitor-autor.
O leitor-papel é aquele previsto na literatura intimista do diário, afinando conteúdo e suporte de uma forma singular, já que aqui o papel assume função ativa e questionadora do próprio autor Aires.
As duas outras instâncias de interlocução, no entanto, o leitor-testemunha e o leitor- autor, mostraram-se conflitantes com a estrutura do diário: o primeiro por se colocar na posição de quem observa e interpreta os fatos, assemelhando-se ao cronista; o segundo por tornar público o diário, desviando-o, assim, da sua principal característica: a de se manter, apenas, no espaço privado de seu autor.
Quanto ao leitor-autor, desdobra-se, ainda, em editor do livro por meio da assinatura M.
de A , duplo ficcional de Machado de Assis.
É esse leitor-editor que assume, na Advertência, a seleção e edição da narrativa do Memorial a partir dos cadernos de notas deixados pelo Conselheiro Aires.
Os resultados da pesquisa demonstraram que a obra, enfocada da perspectiva dos leitores engendrados pela narrativa, ganhou uma nova dimensão, que veio enriquecer a fortuna crítica de Memorial de Aires.
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