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APRESENTAÇÃO
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Este volume da Revista de Educação do Vale do Arinos – RELVA compõe-se de oito artigos, produzidos por pesquisadores de diferentes instituições e regiões do Brasil, que responderam ao convite para participar do dossiê temático Interculturalidade e formação de professores(as): avanços e desafios, como oportunidade para socializar trabalhos sobre a formação inicial e continuada de professores no país, especialmente quanto à formação docente para atuação em contextos culturais específicos ou para a promoção da educação intercultural.Nesse sentido, o conjunto de artigos deste dossiê contribui para se refletir sobre avanços e desafios da interculturalidade por meio de experiências e projetos de formação docente para a educação escolar indígena, a educação do campo e a educação quilombola, bem como para o ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas.Tal reflexão é fundamental no atual cenário nacional, que tem produzido rupturas em políticas públicas de educação e alterações curriculares, por meio de instrumentos normativos, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Base Nacional Comum para a Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica e novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica.Diante de tal cenário, é oportuno conhecer os resultados de pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições, assim como iniciativas e experiências exitosas de formação docente para a educação intercultural, como base para se problematizar os impactos das atuais mudanças nos rumos da educação nacional, especialmente quanto aos desafios da formação docente para a diversidade e a interculturalidade.Os artigos são precedidos de um Prefácio, de autoria de Tânia Rezende, que situa o dossiê no marco teórico da interculturalidade, enfatiza as relações históricas entre educação escolar e colonialidade, e apresenta a educação intercultural como forma de superar o memoricídio e a concepção epistemológica binária, monolíngue e monoepistêmica de ensino historicamente estabelecida no Brasil.O primeiro artigo do dossiê, intitulado “O Ensino do Português, como segunda Língua, na perspectiva Histórico-Cultural e da Didática Desenvolvimental: interlocuções com os jovens indígenas”, de autoria de Danielle Gonçalves Sena, Marcelle Karyelle Montalvão Gomes, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto e Marly Augusta Lopes de Magalhães, trata de um proposta de ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua, para jovens indígenas, tendo como princípio o respeito à especificidade de seus aspectos linguísticos e culturais.Por sua vez, o artigo intitulado “Interculturalidade e a Formação dos Professores: o contexto Escolar da Comunidade Quilombola/Kalunga Mimoso-Albino”, de autoria de Maria Edimaci T. B. Leite, Marliane Dias Silva e Maria Zeneide C. M. de Almeida, discute sobre a interculturalidade e a formação dos professores no contexto de uma comunidade quilombola, a partir do olhar de uma professora que atua na escola da comunidade, situada no município de Paranã, estado de Tocantins.Em seguida, o artigo intitulado “Etnomatemática na formação e na produção acadêmica de professores/as de Licenciaturas em Matemática do Acre, Amapá, Roraima e Rondônia”, de autoria de Danila de Souza Domiciano, Kécio Gonçalves Leite e Eliana Alves Pereira Leite, analisa a presença de etnomatemática na formação e na produção acadêmica de professores formadores que atuam em cursos de Licenciatura em Matemática do Acre, Amapá, Roraima e Rondônia. Os autores destacam que a ausência da etnomatemática na formação dos formadores pode limitar o ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas e a promoção da educação escolar em perspectiva intercultural pelos futuros novos docentes egressos dos cursos analisados.O próximo artigo, intitulado “Proposta de material didático específico para as aulas de matemática nas escolas do povo indígena Cinta Larga”, de autoria de Augusto Cinta Larga e Carma Maria Martini, apresenta reflexões sobre o processo de elaboração de um material didático sobre o tema “termos numéricos do Povo Cinta Larga”. Os autores ressaltam que o material foi elaborado de forma coletiva, contemplou o contexto social e cultural do Povo Cinta Larga, tem potencial para fortalecer a identidade indígena dos estudantes e contribuir para a promoção de uma educação matemática significativa e intercultural.O artigo intitulado “Prática docente quilombola e os impactos da pandemia na educação”, das autoras Olindina Serafim Nascimento e Maria Cecilia Fantinato, trata dos desafios da prática docente na educação escolar quilombola a partir de narrativas de oito professoras quilombolas que atuam nos territórios do Espírito Santo. As autoras promovem uma reflexão sobre educação intercultural, relações étnico-raciais e a educação no contexto da pandemia de COVID-19, destacando as mudanças nas condições de trabalho docente por meio remoto.Na continuidade do dossiê, o artigo “PIBID Intercultural: Reflexões sobre alfabetização em contextos indígenas da Amazônia”, de Josélia Gomes Neves, apresenta reflexões sobre alfabetização intercultural a partir de experiências vivenciadas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, por estudantes indígenas pertencentes aos povos Zoró, Paiter Suruí, Nambikuara/Mamaindê, Karitiana, Cujubim, Macurap, Arikapu, Wajuru, Tupari, Oro Nao, Oro Mon, Oro Waram Xijein, Oro Eo, Cao Oro Waje e Djeoromitxi.Por sua vez, o artigo “Educação do Campo nos Anais do Congresso Brasileiro de Etnomatemática”, dos autores Márcia Regina de Souza Silva e Kécio Gonçalves Leite, analisa como os trabalhos publicados nos anais das cinco primeiras edições do Congresso Brasileiro de Etnomatemática definiram e referenciaram teoricamente a educação do campo. Os autores enfatizam a necessidade dos pesquisadores que estudam a interface da etnomatemática com a educação do campo promoverem uma maior aproximação teórica de suas pesquisas com o movimento que culminou com as Diretrizes Gerais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, fruto das experiências desenvolvidas no contexto de luta dos movimentos sociais camponeses por terra e educação.O último artigo do dossiê, intitulado “Análise da importância e utilização do tênis de mesa na educação física escolar”, dos autores Moisés de Lima Araújo, Nádia Raquel Dutra de Morais Mourão, Nairana Cristina Santos Freitas, Luis Carlos Gonçalves de Oliveira, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto e Patrícia Chaves de Araújo do Socorro, trata da importância do tênis de mesa para a educação física e a situação de sua utilização em diferentes escolas no município de Barra do Garças-MT.Agradecemos aos autores e às autoras pelo compartilhamento dos artigos que compõem este dossiê da Revista de Educação do Vale do Arinos – RELVA. Em seu conjunto, estes textos certamente contribuirão ao necessário debate sobre as especificidades da formação docente para a atuação em contextos culturais específicos, para a promoção do ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas e para a educação intercultural. Organizadores do dossiê:Prof.ª Dr.ª Marly Augusta Lopes de Magalhães (UFMT)Prof. Dr. Kécio Gonçalves Leite (UNIR)
Universidade do Estado do Mato Grosso - UNEMAT
Title: APRESENTAÇÃO
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Este volume da Revista de Educação do Vale do Arinos – RELVA compõe-se de oito artigos, produzidos por pesquisadores de diferentes instituições e regiões do Brasil, que responderam ao convite para participar do dossiê temático Interculturalidade e formação de professores(as): avanços e desafios, como oportunidade para socializar trabalhos sobre a formação inicial e continuada de professores no país, especialmente quanto à formação docente para atuação em contextos culturais específicos ou para a promoção da educação intercultural.
Nesse sentido, o conjunto de artigos deste dossiê contribui para se refletir sobre avanços e desafios da interculturalidade por meio de experiências e projetos de formação docente para a educação escolar indígena, a educação do campo e a educação quilombola, bem como para o ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas.
Tal reflexão é fundamental no atual cenário nacional, que tem produzido rupturas em políticas públicas de educação e alterações curriculares, por meio de instrumentos normativos, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Base Nacional Comum para a Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica e novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica.
Diante de tal cenário, é oportuno conhecer os resultados de pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições, assim como iniciativas e experiências exitosas de formação docente para a educação intercultural, como base para se problematizar os impactos das atuais mudanças nos rumos da educação nacional, especialmente quanto aos desafios da formação docente para a diversidade e a interculturalidade.
Os artigos são precedidos de um Prefácio, de autoria de Tânia Rezende, que situa o dossiê no marco teórico da interculturalidade, enfatiza as relações históricas entre educação escolar e colonialidade, e apresenta a educação intercultural como forma de superar o memoricídio e a concepção epistemológica binária, monolíngue e monoepistêmica de ensino historicamente estabelecida no Brasil.
O primeiro artigo do dossiê, intitulado “O Ensino do Português, como segunda Língua, na perspectiva Histórico-Cultural e da Didática Desenvolvimental: interlocuções com os jovens indígenas”, de autoria de Danielle Gonçalves Sena, Marcelle Karyelle Montalvão Gomes, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto e Marly Augusta Lopes de Magalhães, trata de um proposta de ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua, para jovens indígenas, tendo como princípio o respeito à especificidade de seus aspectos linguísticos e culturais.
Por sua vez, o artigo intitulado “Interculturalidade e a Formação dos Professores: o contexto Escolar da Comunidade Quilombola/Kalunga Mimoso-Albino”, de autoria de Maria Edimaci T.
B.
Leite, Marliane Dias Silva e Maria Zeneide C.
M.
de Almeida, discute sobre a interculturalidade e a formação dos professores no contexto de uma comunidade quilombola, a partir do olhar de uma professora que atua na escola da comunidade, situada no município de Paranã, estado de Tocantins.
Em seguida, o artigo intitulado “Etnomatemática na formação e na produção acadêmica de professores/as de Licenciaturas em Matemática do Acre, Amapá, Roraima e Rondônia”, de autoria de Danila de Souza Domiciano, Kécio Gonçalves Leite e Eliana Alves Pereira Leite, analisa a presença de etnomatemática na formação e na produção acadêmica de professores formadores que atuam em cursos de Licenciatura em Matemática do Acre, Amapá, Roraima e Rondônia.
Os autores destacam que a ausência da etnomatemática na formação dos formadores pode limitar o ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas e a promoção da educação escolar em perspectiva intercultural pelos futuros novos docentes egressos dos cursos analisados.
O próximo artigo, intitulado “Proposta de material didático específico para as aulas de matemática nas escolas do povo indígena Cinta Larga”, de autoria de Augusto Cinta Larga e Carma Maria Martini, apresenta reflexões sobre o processo de elaboração de um material didático sobre o tema “termos numéricos do Povo Cinta Larga”.
Os autores ressaltam que o material foi elaborado de forma coletiva, contemplou o contexto social e cultural do Povo Cinta Larga, tem potencial para fortalecer a identidade indígena dos estudantes e contribuir para a promoção de uma educação matemática significativa e intercultural.
O artigo intitulado “Prática docente quilombola e os impactos da pandemia na educação”, das autoras Olindina Serafim Nascimento e Maria Cecilia Fantinato, trata dos desafios da prática docente na educação escolar quilombola a partir de narrativas de oito professoras quilombolas que atuam nos territórios do Espírito Santo.
As autoras promovem uma reflexão sobre educação intercultural, relações étnico-raciais e a educação no contexto da pandemia de COVID-19, destacando as mudanças nas condições de trabalho docente por meio remoto.
Na continuidade do dossiê, o artigo “PIBID Intercultural: Reflexões sobre alfabetização em contextos indígenas da Amazônia”, de Josélia Gomes Neves, apresenta reflexões sobre alfabetização intercultural a partir de experiências vivenciadas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, por estudantes indígenas pertencentes aos povos Zoró, Paiter Suruí, Nambikuara/Mamaindê, Karitiana, Cujubim, Macurap, Arikapu, Wajuru, Tupari, Oro Nao, Oro Mon, Oro Waram Xijein, Oro Eo, Cao Oro Waje e Djeoromitxi.
Por sua vez, o artigo “Educação do Campo nos Anais do Congresso Brasileiro de Etnomatemática”, dos autores Márcia Regina de Souza Silva e Kécio Gonçalves Leite, analisa como os trabalhos publicados nos anais das cinco primeiras edições do Congresso Brasileiro de Etnomatemática definiram e referenciaram teoricamente a educação do campo.
Os autores enfatizam a necessidade dos pesquisadores que estudam a interface da etnomatemática com a educação do campo promoverem uma maior aproximação teórica de suas pesquisas com o movimento que culminou com as Diretrizes Gerais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, fruto das experiências desenvolvidas no contexto de luta dos movimentos sociais camponeses por terra e educação.
O último artigo do dossiê, intitulado “Análise da importância e utilização do tênis de mesa na educação física escolar”, dos autores Moisés de Lima Araújo, Nádia Raquel Dutra de Morais Mourão, Nairana Cristina Santos Freitas, Luis Carlos Gonçalves de Oliveira, Aníbal Monteiro de Magalhães Neto e Patrícia Chaves de Araújo do Socorro, trata da importância do tênis de mesa para a educação física e a situação de sua utilização em diferentes escolas no município de Barra do Garças-MT.
Agradecemos aos autores e às autoras pelo compartilhamento dos artigos que compõem este dossiê da Revista de Educação do Vale do Arinos – RELVA.
Em seu conjunto, estes textos certamente contribuirão ao necessário debate sobre as especificidades da formação docente para a atuação em contextos culturais específicos, para a promoção do ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas e para a educação intercultural.
Organizadores do dossiê:Prof.
ª Dr.
ª Marly Augusta Lopes de Magalhães (UFMT)Prof.
Dr.
Kécio Gonçalves Leite (UNIR).
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