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PAPEL DA NETOSE NA SEPSE
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Introdução: A sepse é a maior causa de morte entre pacientes hospitalizados, sendo uma resposta inflamatória sistêmica disfuncional induzida por infecção, que culmina em falência múltipla de órgãos. A coagulação intravascular disseminada e a inflamação sistêmica são duas principais causas de sepse, ambas relacionadas com a NETose. A NETose envolve a formação da NET (“Neutrophil Extracellular Traps”), uma rede extracelular de material nuclear, produzida pelo neutrófilo para captura de microrganismos. Objetivo: Analisar a literatura recente para discutir o papel da NETose na sepse. Material e métodos: Procurou-se no PubMed por “Extracellular Traps” AND “Sepsis”, e foram selecionados artigos dos últimos 5 anos. Resultados: A NETose é iniciada pela despolimerização da cromatina e degradação do envelope nuclear pelas enzimas elastase e mieloperoxidase (MPO). Em seguida, há relaxamento da cromatina, pela enzima PAD4, e ruptura da membrana plasmática com extravasamento do material nuclear. As NETs são compostas por DNA, proteínas nucleares (histonas e HMGB1) e granulares (MPO e elastase). A NETose permite a captura de vários microrganismos, além de induzir a formação de trombo, importante para evitar a disseminação dos patógenos. Contudo, a formação excessiva de NETs pode danificar a microcirculação, levando à sepse pela imunotrombose. A histona no meio extracelular estimula a produção de trombina, a qual atua na formação de trombos pela ativação do PAR (Receptor Ativado por Protease), que promove a liberação do fator de von Willebrand. A trombina promove formação de fibrina pela conversão de fibrinogênio e pelo upregulation do fator tecidual, além de inibir a fibrinólise por induzir a atividade do PAI-1 (Inibidor da Ativação de Plasminogênio). O DNA livre extracelular também possui atividade anti-fibrinolítica, contribuindo para permanência do trombo. Ademais, o DNA livre extracelular, histonas, HMGB1 e MPO podem levar à sepse por induzirem uma resposta inflamatória, pois atuam como DAMPs no meio extracelular, sendo reconhecidos por receptores da imunidade inata, como TLR. Conclusão: A sepse possui associação com a NETose, visto que a coagulação intravascular disseminada e a inflamação sistêmica são exacerbadas em respostas imunes desreguladas, nas quais neutrófilos possuem papel central. Assim, a Netose excessivamente ativada causa injúria tecidual e falência múltipla dos órgãos.
Revista Multidisciplinar em Saúde
Title: PAPEL DA NETOSE NA SEPSE
Description:
Introdução: A sepse é a maior causa de morte entre pacientes hospitalizados, sendo uma resposta inflamatória sistêmica disfuncional induzida por infecção, que culmina em falência múltipla de órgãos.
A coagulação intravascular disseminada e a inflamação sistêmica são duas principais causas de sepse, ambas relacionadas com a NETose.
A NETose envolve a formação da NET (“Neutrophil Extracellular Traps”), uma rede extracelular de material nuclear, produzida pelo neutrófilo para captura de microrganismos.
Objetivo: Analisar a literatura recente para discutir o papel da NETose na sepse.
Material e métodos: Procurou-se no PubMed por “Extracellular Traps” AND “Sepsis”, e foram selecionados artigos dos últimos 5 anos.
Resultados: A NETose é iniciada pela despolimerização da cromatina e degradação do envelope nuclear pelas enzimas elastase e mieloperoxidase (MPO).
Em seguida, há relaxamento da cromatina, pela enzima PAD4, e ruptura da membrana plasmática com extravasamento do material nuclear.
As NETs são compostas por DNA, proteínas nucleares (histonas e HMGB1) e granulares (MPO e elastase).
A NETose permite a captura de vários microrganismos, além de induzir a formação de trombo, importante para evitar a disseminação dos patógenos.
Contudo, a formação excessiva de NETs pode danificar a microcirculação, levando à sepse pela imunotrombose.
A histona no meio extracelular estimula a produção de trombina, a qual atua na formação de trombos pela ativação do PAR (Receptor Ativado por Protease), que promove a liberação do fator de von Willebrand.
A trombina promove formação de fibrina pela conversão de fibrinogênio e pelo upregulation do fator tecidual, além de inibir a fibrinólise por induzir a atividade do PAI-1 (Inibidor da Ativação de Plasminogênio).
O DNA livre extracelular também possui atividade anti-fibrinolítica, contribuindo para permanência do trombo.
Ademais, o DNA livre extracelular, histonas, HMGB1 e MPO podem levar à sepse por induzirem uma resposta inflamatória, pois atuam como DAMPs no meio extracelular, sendo reconhecidos por receptores da imunidade inata, como TLR.
Conclusão: A sepse possui associação com a NETose, visto que a coagulação intravascular disseminada e a inflamação sistêmica são exacerbadas em respostas imunes desreguladas, nas quais neutrófilos possuem papel central.
Assim, a Netose excessivamente ativada causa injúria tecidual e falência múltipla dos órgãos.
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