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Avaliação dos desfechos fetais e neonatais de paciente com lúpus eritematoso sistêmico que engravidaram em uso de micofenolato de mofetila
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Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, e a nefrite lúpica (NL) é uma manifestação frequente, com um aumento do risco de complicações. O micofenolato de mofetil (MMF) é um medicamento imunossupressor e é atualmente considerado o tratamento de primeira linha para NL. No entanto, desde o relato do primeiro caso de malformação congênita associada ao uso materno do MMF na década de 1990, esses imunossupressores têm sido evitados em pacientes que planejam engravidar. Objetivo: Avaliar os desfechos fetais e neonatais em pacientes com LES que engravidaram enquanto faziam uso de MMF, por meio de uma análise retrospectiva dos prontuários médicos. Métodos: Foram analisados todos os prontuários de pacientes com LES em busca daquelas que engravidaram enquanto estavam em uso de MMF, no período de 2009 a 2020. Resultados e discussão: Estudos anteriores sugeriram que a presença de abortamentos ou malformações poderia estar relacionada à dose de MMF e à duração do uso da medicação. Em relação aos casos de abortamento, o tempo de uso do MMF foi de 4, 8 e 16 semanas, e a dose utilizada foi de 1,5 g/dia. No caso em que o recém-nascido apresentou malformações esqueléticas, o tempo de uso do MMF foi de 10 semanas, e a dose prescrita era de 3 g/dia, a maior dose relatada. Das 20 pacientes estudadas, 4 (20%) tiveram abortos espontâneos, e das 16 pacientes que não abortaram, 1 recém-nascido (6,25%) apresentou malformações ao nascer, sendo compatíveis com anomalias ósseas. Estudos anteriores indicaram que anomalias ósseas estavam presentes em 23% dos fetos com embriopatias relacionadas ao MMF. Um pequeno estudo prospectivo de 10 casos relatou que, com a exposição ao MMF no primeiro trimestre da gestação, nenhum dos neonatos nasceu com malformações, mas 40% sofreram aborto espontâneo. Esse estudo sugere que a taxa real de embriopatias associadas ao MMF possa estar entre 4 e 6%, o que se assemelha aos achados do presente estudo. Também é possível que os fetos que sofreram aborto espontâneo tivessem malformações maiores que não foram identificadas. Outro fator que dificulta a análise adequada do impacto do MMF é o fato de que o LES apresenta taxas aumentadas de aborto espontâneo, principalmente em casos de NL e atividade da doença. Conclusão: A presença de nefrite lúpica por si só é um marcador de mau prognóstico materno-fetal. O uso de MMF parece aumentar o risco de aborto espontâneo e teratogenicidade quando usado durante a gestação. Neste estudo, observou-se que, das 20 pacientes estudadas, 4 (20%) tiveram abortos espontâneos e, entre as 16 pacientes que não abortaram, 1 recém-nascido (6,25%) apresentou malformações ao nascer.
Title: Avaliação dos desfechos fetais e neonatais de paciente com lúpus eritematoso sistêmico que engravidaram em uso de micofenolato de mofetila
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Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, e a nefrite lúpica (NL) é uma manifestação frequente, com um aumento do risco de complicações.
O micofenolato de mofetil (MMF) é um medicamento imunossupressor e é atualmente considerado o tratamento de primeira linha para NL.
No entanto, desde o relato do primeiro caso de malformação congênita associada ao uso materno do MMF na década de 1990, esses imunossupressores têm sido evitados em pacientes que planejam engravidar.
Objetivo: Avaliar os desfechos fetais e neonatais em pacientes com LES que engravidaram enquanto faziam uso de MMF, por meio de uma análise retrospectiva dos prontuários médicos.
Métodos: Foram analisados todos os prontuários de pacientes com LES em busca daquelas que engravidaram enquanto estavam em uso de MMF, no período de 2009 a 2020.
Resultados e discussão: Estudos anteriores sugeriram que a presença de abortamentos ou malformações poderia estar relacionada à dose de MMF e à duração do uso da medicação.
Em relação aos casos de abortamento, o tempo de uso do MMF foi de 4, 8 e 16 semanas, e a dose utilizada foi de 1,5 g/dia.
No caso em que o recém-nascido apresentou malformações esqueléticas, o tempo de uso do MMF foi de 10 semanas, e a dose prescrita era de 3 g/dia, a maior dose relatada.
Das 20 pacientes estudadas, 4 (20%) tiveram abortos espontâneos, e das 16 pacientes que não abortaram, 1 recém-nascido (6,25%) apresentou malformações ao nascer, sendo compatíveis com anomalias ósseas.
Estudos anteriores indicaram que anomalias ósseas estavam presentes em 23% dos fetos com embriopatias relacionadas ao MMF.
Um pequeno estudo prospectivo de 10 casos relatou que, com a exposição ao MMF no primeiro trimestre da gestação, nenhum dos neonatos nasceu com malformações, mas 40% sofreram aborto espontâneo.
Esse estudo sugere que a taxa real de embriopatias associadas ao MMF possa estar entre 4 e 6%, o que se assemelha aos achados do presente estudo.
Também é possível que os fetos que sofreram aborto espontâneo tivessem malformações maiores que não foram identificadas.
Outro fator que dificulta a análise adequada do impacto do MMF é o fato de que o LES apresenta taxas aumentadas de aborto espontâneo, principalmente em casos de NL e atividade da doença.
Conclusão: A presença de nefrite lúpica por si só é um marcador de mau prognóstico materno-fetal.
O uso de MMF parece aumentar o risco de aborto espontâneo e teratogenicidade quando usado durante a gestação.
Neste estudo, observou-se que, das 20 pacientes estudadas, 4 (20%) tiveram abortos espontâneos e, entre as 16 pacientes que não abortaram, 1 recém-nascido (6,25%) apresentou malformações ao nascer.
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