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Tratamento laparoscópico de hemoperitônio secundário à ruptura de cisto anexial na emergência de um hospital público
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Introdução: A principal causa de abdome agudo hemorrágico em ginecologia é a gravidez ectópica, sendo os cistos ovarianos rotos a segunda maior causa. Dentre as mulheres acometidas por essa afecção, 89,2% têm idade entre 20 e 49 anos. Observa-se que, em mulheres abaixo dos 20 anos, os processos expansivos anexiais são menos frequentes. A maioria dos cistos não causa nenhum sintoma, mas parte deles evolui com ruptura, sangramento, torção ou dor apenas. Nesses casos, o tratamento cirúrgico deve ser indicado. Uma opção terapêutica é a videolaparoscopia, que ganhou espaço nas últimas décadas e se mostra eficaz no trato ginecológico, inclusive nos casos de urgência. Objetivo: O objetivo deste trabalho é relatar o caso de uma paciente com hemoperitônio secundário a cisto anexial roto, tratada cirurgicamente por videolaparoscopia e revisar brevemente a literatura acerca da eficácia desse meio de abordagem. Relato de experiência: Mulher, 18 anos, nulípara. Deu entrada no pronto-socorro do hospital com queixa de dor abdominal intensa há um dia, com vômitos e diarreia. Evoluiu com sinais clínicos de hipovolemia sem perda do sensório (choque grau I), com abdome distendido, dor e sinais de irritação peritoneal no terço inferior do abdome. Os exames laboratoriais apresentaram eritrograma normal, leucocitose, fração beta da gonadotrofina coriônica negativa e exame de urina normal. A tomografia computadorizada de abdome com contraste evidenciava presença de massa pélvica à direita e líquido livre em grande quantidade. A hipótese diagnóstica fora de abdome agudo hemorrágico secundário à ruptura de cisto anexial, com proposta de videolaparoscopia diagnóstica e terapêutica. A paciente foi submetida ao procedimento proposto sem intercorrências. No ato cirúrgico, durante a exploração da cavidade, foi observada presença de grande quantidade de sangue e coágulos decorrente de cisto ovariano direito roto. Foi realizada higienização da cavidade, ooforoplastia direita e revisão da hemostasia. Seguiu internada em uso de sintomático e antimicrobiano profilático. No segundo dia pós-operatório, a paciente apresentou anemia severa (hematócrito 23,70%; hemoglobina 7,8g/dl), sem sinais de instabilidade hemodinâmica. Foram transfundidos concentrados de hemácias. Recebeu alta hospitalar no terceiro dia pós-operatório, sem complicações, com encaminhamento para acompanhamento ginecológico. Paciente aguarda resultado de estudo anatomo-patológico da lesão anexial. Resultados: A rotura do cisto anexial cursa com dor de início abrupto, podendo evoluir para dor generalizada, chegando a apresentar sinais de hipovolemia em consequência de hemoperitônio, tornando-se urgência cirúrgica. O emprego da videolaparoscopia apresenta como vantagens: menor dor no pós-operatório, menor tempo de internamento, menor índice de infecção do sítio operatório. A laparoscopia tem, segundo estudos, alta sensibilidade e especificidado. É válido ressaltar que a experiência do cirurgião em videocirurgia é fundamental para o diagnóstico preciso. Para o tratamento de cistos anexiais pode-se optar pela técnica da ooforoplastia ou ooforectomia, definida no ato cirúrgico de acordo com a apresentação da lesão anexial e levando em consideração a idade e condições clínicas da paciente. No caso descrito, foi optado pela ooforoplastia, pois a paciente encontrava-se em idade fértil e a extração do cisto foi factível. Conclusões: As lesões anexiais podem se manifestar agudamente, sendo o sangramento indicação de cirurgia, na grande maioria dos casos. A abordagem laparoscópica tornou-se factível na urgência, de acordo com a habilidade do cirurgião e agregando os benefícios da cirurgia minimamente invasiva.
Title: Tratamento laparoscópico de hemoperitônio secundário à ruptura de cisto anexial na emergência de um hospital público
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Introdução: A principal causa de abdome agudo hemorrágico em ginecologia é a gravidez ectópica, sendo os cistos ovarianos rotos a segunda maior causa.
Dentre as mulheres acometidas por essa afecção, 89,2% têm idade entre 20 e 49 anos.
Observa-se que, em mulheres abaixo dos 20 anos, os processos expansivos anexiais são menos frequentes.
A maioria dos cistos não causa nenhum sintoma, mas parte deles evolui com ruptura, sangramento, torção ou dor apenas.
Nesses casos, o tratamento cirúrgico deve ser indicado.
Uma opção terapêutica é a videolaparoscopia, que ganhou espaço nas últimas décadas e se mostra eficaz no trato ginecológico, inclusive nos casos de urgência.
Objetivo: O objetivo deste trabalho é relatar o caso de uma paciente com hemoperitônio secundário a cisto anexial roto, tratada cirurgicamente por videolaparoscopia e revisar brevemente a literatura acerca da eficácia desse meio de abordagem.
Relato de experiência: Mulher, 18 anos, nulípara.
Deu entrada no pronto-socorro do hospital com queixa de dor abdominal intensa há um dia, com vômitos e diarreia.
Evoluiu com sinais clínicos de hipovolemia sem perda do sensório (choque grau I), com abdome distendido, dor e sinais de irritação peritoneal no terço inferior do abdome.
Os exames laboratoriais apresentaram eritrograma normal, leucocitose, fração beta da gonadotrofina coriônica negativa e exame de urina normal.
A tomografia computadorizada de abdome com contraste evidenciava presença de massa pélvica à direita e líquido livre em grande quantidade.
A hipótese diagnóstica fora de abdome agudo hemorrágico secundário à ruptura de cisto anexial, com proposta de videolaparoscopia diagnóstica e terapêutica.
A paciente foi submetida ao procedimento proposto sem intercorrências.
No ato cirúrgico, durante a exploração da cavidade, foi observada presença de grande quantidade de sangue e coágulos decorrente de cisto ovariano direito roto.
Foi realizada higienização da cavidade, ooforoplastia direita e revisão da hemostasia.
Seguiu internada em uso de sintomático e antimicrobiano profilático.
No segundo dia pós-operatório, a paciente apresentou anemia severa (hematócrito 23,70%; hemoglobina 7,8g/dl), sem sinais de instabilidade hemodinâmica.
Foram transfundidos concentrados de hemácias.
Recebeu alta hospitalar no terceiro dia pós-operatório, sem complicações, com encaminhamento para acompanhamento ginecológico.
Paciente aguarda resultado de estudo anatomo-patológico da lesão anexial.
Resultados: A rotura do cisto anexial cursa com dor de início abrupto, podendo evoluir para dor generalizada, chegando a apresentar sinais de hipovolemia em consequência de hemoperitônio, tornando-se urgência cirúrgica.
O emprego da videolaparoscopia apresenta como vantagens: menor dor no pós-operatório, menor tempo de internamento, menor índice de infecção do sítio operatório.
A laparoscopia tem, segundo estudos, alta sensibilidade e especificidado.
É válido ressaltar que a experiência do cirurgião em videocirurgia é fundamental para o diagnóstico preciso.
Para o tratamento de cistos anexiais pode-se optar pela técnica da ooforoplastia ou ooforectomia, definida no ato cirúrgico de acordo com a apresentação da lesão anexial e levando em consideração a idade e condições clínicas da paciente.
No caso descrito, foi optado pela ooforoplastia, pois a paciente encontrava-se em idade fértil e a extração do cisto foi factível.
Conclusões: As lesões anexiais podem se manifestar agudamente, sendo o sangramento indicação de cirurgia, na grande maioria dos casos.
A abordagem laparoscópica tornou-se factível na urgência, de acordo com a habilidade do cirurgião e agregando os benefícios da cirurgia minimamente invasiva.
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