Javascript must be enabled to continue!
Estoque de carbono em viveiros aquícolas: evidências em 125 viveiros escavados em Minas Gerais, Brasil
View through CrossRef
O crescimento populacional e a elevação da renda em países de baixo e médio poder aquisitivo têm levado ao aumento significativo na demanda por proteínas e outros produtos de origem animal. A rápida expansão da aquicultura para atender a essa demanda tem despertado interesse em seu potencial de reduzir impactos ambientais. Entre os sistemas de produção, os viveiros escavados estão entre os mais utilizados no mundo e apresentam potencial para mitigar emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio do acúmulo de carbono orgânico em seus sedimentos. Apesar disso, ainda representam uma oportunidade pouco explorada para a captura de carbono, com dados limitados sobre os fatores locais que influenciam sua eficiência. Neste estudo, investigamos os estoques de carbono orgânico nos sedimentos de 125 viveiros escavados em Minas Gerais, Brasil. As variáveis abióticas e a identidade da fazenda, considerada como efeito aleatório, estiveram mais associadas aos estoques de carbono do que à estrutura da comunidade cultivada, representada pela composição das espécies presentes e pelo tipo de sistema produtivo dos viveiros, classificados em monocultura nativa, monocultura de tilápia, policultivo com tilápia e policultivo nativo. Embora os policultivos tenham apresentado descritivamente estoques de carbono orgânico mais elevados, esse padrão foi associado à maior longevidade desses sistemas, e não a uma vantagem intrínseca do policultivo. Viveiros de águas frias, em contraste, mostraram estoques de carbono orgânico significativamente menores, padrão associado a maiores taxas de renovação de água. O estoque total de carbono nos viveiros escavados de Minas Gerais foi estimado em 94,7 Gg C (IC 95%: 75,1 – 117,0 Gg C), com concentração média de 25,3 t C ha⁻¹. A taxa mediana anual de enterro de carbono foi de 2,5 t C ha⁻¹ ano⁻¹ (IC 95%: 1,9 – 3,2 t C ha⁻¹ ano⁻¹), calculada a partir da idade média ponderada dos viveiros de 10,2 anos (IC 95%: 8,6 – 11,9 anos). A concentração de carbono variou ao longo da região de estudo, com uma diferença de três vezes entre os menores e maiores valores medianos (1,8 a 6,4 kg C m⁻²), evidenciando forte heterogeneidade espacial. Os resultados indicam que a continuidade temporal e operacional dos viveiros é o fator central para o sequestro de carbono, sugerindo que estratégias voltadas à sua imobilização após a remoção do sedimento são fundamentais para viabilizar um sequestro permanente deste carbono.
Title: Estoque de carbono em viveiros aquícolas: evidências em 125 viveiros escavados em Minas Gerais, Brasil
Description:
O crescimento populacional e a elevação da renda em países de baixo e médio poder aquisitivo têm levado ao aumento significativo na demanda por proteínas e outros produtos de origem animal.
A rápida expansão da aquicultura para atender a essa demanda tem despertado interesse em seu potencial de reduzir impactos ambientais.
Entre os sistemas de produção, os viveiros escavados estão entre os mais utilizados no mundo e apresentam potencial para mitigar emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio do acúmulo de carbono orgânico em seus sedimentos.
Apesar disso, ainda representam uma oportunidade pouco explorada para a captura de carbono, com dados limitados sobre os fatores locais que influenciam sua eficiência.
Neste estudo, investigamos os estoques de carbono orgânico nos sedimentos de 125 viveiros escavados em Minas Gerais, Brasil.
As variáveis abióticas e a identidade da fazenda, considerada como efeito aleatório, estiveram mais associadas aos estoques de carbono do que à estrutura da comunidade cultivada, representada pela composição das espécies presentes e pelo tipo de sistema produtivo dos viveiros, classificados em monocultura nativa, monocultura de tilápia, policultivo com tilápia e policultivo nativo.
Embora os policultivos tenham apresentado descritivamente estoques de carbono orgânico mais elevados, esse padrão foi associado à maior longevidade desses sistemas, e não a uma vantagem intrínseca do policultivo.
Viveiros de águas frias, em contraste, mostraram estoques de carbono orgânico significativamente menores, padrão associado a maiores taxas de renovação de água.
O estoque total de carbono nos viveiros escavados de Minas Gerais foi estimado em 94,7 Gg C (IC 95%: 75,1 – 117,0 Gg C), com concentração média de 25,3 t C ha⁻¹.
A taxa mediana anual de enterro de carbono foi de 2,5 t C ha⁻¹ ano⁻¹ (IC 95%: 1,9 – 3,2 t C ha⁻¹ ano⁻¹), calculada a partir da idade média ponderada dos viveiros de 10,2 anos (IC 95%: 8,6 – 11,9 anos).
A concentração de carbono variou ao longo da região de estudo, com uma diferença de três vezes entre os menores e maiores valores medianos (1,8 a 6,4 kg C m⁻²), evidenciando forte heterogeneidade espacial.
Os resultados indicam que a continuidade temporal e operacional dos viveiros é o fator central para o sequestro de carbono, sugerindo que estratégias voltadas à sua imobilização após a remoção do sedimento são fundamentais para viabilizar um sequestro permanente deste carbono.
Related Results
Quantificação dos serviços ecossistêmicos providos pela cobertura vegetal urbana e periurbana de Juiz de Fora (Minas Gerais, Brasil)
Quantificação dos serviços ecossistêmicos providos pela cobertura vegetal urbana e periurbana de Juiz de Fora (Minas Gerais, Brasil)
R E S U M O
As florestas urbanas desempenham importante papel na manutenção da biodiversidade, qualidade do ar e ciclo hidrológico, fornecendo diversos serviços ecossistêmicos. De...
A CONVERSÃO DE ÁREAS ÚMIDAS EM USOS AGRÍCOLAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO BEIJA-FLOR – MG: ANÁLISE DO CARBONO TOTAL E IMPACTOS AMBIENTAIS EM MURUNDUS
A CONVERSÃO DE ÁREAS ÚMIDAS EM USOS AGRÍCOLAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO BEIJA-FLOR – MG: ANÁLISE DO CARBONO TOTAL E IMPACTOS AMBIENTAIS EM MURUNDUS
Este trabalho propôs a análise da conversão de áreas úmidas em usos agrícolas no Cerrado, através do estudo da interferência dos fatores antrópicos em campos de murundus na Chapada...
CARBONO SOCIAL: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL VIA MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO?
CARBONO SOCIAL: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL VIA MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO?
A ratificação do Protocolo de Kioto – um acordo internacional que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) – reaqueceu as discussões em torno do chamado mercado ...
Emissões de Dióxido de Carbono pelo Corte Raso na Área de Proteção Ambiental Tarumã-Ponta Negra, Manaus, Amazonas
Emissões de Dióxido de Carbono pelo Corte Raso na Área de Proteção Ambiental Tarumã-Ponta Negra, Manaus, Amazonas
Florestas tropicais têm papel fundamental no sequestro de carbono, uma vez que cerca de 50% do seu carbono está contido na biomassa florestal. A Amazônia Brasileira, contém um gran...
Equação de biomassa e estoque de carbono do pinhão manso, no município de Viçosa, MG
Equação de biomassa e estoque de carbono do pinhão manso, no município de Viçosa, MG
O presente trabalho teve como objetivo estimar equações de biomassa e o estoque de carbono da cultura do Pinhão Manso (Jatrophacurcas L.). A área estudada localiza-se no município ...
Dinâmica de serrapilheira e estoque de carbono em pastagens de Urochloa decumbens adubada ou consorciada
Dinâmica de serrapilheira e estoque de carbono em pastagens de Urochloa decumbens adubada ou consorciada
A tese foi elaborada em dois capítulos, os quais abordam estudos que avaliam características químicas e decomposição de serrapilheira e de raízes, biomassa de raízes e estoque de c...
ESTOQUE DE CARBONO NO SOLO CULTIVADO COM “CAPIMMAVUNO” SOB DIFERENTES FONTES DE ADUBO NITROGENADO
ESTOQUE DE CARBONO NO SOLO CULTIVADO COM “CAPIMMAVUNO” SOB DIFERENTES FONTES DE ADUBO NITROGENADO
Introdução: A função da matéria orgânica do solo é importante para vários processos físicos, químicos e biológicos que impactam a produção agrícola e o meio ambiente. Os sistemas f...
ESTOQUE DE CARBONO NO SOLO SOB DIFERENTES CONDIÇÕES DE CERRADO
ESTOQUE DE CARBONO NO SOLO SOB DIFERENTES CONDIÇÕES DE CERRADO
O contínuo aumento de gases carbônicos na atmosfera, principalmente o CO2 e o CO, tem levado a discussões sobre medidas que reduzam a emissão destes gases e os impactos no meio amb...

