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Função Gonadal na Síndrome de Turner

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Introdução: A síndrome de Turner caracteriza-se pela ausência, parcial ou total, de um cromossoma X no sexo feminino, sendo uma das cromossomopatias mais frequentes. O diagnóstico é realizado através do cariótipo e as suas manifestações incluem o hipogonadismo primário, antes ou após a puberdade (disgenesia gonadal). O grau de disfunção e a extensão dos defeitos gonadais são variáveis.Objectivos: Pretendeu-se avaliar a clínica, cariótipo, função gonadal e características ecográficas do útero e ovários de mulheres com síndrome de Turner.Material e Métodos: Estudo retrospectivo de doentes com síndrome de Turner, seguidas nos Serviços de Endocrinologia ou Reprodução Humana dos Hospitais da Universidade de Coimbra - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E. Avaliou-se toda a amostra e consideraram-se o grupo 1 (com puberdade e menarca espontânea) e grupo 2 (sem puberdade espontânea). Parâmetros avaliados: idade do estudo inicial, puberdade, cariótipo, FSH, ecografia pélvica inicial e pós-pubertária, celioscopia e indução pubertária. Estudo estatístico: SPSS (20.0).Resultados: Amostra: 79 doentes, 14,7 ± 6,6 anos. Ausência de sinais pubertários em 57,1%, amenorreia primária 67,1% e secundária 6,6%. Cariótipo: monossomia X-37,2%, mosaico-37,2%, alterações estruturais de X-25,6%. Mediana da FSH 59,5mUI/mL. Ecografia inicial: útero normal-34,2%, atrófico-65,8%; ovários normais-21,6%, atróficos-78,4%, com folículos-5,1%. Ecografia pós-pubertária: útero normal-67,9%, atrófico-32,1%; ovários normais-36,4%, atróficos-63,6%. A laparoscopia realizada em 16 (20,3%) doentes confirmou os achados ecográficos. Duas mulheres com puberdade induzida engravidaram: uma espontaneamente, sem evolução; outra pordoação de ovócitos, evolutiva. Grupo 1 (com puberdade e menarca espontânea): 20 (25,3%) doentes, 16,1 ± 8,9 anos. Puberdade na avaliação inicial: M1-22,2%, M2-33,3%, M3-16,7%, M4-16,7%, M5-11,1%. Cariótipo: mosaico-65%, alterações estruturais de X-20%, monossomia X-15%. Mediana da FSH 7 mUI/mL. Ecografia inicial: útero normal-72,2%, atrófico-27,8%; ovários normais-63,2%, atróficos-36,8%. Ecografia pós-pubertária: útero normal-100%; ovários normais-72,7%, atróficos-27,3%. Grupo 2 (sem puberdade espontânea): 59 (74,7%) doentes, 14,0 ± 5,5 anos. Puberdade na avaliação inicial: M1-69,2%, M2-13,5%, M3-5,8%, M4-3,8%, M5-7,7%. Cariótipo: monossomia X-43,9%, alterações estruturais de X-28,1%, mosaico-28,1%. Mediana da FSH 74 mUI/mL. Ecografiainicial: útero normal-20,4%, atrófico-79,6%; ovários normais-7,4%, atróficos-92,6%. Ecografia pós-pubertária: útero normal-60,0%, atrófico-40,0%; ovários normais-27,3%, atróficos-72,7%. Indução pubertária aos 16,1 ± 4,1 anos com idade óssea 12,7 ± 1,6 anos. Os grupos 1 e 2 diferiram significativamente no cariótipo (p = 0,010), FSH (p < 0,001), dimensões do útero e ovários (p < 0,001).Conclusões: A maioria das doentes apresentou disfunção gonadal com necessidade de indução pubertária. Ocorreu puberdade e menarca espontâneas em 25,3% das doentes (predomínio de mosaicos). Das doentes com indução pubertária, 43,9% apresentavam monossomia X. A fertilidade destas doentes está comprometida, podendo nalgumas situações recorrer-se a técnicas de procriação medicamente assistida para obter uma gravidez ou preservar a fertilidade.
Title: Função Gonadal na Síndrome de Turner
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Introdução: A síndrome de Turner caracteriza-se pela ausência, parcial ou total, de um cromossoma X no sexo feminino, sendo uma das cromossomopatias mais frequentes.
O diagnóstico é realizado através do cariótipo e as suas manifestações incluem o hipogonadismo primário, antes ou após a puberdade (disgenesia gonadal).
O grau de disfunção e a extensão dos defeitos gonadais são variáveis.
Objectivos: Pretendeu-se avaliar a clínica, cariótipo, função gonadal e características ecográficas do útero e ovários de mulheres com síndrome de Turner.
Material e Métodos: Estudo retrospectivo de doentes com síndrome de Turner, seguidas nos Serviços de Endocrinologia ou Reprodução Humana dos Hospitais da Universidade de Coimbra - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.
P.
E.
Avaliou-se toda a amostra e consideraram-se o grupo 1 (com puberdade e menarca espontânea) e grupo 2 (sem puberdade espontânea).
Parâmetros avaliados: idade do estudo inicial, puberdade, cariótipo, FSH, ecografia pélvica inicial e pós-pubertária, celioscopia e indução pubertária.
Estudo estatístico: SPSS (20.
0).
Resultados: Amostra: 79 doentes, 14,7 ± 6,6 anos.
Ausência de sinais pubertários em 57,1%, amenorreia primária 67,1% e secundária 6,6%.
Cariótipo: monossomia X-37,2%, mosaico-37,2%, alterações estruturais de X-25,6%.
Mediana da FSH 59,5mUI/mL.
Ecografia inicial: útero normal-34,2%, atrófico-65,8%; ovários normais-21,6%, atróficos-78,4%, com folículos-5,1%.
Ecografia pós-pubertária: útero normal-67,9%, atrófico-32,1%; ovários normais-36,4%, atróficos-63,6%.
A laparoscopia realizada em 16 (20,3%) doentes confirmou os achados ecográficos.
Duas mulheres com puberdade induzida engravidaram: uma espontaneamente, sem evolução; outra pordoação de ovócitos, evolutiva.
Grupo 1 (com puberdade e menarca espontânea): 20 (25,3%) doentes, 16,1 ± 8,9 anos.
Puberdade na avaliação inicial: M1-22,2%, M2-33,3%, M3-16,7%, M4-16,7%, M5-11,1%.
Cariótipo: mosaico-65%, alterações estruturais de X-20%, monossomia X-15%.
Mediana da FSH 7 mUI/mL.
Ecografia inicial: útero normal-72,2%, atrófico-27,8%; ovários normais-63,2%, atróficos-36,8%.
Ecografia pós-pubertária: útero normal-100%; ovários normais-72,7%, atróficos-27,3%.
Grupo 2 (sem puberdade espontânea): 59 (74,7%) doentes, 14,0 ± 5,5 anos.
Puberdade na avaliação inicial: M1-69,2%, M2-13,5%, M3-5,8%, M4-3,8%, M5-7,7%.
Cariótipo: monossomia X-43,9%, alterações estruturais de X-28,1%, mosaico-28,1%.
Mediana da FSH 74 mUI/mL.
Ecografiainicial: útero normal-20,4%, atrófico-79,6%; ovários normais-7,4%, atróficos-92,6%.
Ecografia pós-pubertária: útero normal-60,0%, atrófico-40,0%; ovários normais-27,3%, atróficos-72,7%.
Indução pubertária aos 16,1 ± 4,1 anos com idade óssea 12,7 ± 1,6 anos.
Os grupos 1 e 2 diferiram significativamente no cariótipo (p = 0,010), FSH (p < 0,001), dimensões do útero e ovários (p < 0,001).
Conclusões: A maioria das doentes apresentou disfunção gonadal com necessidade de indução pubertária.
Ocorreu puberdade e menarca espontâneas em 25,3% das doentes (predomínio de mosaicos).
Das doentes com indução pubertária, 43,9% apresentavam monossomia X.
A fertilidade destas doentes está comprometida, podendo nalgumas situações recorrer-se a técnicas de procriação medicamente assistida para obter uma gravidez ou preservar a fertilidade.

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