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Métodos alternativos à experimentação animal ; quais os desafios para conciliar segurança de produtos e ética na pesquisa científica?

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INTRODUÇÃO: Desde a década de 80 na Europa, e mais recentemente no Brasil, os chamados métodos alternativos à experimentação animal vêm ganhando cada vez mais relevância, uma vez que, além da questão ética, apresentam vantagens sobre os modelos animais. Ao redor do mundo, países estão atualizando suas legislações para se adaptarem à nova realidade, através do reconhecimento e aceitação de métodos validados. Porém, apesar dos avanços, ainda há barreiras que restringem a adoção e desenvolvimento de métodos alternativos. OBJETIVO: Expor e analisar o atual cenário de métodos alternativos à experimentação animal no Brasil e no mundo, tendo como foco a identificação dos principais desafios para a difusão dessas práticas. MATERIAL E MÉTODOS: Busca na base de dados Pubmed para a seleção de artigos sobre o tema, consulta a sites de órgãos reguladores e grupos de proteção animal e conversas com profissionais da indústria. RESULTADOS: O processo de implementação de um método alternativo conta com cinco etapas, sendo a validação a mais importante, pois, a partir dela, um método pode receber ou não aceitação regulatória. No Brasil, 25 métodos validados já foram reconhecidos pelo Concea, porém, assim como em outros países, falta agilidade e integração entre os grupos envolvidos para que mais testes sejam aceitos num futuro próximo. Tratando-se de métodos alternativos nos setores da indústria, os cenários são diferentes entre si: a indústria química na Europa, sob a legislação REACH, ainda demanda uma quantidade considerável de testes em animais; a indústria cosmética já substituiu quase por completo os métodos convencionais - com exceção da China; e a indústria farmacêutica apresenta dificuldade de implementar testes alternativos, mas sistemas microfluídicos do tipo organ-on-a-chip são vistos como um futuro||promissor para superar limitações técnicas. Os benefícios econômicos associados aos métodos sem animais também justificam seu uso. CONCLUSÃO: Considerando os muitos fatores envolvidos, os principais desafios para ampliação de métodos alternativos são i. o processo de validação; ii. as limitações técnicas; iii. as diferenças entre indústrias a que os métodos são destinados; iv. os sistemas de regulação; v. a importação de insumos e vi. a credibilidade e confiabilidade. Com colaboração, financiamento, treinamento e processos mais claros de aceitação regulatória, os métodos alternativos serão fundamentais para a toxicologia do século XXI na segurança da saúde humana.
Universidade de São Paulo. Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais
Title: Métodos alternativos à experimentação animal ; quais os desafios para conciliar segurança de produtos e ética na pesquisa científica?
Description:
INTRODUÇÃO: Desde a década de 80 na Europa, e mais recentemente no Brasil, os chamados métodos alternativos à experimentação animal vêm ganhando cada vez mais relevância, uma vez que, além da questão ética, apresentam vantagens sobre os modelos animais.
Ao redor do mundo, países estão atualizando suas legislações para se adaptarem à nova realidade, através do reconhecimento e aceitação de métodos validados.
Porém, apesar dos avanços, ainda há barreiras que restringem a adoção e desenvolvimento de métodos alternativos.
OBJETIVO: Expor e analisar o atual cenário de métodos alternativos à experimentação animal no Brasil e no mundo, tendo como foco a identificação dos principais desafios para a difusão dessas práticas.
MATERIAL E MÉTODOS: Busca na base de dados Pubmed para a seleção de artigos sobre o tema, consulta a sites de órgãos reguladores e grupos de proteção animal e conversas com profissionais da indústria.
RESULTADOS: O processo de implementação de um método alternativo conta com cinco etapas, sendo a validação a mais importante, pois, a partir dela, um método pode receber ou não aceitação regulatória.
No Brasil, 25 métodos validados já foram reconhecidos pelo Concea, porém, assim como em outros países, falta agilidade e integração entre os grupos envolvidos para que mais testes sejam aceitos num futuro próximo.
Tratando-se de métodos alternativos nos setores da indústria, os cenários são diferentes entre si: a indústria química na Europa, sob a legislação REACH, ainda demanda uma quantidade considerável de testes em animais; a indústria cosmética já substituiu quase por completo os métodos convencionais - com exceção da China; e a indústria farmacêutica apresenta dificuldade de implementar testes alternativos, mas sistemas microfluídicos do tipo organ-on-a-chip são vistos como um futuro||promissor para superar limitações técnicas.
Os benefícios econômicos associados aos métodos sem animais também justificam seu uso.
CONCLUSÃO: Considerando os muitos fatores envolvidos, os principais desafios para ampliação de métodos alternativos são i.
o processo de validação; ii.
as limitações técnicas; iii.
as diferenças entre indústrias a que os métodos são destinados; iv.
os sistemas de regulação; v.
a importação de insumos e vi.
a credibilidade e confiabilidade.
Com colaboração, financiamento, treinamento e processos mais claros de aceitação regulatória, os métodos alternativos serão fundamentais para a toxicologia do século XXI na segurança da saúde humana.

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