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Análise da Vitrine Tecnológica da UFRGS como Ferramenta de Divulgação Científica e Inovação

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INTRODUÇÃO A divulgação científica tem se tornado uma das principais estratégias para aproximar a produção acadêmica da sociedade, facilitando o acesso à informação e incentivando a participação social no avanço da ciência. No cenário atual, em que a informação circula de forma ágil e em múltiplos canais, torna-se necessária a construção de pontes entre o conhecimento científico e o público, papel este atribuído em especial às universidades e aos centros de pesquisas. Essa aproximação ocorre por meio da democratização do acesso à informação para o público não especializado, tornando o conhecimento acessível ao leigo. Para isso, é necessário decodificar os termos técnicos e recodificá-los em uma linguagem adequada ao entendimento comum (Bueno, 2010). Essa prática permite que os avanços científicos ultrapassem os muros da academia, incentivando o diálogo entre pesquisadores e a sociedade e fortalecendo a cultura científica. Nesse sentido, as vitrines tecnológicas cumprem a função primordial da divulgação científica, já que estas atuam como uma ferramenta de comunicar o conhecimento gerado pela academia e transmitir para a sociedade e mercado, a fim de exibir e promover a inovação científica e tecnológica, desempenhando papel estratégico para instituições comprometidas com a pesquisa e o desenvolvimento (Pires, 2018; Tavares, 2019). Nelas, as instituições tornam públicas suas pesquisas, informações sobre artigos, soluções inovadoras e tecnologias disponíveis, enquanto empresas e outros atores podem apresentar demandas de inovação, o que reforça seu papel como canais de comunicação e de fortalecimento da imagem institucional, inclusive no ecossistema de startups (Pires, 2018; Santos, 2017). De acordo com Tavares e Pedrosi Filho (2020), uma vitrine tecnológica bem estruturada simplifica o acesso à informação, fortalece a reputação da universidade como polo de inovação, incentiva a criação de novos projetos e atrai parcerias estratégicas. Nesse mesmo sentido, Silva, Ribeiro e Santana (2022) definem a vitrine tecnológica como uma ferramenta que centraliza e expõe as principais pesquisas e soluções produzidas por uma instituição, favorecendo a interação com empresas e ampliando as oportunidades de transferência de tecnologia. Assim, as vitrines tecnológicas constituem instrumentos fundamentais para a gestão da inovação em instituições de ensino e pesquisa, uma vez que promovem visibilidade às inovações, reforçam a imagem institucional, facilitam processos de transferência de tecnologia, fomentam a cultura da inovação e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico regional. Diante do exposto, esta pesquisa possui a seguinte questão norteadora: de que maneira a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica de suas pesquisas/produtos tecnológicos/patentes e inovações. Para responder a essa questão, bem como ao objetivo geral — analisar a Vitrine Tecnológica da UFRGS enquanto ferramenta de divulgação científica — foi realizada uma análise de conteúdo das páginas do site, buscando identificar se ela efetivamente promove a divulgação científica e de que forma esse processo é realizado.   2 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, configurando-se como um estudo de caso. O procedimento metodológico baseou-se na análise de conteúdo das páginas do site da Vitrine Tecnológica da UFRGS. Para alcançar o objetivo proposto, que consiste em examinar a Vitrine Tecnológica da UFRGS enquanto ferramenta de divulgação científica, foram consideradas as seguintes dimensões analíticas: interatividade, acessibilidade e usabilidade. Essas categorias foram selecionadas com o intuito de verificar em que medida a Vitrine atende aos aspectos mencionados. A Figura 1 apresenta, de forma esquemática, as etapas que compõem o processo de análise.   Figura 1 - Fluxo das etapas da análise    Fonte: Autoria própria.    3 RESULTADOS DA PESQUISA Com base em uma abordagem qualitativa e fundamentada em pesquisa documental, os dados obtidos nas páginas da Vitrine Tecnológica da UFRGS foram analisados por meio da Análise de Conteúdo (Bardin, 2016). Conforme as informações contidas na página “Quem somos” da Vitrine Tecnológica da UFRGS, a finalidade do site é identificar e divulgar novas oportunidades para o desenvolvimento tecnológico por meio de parcerias com empresas e entidades. As tecnologias apresentadas nas páginas constituem os ativos intangíveis da UFRGS, abrangendo patentes recentemente depositadas e outras inovações passíveis de transferência. O site está disponível em português e inglês, ampliando a visibilidade das tecnologias e conectando-as a potenciais interessados em nível nacional e internacional. Os principais objetivos da Vitrine Tecnológica são: favorecer a interação da Universidade com a sociedade; divulgar e valorizar tecnologias geradas por seus pesquisadores. Conforme  as informações disponíveis no site, a  divulgação não implica a exposição detalhada da tecnologia, de seu funcionamento ou de aspectos técnicos sensíveis. O enfoque recai na apresentação do problema que a tecnologia resolve, suas aplicações e resultados, em uma linguagem essencialmente comercial, com o propósito de abrir canais de negociação com empresas e instituições que possam se interessar em desenvolver ou incorporar a inovação. A Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico da UFRGS (SEDETEC) é responsável pela gestão da propriedade intelectual da Universidade, que compreende patentes, marcas, direitos autorais, softwares, know-how e outros contratos de interação com a sociedade. Os ativos de propriedade intelectual apresentados na Vitrine estão disponíveis para licenciamento ou para desenvolvimento conjunto com empresas e instituições interessadas. Figura 2 -  Página Início   Fonte: UFRGS (2025).  A delimitação do enfoque deste estudo é a divulgação científica que, segundo Bueno (2010), tem como objetivo central democratizar o acesso à informação, possibilitando a inserção do cidadão nas discussões acerca de conhecimentos científicos que impactam sua vida. A partir dessa perspectiva, é possível identificar que a Vitrine Tecnológica da UFRGS se propõe a ser uma ferramenta de divulgação científica, conforme seu objetivo descrito na página “Quem somos”, como mencionado anteriormente neste estudo. Contudo, analisaremos se ela atende aos critérios estabelecidos no contexto da web, em que as informações estão disponibilizadas. Um dos critérios utilizados para a análise do conteúdo da Vitrine Tecnológica é a interatividade proporcionada pelas páginas. Segundo Henriques e Lara (2021, p. 218, a interatividade e a produção colaborativa de conteúdos apresentam “[...] o potencial de oferecer protagonismo ao usuário, que deixa a posição de mero visitante para se tornar produtor de conhecimento”. Além disso, conforme Cazaux (2019), para que algo seja considerado interativo, certas propriedades devem estar presentes, tais como feedback e controle, criatividade, adaptabilidade e produtividade.  Nesse sentido, ao analisarmos a interatividade do site, observa-se que as informações disponíveis cumprem o papel de divulgar as tecnologias da UFRGS, apresentando o nome dos inventores, permitindo a consulta das tecnologias por categorias e oferecendo uma exposição mais detalhada ao clicar em “Saiba mais”. O acesso ao site possibilita a pesquisa por meio de uma ferramenta de buscas, porém, não disponibiliza recursos que permitam ao visitante interagir diretamente com as tecnologias apresentadas, como espaços para comentários. Por outro lado, existe uma página dedicada a receber o contato de pessoas interessadas nas tecnologias. A página “Fale Conosco”, ilustrada na Figura 3, configura uma forma de interatividade entre o visitante e a equipe responsável, pois permite o envio de mensagens que serão respondidas, gerando uma comunicação direta entre emissor e receptor em relação ao conteúdo apresentado nas páginas. Figura 3 - Página Fale Conosco   Fonte: UFRGS (2025). Segundo o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, (Brasil, 2014), a acessibilidade à Web refere-se a garantir acesso facilitado a qualquer pessoa, independente das condições físicas, dos meios técnicos ou dispositivos utilizados. O Modelo sugere que o  processo para desenvolver um site acessível é realizado em três passos: 1. Seguir os padrões Web; 2. Seguir as diretrizes ou recomendações de acessibilidade; 3. Realizar a avaliação de acessibilidade. O primeiro passo para a construção de um ambiente digital acessível consiste na observância dos padrões Web estabelecidos pelo W3C. Esses padrões, que incluem normas como HTML, XML, XHTML e CSS, têm como finalidade uniformizar o desenvolvimento e assegurar a correta interpretação do conteúdo em diferentes sistemas de acesso à informação, como navegadores, dispositivos móveis, leitores de tela e mecanismos de busca. A utilização de código semanticamente adequado é fundamental para garantir a consistência e a previsibilidade no acesso às páginas, evitando barreiras que possam comprometer a acessibilidade.  O segundo passo refere-se à adoção das recomendações de acessibilidade, com destaque para as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG 2.0), elaboradas pelo W3C por meio da iniciativa WAI (Web Accessibility Initiative). Tais diretrizes orientam tanto autores de conteúdo quanto desenvolvedores de ferramentas, abrangendo desde páginas estáticas até aplicações Web dinâmicas, como as especificadas pelo WAI. No contexto nacional, ressalta-se o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), que norteia o desenvolvimento de sítios e portais acessíveis no âmbito da administração pública federal.  O terceiro passo corresponde à avaliação da acessibilidade, a qual deve articular métodos automáticos e manuais. Enquanto validadores automáticos, como o ASES, possibilitam identificar inconformidades de forma ágil, a análise manual é necessária para verificar aspectos subjetivos, como a adequação das descrições alternativas para imagens. Além disso, é recomendada a realização de testes com tecnologias assistivas e usuários reais, uma vez que apenas a experiência prática permite avaliar a efetiva usabilidade e compreensão do ambiente digital. A combinação desses procedimentos contribui para a identificação de barreiras e para o aprimoramento contínuo da acessibilidade.  Dessa forma, quando analisamos esses aspectos na Vitrine Tecnológica da UFRGS é possível observar que existem avanços, mas também algumas limitações. O conteúdo textual é claro e estruturado, mas faltam recursos inclusivos, como descrição alternativa para imagens e contraste adequado.  Em relação à usabilidade, a análise de uma interface constitui uma prática essencial para identificar barreiras que possam dificultar a interação do usuário, sendo, portanto, fundamental para assegurar uma experiência satisfatória e produtiva (Capri; Silva, 2021). Esse aspecto pode ser mais relevante no âmbito das instituições de ensino superior, onde a eficácia na comunicação e no acesso à informação assume papel estratégico.  Nielsen (1993), em sua obra Usability Engineering, define cinco atributos fundamentais para caracterizar um sistema com boa usabilidade. O primeiro é a facilidade de aprendizado, segundo o qual o usuário deve compreender rapidamente o funcionamento do sistema. O segundo refere-se à baixa taxa de erros, ou seja, o sistema deve permitir a execução de tarefas com poucos obstáculos, além de possibilitar a correção de erros quando ocorrerem. O terceiro atributo é a satisfação subjetiva, relacionada ao caráter agradável da interação e à percepção positiva do usuário. Em seguida, destaca-se a facilidade de memorização, que corresponde à capacidade de o usuário retomar o uso do sistema após um período de inatividade sem grandes dificuldades. Por fim, o quinto atributo é a eficiência no uso, que implica permitir ao usuário, uma vez familiarizado com o sistema, executar suas tarefas com elevado nível de produtividade. A aplicação dos atributos de usabilidade propostos por Nielsen (1993) permite uma análise  da Vitrine Tecnológica da UFRGS. Observa-se que o site apresenta relativa facilidade de aprendizado, uma vez que a navegação básica, dividida por categorias e com o recurso “Saiba mais”, possibilita ao visitante compreender rapidamente como acessar as informações. A satisfação subjetiva é evidente pela clareza e pela objetividade das descrições, porém poderia ser ampliada com recursos visuais mais atrativos para gerar maior interação com o visitante. Quanto à memorização, a estrutura simples e padronizada contribui para que o visitante retome o uso do site com facilidade, mesmo após um intervalo de tempo. Por fim, em termos de eficiência, a ferramenta de busca garante acesso rápido às tecnologias, mas a navegação poderia ser otimizada com filtros mais avançados e maior integração com outras bases de dados.    4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa buscou identificar de que maneira a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica. Para isso, foi realizada uma análise de conteúdo das páginas do site, buscando identificar se ele efetivamente promove a divulgação científica e de que maneira esse processo é alcançado. A análise de conteúdo teve como critérios a observação da interatividade, acessibilidade e a usabilidade das páginas do site.  Concluímos que a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica. As páginas divulgam as tecnologias desenvolvidas pelos inventores de maneira clara e estruturada. Existem melhorias que podem ser feitas no que tange  aos critérios citados nessa pesquisa, bem como a análise de cada um no item anterior. Nesse sentido, o critério da interatividade merece atenção devido ao objetivo da vitrine e do alcance e impacto  que ela pode gerar ao se conectar com parceiros, empresas e demais organizações que desejam investir nas tecnologias da Universidade. A utilização de mecanismos de busca simplificados, associada a uma disposição organizada dos dados dos inventores e à integração de canais de contato direto com estes, pode contribuir para potencializar a eficiência da interação.  
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Title: Análise da Vitrine Tecnológica da UFRGS como Ferramenta de Divulgação Científica e Inovação
Description:
INTRODUÇÃO A divulgação científica tem se tornado uma das principais estratégias para aproximar a produção acadêmica da sociedade, facilitando o acesso à informação e incentivando a participação social no avanço da ciência.
No cenário atual, em que a informação circula de forma ágil e em múltiplos canais, torna-se necessária a construção de pontes entre o conhecimento científico e o público, papel este atribuído em especial às universidades e aos centros de pesquisas.
Essa aproximação ocorre por meio da democratização do acesso à informação para o público não especializado, tornando o conhecimento acessível ao leigo.
Para isso, é necessário decodificar os termos técnicos e recodificá-los em uma linguagem adequada ao entendimento comum (Bueno, 2010).
Essa prática permite que os avanços científicos ultrapassem os muros da academia, incentivando o diálogo entre pesquisadores e a sociedade e fortalecendo a cultura científica.
Nesse sentido, as vitrines tecnológicas cumprem a função primordial da divulgação científica, já que estas atuam como uma ferramenta de comunicar o conhecimento gerado pela academia e transmitir para a sociedade e mercado, a fim de exibir e promover a inovação científica e tecnológica, desempenhando papel estratégico para instituições comprometidas com a pesquisa e o desenvolvimento (Pires, 2018; Tavares, 2019).
Nelas, as instituições tornam públicas suas pesquisas, informações sobre artigos, soluções inovadoras e tecnologias disponíveis, enquanto empresas e outros atores podem apresentar demandas de inovação, o que reforça seu papel como canais de comunicação e de fortalecimento da imagem institucional, inclusive no ecossistema de startups (Pires, 2018; Santos, 2017).
De acordo com Tavares e Pedrosi Filho (2020), uma vitrine tecnológica bem estruturada simplifica o acesso à informação, fortalece a reputação da universidade como polo de inovação, incentiva a criação de novos projetos e atrai parcerias estratégicas.
Nesse mesmo sentido, Silva, Ribeiro e Santana (2022) definem a vitrine tecnológica como uma ferramenta que centraliza e expõe as principais pesquisas e soluções produzidas por uma instituição, favorecendo a interação com empresas e ampliando as oportunidades de transferência de tecnologia.
Assim, as vitrines tecnológicas constituem instrumentos fundamentais para a gestão da inovação em instituições de ensino e pesquisa, uma vez que promovem visibilidade às inovações, reforçam a imagem institucional, facilitam processos de transferência de tecnologia, fomentam a cultura da inovação e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico regional.
Diante do exposto, esta pesquisa possui a seguinte questão norteadora: de que maneira a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica de suas pesquisas/produtos tecnológicos/patentes e inovações.
Para responder a essa questão, bem como ao objetivo geral — analisar a Vitrine Tecnológica da UFRGS enquanto ferramenta de divulgação científica — foi realizada uma análise de conteúdo das páginas do site, buscando identificar se ela efetivamente promove a divulgação científica e de que forma esse processo é realizado.
  2 METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, configurando-se como um estudo de caso.
O procedimento metodológico baseou-se na análise de conteúdo das páginas do site da Vitrine Tecnológica da UFRGS.
Para alcançar o objetivo proposto, que consiste em examinar a Vitrine Tecnológica da UFRGS enquanto ferramenta de divulgação científica, foram consideradas as seguintes dimensões analíticas: interatividade, acessibilidade e usabilidade.
Essas categorias foram selecionadas com o intuito de verificar em que medida a Vitrine atende aos aspectos mencionados.
A Figura 1 apresenta, de forma esquemática, as etapas que compõem o processo de análise.
  Figura 1 - Fluxo das etapas da análise    Fonte: Autoria própria.
    3 RESULTADOS DA PESQUISA Com base em uma abordagem qualitativa e fundamentada em pesquisa documental, os dados obtidos nas páginas da Vitrine Tecnológica da UFRGS foram analisados por meio da Análise de Conteúdo (Bardin, 2016).
Conforme as informações contidas na página “Quem somos” da Vitrine Tecnológica da UFRGS, a finalidade do site é identificar e divulgar novas oportunidades para o desenvolvimento tecnológico por meio de parcerias com empresas e entidades.
As tecnologias apresentadas nas páginas constituem os ativos intangíveis da UFRGS, abrangendo patentes recentemente depositadas e outras inovações passíveis de transferência.
O site está disponível em português e inglês, ampliando a visibilidade das tecnologias e conectando-as a potenciais interessados em nível nacional e internacional.
Os principais objetivos da Vitrine Tecnológica são: favorecer a interação da Universidade com a sociedade; divulgar e valorizar tecnologias geradas por seus pesquisadores.
Conforme  as informações disponíveis no site, a  divulgação não implica a exposição detalhada da tecnologia, de seu funcionamento ou de aspectos técnicos sensíveis.
O enfoque recai na apresentação do problema que a tecnologia resolve, suas aplicações e resultados, em uma linguagem essencialmente comercial, com o propósito de abrir canais de negociação com empresas e instituições que possam se interessar em desenvolver ou incorporar a inovação.
A Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico da UFRGS (SEDETEC) é responsável pela gestão da propriedade intelectual da Universidade, que compreende patentes, marcas, direitos autorais, softwares, know-how e outros contratos de interação com a sociedade.
Os ativos de propriedade intelectual apresentados na Vitrine estão disponíveis para licenciamento ou para desenvolvimento conjunto com empresas e instituições interessadas.
Figura 2 -  Página Início   Fonte: UFRGS (2025).
  A delimitação do enfoque deste estudo é a divulgação científica que, segundo Bueno (2010), tem como objetivo central democratizar o acesso à informação, possibilitando a inserção do cidadão nas discussões acerca de conhecimentos científicos que impactam sua vida.
A partir dessa perspectiva, é possível identificar que a Vitrine Tecnológica da UFRGS se propõe a ser uma ferramenta de divulgação científica, conforme seu objetivo descrito na página “Quem somos”, como mencionado anteriormente neste estudo.
Contudo, analisaremos se ela atende aos critérios estabelecidos no contexto da web, em que as informações estão disponibilizadas.
Um dos critérios utilizados para a análise do conteúdo da Vitrine Tecnológica é a interatividade proporcionada pelas páginas.
Segundo Henriques e Lara (2021, p.
218, a interatividade e a produção colaborativa de conteúdos apresentam “[.
] o potencial de oferecer protagonismo ao usuário, que deixa a posição de mero visitante para se tornar produtor de conhecimento”.
Além disso, conforme Cazaux (2019), para que algo seja considerado interativo, certas propriedades devem estar presentes, tais como feedback e controle, criatividade, adaptabilidade e produtividade.
  Nesse sentido, ao analisarmos a interatividade do site, observa-se que as informações disponíveis cumprem o papel de divulgar as tecnologias da UFRGS, apresentando o nome dos inventores, permitindo a consulta das tecnologias por categorias e oferecendo uma exposição mais detalhada ao clicar em “Saiba mais”.
O acesso ao site possibilita a pesquisa por meio de uma ferramenta de buscas, porém, não disponibiliza recursos que permitam ao visitante interagir diretamente com as tecnologias apresentadas, como espaços para comentários.
Por outro lado, existe uma página dedicada a receber o contato de pessoas interessadas nas tecnologias.
A página “Fale Conosco”, ilustrada na Figura 3, configura uma forma de interatividade entre o visitante e a equipe responsável, pois permite o envio de mensagens que serão respondidas, gerando uma comunicação direta entre emissor e receptor em relação ao conteúdo apresentado nas páginas.
Figura 3 - Página Fale Conosco   Fonte: UFRGS (2025).
Segundo o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, (Brasil, 2014), a acessibilidade à Web refere-se a garantir acesso facilitado a qualquer pessoa, independente das condições físicas, dos meios técnicos ou dispositivos utilizados.
O Modelo sugere que o  processo para desenvolver um site acessível é realizado em três passos: 1.
Seguir os padrões Web; 2.
Seguir as diretrizes ou recomendações de acessibilidade; 3.
Realizar a avaliação de acessibilidade.
O primeiro passo para a construção de um ambiente digital acessível consiste na observância dos padrões Web estabelecidos pelo W3C.
Esses padrões, que incluem normas como HTML, XML, XHTML e CSS, têm como finalidade uniformizar o desenvolvimento e assegurar a correta interpretação do conteúdo em diferentes sistemas de acesso à informação, como navegadores, dispositivos móveis, leitores de tela e mecanismos de busca.
A utilização de código semanticamente adequado é fundamental para garantir a consistência e a previsibilidade no acesso às páginas, evitando barreiras que possam comprometer a acessibilidade.
 O segundo passo refere-se à adoção das recomendações de acessibilidade, com destaque para as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG 2.
0), elaboradas pelo W3C por meio da iniciativa WAI (Web Accessibility Initiative).
Tais diretrizes orientam tanto autores de conteúdo quanto desenvolvedores de ferramentas, abrangendo desde páginas estáticas até aplicações Web dinâmicas, como as especificadas pelo WAI.
No contexto nacional, ressalta-se o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), que norteia o desenvolvimento de sítios e portais acessíveis no âmbito da administração pública federal.
 O terceiro passo corresponde à avaliação da acessibilidade, a qual deve articular métodos automáticos e manuais.
Enquanto validadores automáticos, como o ASES, possibilitam identificar inconformidades de forma ágil, a análise manual é necessária para verificar aspectos subjetivos, como a adequação das descrições alternativas para imagens.
Além disso, é recomendada a realização de testes com tecnologias assistivas e usuários reais, uma vez que apenas a experiência prática permite avaliar a efetiva usabilidade e compreensão do ambiente digital.
A combinação desses procedimentos contribui para a identificação de barreiras e para o aprimoramento contínuo da acessibilidade.
  Dessa forma, quando analisamos esses aspectos na Vitrine Tecnológica da UFRGS é possível observar que existem avanços, mas também algumas limitações.
O conteúdo textual é claro e estruturado, mas faltam recursos inclusivos, como descrição alternativa para imagens e contraste adequado.
  Em relação à usabilidade, a análise de uma interface constitui uma prática essencial para identificar barreiras que possam dificultar a interação do usuário, sendo, portanto, fundamental para assegurar uma experiência satisfatória e produtiva (Capri; Silva, 2021).
Esse aspecto pode ser mais relevante no âmbito das instituições de ensino superior, onde a eficácia na comunicação e no acesso à informação assume papel estratégico.
  Nielsen (1993), em sua obra Usability Engineering, define cinco atributos fundamentais para caracterizar um sistema com boa usabilidade.
O primeiro é a facilidade de aprendizado, segundo o qual o usuário deve compreender rapidamente o funcionamento do sistema.
O segundo refere-se à baixa taxa de erros, ou seja, o sistema deve permitir a execução de tarefas com poucos obstáculos, além de possibilitar a correção de erros quando ocorrerem.
O terceiro atributo é a satisfação subjetiva, relacionada ao caráter agradável da interação e à percepção positiva do usuário.
Em seguida, destaca-se a facilidade de memorização, que corresponde à capacidade de o usuário retomar o uso do sistema após um período de inatividade sem grandes dificuldades.
Por fim, o quinto atributo é a eficiência no uso, que implica permitir ao usuário, uma vez familiarizado com o sistema, executar suas tarefas com elevado nível de produtividade.
A aplicação dos atributos de usabilidade propostos por Nielsen (1993) permite uma análise  da Vitrine Tecnológica da UFRGS.
Observa-se que o site apresenta relativa facilidade de aprendizado, uma vez que a navegação básica, dividida por categorias e com o recurso “Saiba mais”, possibilita ao visitante compreender rapidamente como acessar as informações.
A satisfação subjetiva é evidente pela clareza e pela objetividade das descrições, porém poderia ser ampliada com recursos visuais mais atrativos para gerar maior interação com o visitante.
Quanto à memorização, a estrutura simples e padronizada contribui para que o visitante retome o uso do site com facilidade, mesmo após um intervalo de tempo.
Por fim, em termos de eficiência, a ferramenta de busca garante acesso rápido às tecnologias, mas a navegação poderia ser otimizada com filtros mais avançados e maior integração com outras bases de dados.
    4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa buscou identificar de que maneira a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica.
Para isso, foi realizada uma análise de conteúdo das páginas do site, buscando identificar se ele efetivamente promove a divulgação científica e de que maneira esse processo é alcançado.
A análise de conteúdo teve como critérios a observação da interatividade, acessibilidade e a usabilidade das páginas do site.
  Concluímos que a Vitrine Tecnológica da UFRGS contribui para a divulgação científica.
As páginas divulgam as tecnologias desenvolvidas pelos inventores de maneira clara e estruturada.
Existem melhorias que podem ser feitas no que tange  aos critérios citados nessa pesquisa, bem como a análise de cada um no item anterior.
Nesse sentido, o critério da interatividade merece atenção devido ao objetivo da vitrine e do alcance e impacto  que ela pode gerar ao se conectar com parceiros, empresas e demais organizações que desejam investir nas tecnologias da Universidade.
A utilização de mecanismos de busca simplificados, associada a uma disposição organizada dos dados dos inventores e à integração de canais de contato direto com estes, pode contribuir para potencializar a eficiência da interação.
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