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Sensoriamento óptico como ferramenta não destrutiva para avaliação da descelularização renal
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Introdução: A escassez de rins para transplante é um desafio global. Em 2024, mais de 33 mil pessoas aguardavam por umrim no Brasil, mas apenas cerca de 6.300 transplantes foram realizados. Nos Estados Unidos, mais de 90 mil estavam na fila,com cerca de 27.700 procedimentos feitos.1 Nesse sentido, a bioengenharia tecidual surge como uma alternativa promissora,especialmente com a descelularização, que remove os componentes celulares imunogênicos preservando a matriz extracelular(MEC). No entanto, os métodos padronizados de avaliação de arcabouços de órgãos descelularizados, como a quantificação deDNA e análise histológica, envolvem métodos destrutivos do tecido, inviabilizando seu uso posterior. Assim, torna-se essencial desenvolver ferramentas não destrutivas de avaliação da descelularização renal. Objetivo: Portanto, este estudo propõe o monitorar, por meio de sensoriamento óptico, em tempo real o processo de descelularização de rins, correlacionando perfis ópticos com a quantidade de DNA residual. Material e Método: Foram utilizados ratos Wistar adultos (60–90 dias) (CEUA/UFES n° 01/2020). Após eutanásia e nefrectomia, um dos rins foi destinado à descelularização. O rim foi acoplado a um sistema desensoriamento óptico, desenvolvido pelo Núcleo de Bioengenharia Tecidual da UFES3, via artéria renal e submetido à perfusãosequencial com PBS, SDS 1%, água destilada, Triton X-100 1%, ácido peracético 0,5% e PBS estéril. O sensor óptico captavaos fótons emitidos, processando-os via placa de prototipagem que os transformavam em valores de tensão, que por sua vez eram plotados em forma de gráfico no software Matlab®. Resultados e Discussão: Os rins descelularizados (n=13) apresentaram redução média de 99,80% do seu conteúdo de DNA, representando uma média de 159,31 ng de DNA/mg de tecido seco - valor três vezes maior do que o padrão definido na literatura.2,4 O sistema de monitoramento óptico registrou perfis únicos em formato de curva “S” para cada descelularização. A modelagem matemática, baseada no modelo de Gadagkar e Call3, demonstrou bom ajuste das curvas, sendo o parâmetro Xo o mais correlacionado com o percentual de DNA removido (62%). As análises histológicas reforçaram os achados ópticos: a coloração de Hematoxilina e Eosina mostrou ausência de núcleos e citoplasma nos tecidos descelularizados e a coloração de Picrosirius red evidenciou a preservação das fibras colágenas. A correlação entre os dados ópticos, a quantificação de DNA e os achados histológicos valida a metodologia proposta. Conclusões: O sistema de sensoriamento óptico demonstrou-se uma ferramenta eficiente, precisa e não destrutiva para avaliar a descelularização de rins. Entretanto, adaptações nos protocolos de descelularização devem ser feitas a fim de diminuir ainda mais a quantidade residual de DNA nos arcabouços renais. Essa abordagem tem potencial para otimizar a utilização de arcabouços descelularizados e contribuir para o avanço da bioengenharia de órgãos e enfrentamento da escassez de rins para transplantes.
Jornal de Assistencia Farmaceutica e Farmacoeconomia
Title: Sensoriamento óptico como ferramenta não destrutiva para avaliação da descelularização renal
Description:
Introdução: A escassez de rins para transplante é um desafio global.
Em 2024, mais de 33 mil pessoas aguardavam por umrim no Brasil, mas apenas cerca de 6.
300 transplantes foram realizados.
Nos Estados Unidos, mais de 90 mil estavam na fila,com cerca de 27.
700 procedimentos feitos.
1 Nesse sentido, a bioengenharia tecidual surge como uma alternativa promissora,especialmente com a descelularização, que remove os componentes celulares imunogênicos preservando a matriz extracelular(MEC).
No entanto, os métodos padronizados de avaliação de arcabouços de órgãos descelularizados, como a quantificação deDNA e análise histológica, envolvem métodos destrutivos do tecido, inviabilizando seu uso posterior.
Assim, torna-se essencial desenvolver ferramentas não destrutivas de avaliação da descelularização renal.
Objetivo: Portanto, este estudo propõe o monitorar, por meio de sensoriamento óptico, em tempo real o processo de descelularização de rins, correlacionando perfis ópticos com a quantidade de DNA residual.
Material e Método: Foram utilizados ratos Wistar adultos (60–90 dias) (CEUA/UFES n° 01/2020).
Após eutanásia e nefrectomia, um dos rins foi destinado à descelularização.
O rim foi acoplado a um sistema desensoriamento óptico, desenvolvido pelo Núcleo de Bioengenharia Tecidual da UFES3, via artéria renal e submetido à perfusãosequencial com PBS, SDS 1%, água destilada, Triton X-100 1%, ácido peracético 0,5% e PBS estéril.
O sensor óptico captavaos fótons emitidos, processando-os via placa de prototipagem que os transformavam em valores de tensão, que por sua vez eram plotados em forma de gráfico no software Matlab®.
Resultados e Discussão: Os rins descelularizados (n=13) apresentaram redução média de 99,80% do seu conteúdo de DNA, representando uma média de 159,31 ng de DNA/mg de tecido seco - valor três vezes maior do que o padrão definido na literatura.
2,4 O sistema de monitoramento óptico registrou perfis únicos em formato de curva “S” para cada descelularização.
A modelagem matemática, baseada no modelo de Gadagkar e Call3, demonstrou bom ajuste das curvas, sendo o parâmetro Xo o mais correlacionado com o percentual de DNA removido (62%).
As análises histológicas reforçaram os achados ópticos: a coloração de Hematoxilina e Eosina mostrou ausência de núcleos e citoplasma nos tecidos descelularizados e a coloração de Picrosirius red evidenciou a preservação das fibras colágenas.
A correlação entre os dados ópticos, a quantificação de DNA e os achados histológicos valida a metodologia proposta.
Conclusões: O sistema de sensoriamento óptico demonstrou-se uma ferramenta eficiente, precisa e não destrutiva para avaliar a descelularização de rins.
Entretanto, adaptações nos protocolos de descelularização devem ser feitas a fim de diminuir ainda mais a quantidade residual de DNA nos arcabouços renais.
Essa abordagem tem potencial para otimizar a utilização de arcabouços descelularizados e contribuir para o avanço da bioengenharia de órgãos e enfrentamento da escassez de rins para transplantes.
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