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DETERMINANTES DA FRAGILIDADE EM RECEPTORES DE TRANSPLANTE RENAL: EVIDENCIAS DE UM ESTUDO BRASILEIRO COM MODELAGEM ESTATISTICA AVANÇADA
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Introdução: A fragilidade é frequentemente observada entre receptores de transplante renal (TX) e está associada a piores desfechos clínicos. Estudos recentes sugerem que sua prevalência varia amplamente, sendo influenciada por múltiplos fatores físicos, psicológicos e sociais. O presente estudo teve por objetivo conhecer os determinantes de fragilidade em receptores de transplante renal.
Métodos: Este é um estudo longitudinal, quantitativo com 92 pacientes TX. A coleta de dados foi realizada em dois momentos, com intervalo de 2 anos (T0 e T1). Foram obtidos dados sociodemográficos e realizadas avaliações utilizando o Tilburg Frailty Indicator (TFI) para avaliação da fragilidade, o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) para depressão e um questionário sobre desfechos negativos (hospitalização, uso contínuo de medicamentos e mudanças no tratamento). O estudo seguiu as diretrizes éticas da Resolução 466/2012.
Resultados: A idade média dos participantes foi 42,78 anos, com escolaridade média de 12,45 anos e uso médio de 8,4 medicamentos diários. A maioria dos participantes era do sexo masculino (61,05%) e de etnia branca (60%), e 72,63% tinham parceiro(a) fixo(a). A análise por regressão de Poisson com variância robusta indicou que níveis elevados de sintomas depressivos em T0 estavam significativamente associados ao risco de fragilidade em T1. Participantes com depressão moderadamente severa apresentaram risco relativo (RR) 2,38 vezes maior (IC95%: 1,02–5,55; p=0,042), e aqueles com depressão grave apresentaram RR de 2,64 (IC95%: 1,24–5,63; p<0,01), em comparação aos sem sintomas de serem frágeis. Embora a prevalência de fragilidade tenha sido maior em mulheres (64,29%) do que em homens (36,11%), a associação não foi estatisticamente significativa (RR=1,59; p=0,053), assim como a idade (RR=0,998; p=0,802).
Discussão e Conclusões: Esses achados são consistentes com estudos prévios, como o de Vankova et al. (2024), que identificaram a depressão como fator associado à fragilidade em receptores de TX idosos. A literatura ainda carece de investigações longitudinais sobre a evolução da fragilidade nessa população (Sandes-Freitas et al., 2024), reforçando a necessidade de rastreamento e intervenções precoces. A presença de sintomas depressivos demonstrou ser um determinante significativo para o desenvolvimento de fragilidade em receptores de transplante renal, com risco aumentado proporcional à gravidade dos sintomas.
Sociedade Brasileira de Nefrologia
Title: DETERMINANTES DA FRAGILIDADE EM RECEPTORES DE TRANSPLANTE RENAL: EVIDENCIAS DE UM ESTUDO BRASILEIRO COM MODELAGEM ESTATISTICA AVANÇADA
Description:
Introdução: A fragilidade é frequentemente observada entre receptores de transplante renal (TX) e está associada a piores desfechos clínicos.
Estudos recentes sugerem que sua prevalência varia amplamente, sendo influenciada por múltiplos fatores físicos, psicológicos e sociais.
O presente estudo teve por objetivo conhecer os determinantes de fragilidade em receptores de transplante renal.
Métodos: Este é um estudo longitudinal, quantitativo com 92 pacientes TX.
A coleta de dados foi realizada em dois momentos, com intervalo de 2 anos (T0 e T1).
Foram obtidos dados sociodemográficos e realizadas avaliações utilizando o Tilburg Frailty Indicator (TFI) para avaliação da fragilidade, o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) para depressão e um questionário sobre desfechos negativos (hospitalização, uso contínuo de medicamentos e mudanças no tratamento).
O estudo seguiu as diretrizes éticas da Resolução 466/2012.
Resultados: A idade média dos participantes foi 42,78 anos, com escolaridade média de 12,45 anos e uso médio de 8,4 medicamentos diários.
A maioria dos participantes era do sexo masculino (61,05%) e de etnia branca (60%), e 72,63% tinham parceiro(a) fixo(a).
A análise por regressão de Poisson com variância robusta indicou que níveis elevados de sintomas depressivos em T0 estavam significativamente associados ao risco de fragilidade em T1.
Participantes com depressão moderadamente severa apresentaram risco relativo (RR) 2,38 vezes maior (IC95%: 1,02–5,55; p=0,042), e aqueles com depressão grave apresentaram RR de 2,64 (IC95%: 1,24–5,63; p<0,01), em comparação aos sem sintomas de serem frágeis.
Embora a prevalência de fragilidade tenha sido maior em mulheres (64,29%) do que em homens (36,11%), a associação não foi estatisticamente significativa (RR=1,59; p=0,053), assim como a idade (RR=0,998; p=0,802).
Discussão e Conclusões: Esses achados são consistentes com estudos prévios, como o de Vankova et al.
(2024), que identificaram a depressão como fator associado à fragilidade em receptores de TX idosos.
A literatura ainda carece de investigações longitudinais sobre a evolução da fragilidade nessa população (Sandes-Freitas et al.
, 2024), reforçando a necessidade de rastreamento e intervenções precoces.
A presença de sintomas depressivos demonstrou ser um determinante significativo para o desenvolvimento de fragilidade em receptores de transplante renal, com risco aumentado proporcional à gravidade dos sintomas.
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