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Na trilha de `tomara (que)' do século XIII ao XX: da construção gramaticalizada à interjeição

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Por meio da análise de dados do século XIII ao século XX, disponíveis no ‘Corpus do Português’, tratamos da construção ‘tomara (que)’ atrelada a quatro processos paralelos que a conduziram à expressão de desejo em Português: (i) ampliação de campos semânticos; (ii) expressão de modalidade irrealis (por meio dos valores conjuntivo, condicional e volitivo); (iii) estreitamento paradigmático à primeira pessoa e (iv) seleção de argumento inalienável ou referente a um estado de coisas. Teoricamente, buscamos classificações de ‘tomara’ na literatura gramatical e ancoramo-nos em postulados da Gramática de Construções, pois o pareamento forma-função foi essencial para compreendermos o percurso da construção gramaticalizada ‘tomara (que)’ para interjeição. Consideramos 956 dados nos quais observamos que a construção passa a ser usada a partir do século XVI, com acepção de desejo, embora haja uns poucos usos anteriores já com valor modal. Paralelamente, observamos usos de ‘tomara’ predominantemente em primeira pessoa posposta, além de maior incidência de argumento interno inalienável ou referente a um estado de coisas nos últimos séculos. Espraiamento semântico, valor modal, estreitamento paradigmático e metaforização contribuem com a gramaticalização da estrutura, persistindo, porém, a seleção argumental dos usos mais longínquos, ou seja, a construção continua a selecionar objeto oracional, até converter-se em interjeição propriamente dita.
Universidade de São Paulo. Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais
Title: Na trilha de `tomara (que)' do século XIII ao XX: da construção gramaticalizada à interjeição
Description:
Por meio da análise de dados do século XIII ao século XX, disponíveis no ‘Corpus do Português’, tratamos da construção ‘tomara (que)’ atrelada a quatro processos paralelos que a conduziram à expressão de desejo em Português: (i) ampliação de campos semânticos; (ii) expressão de modalidade irrealis (por meio dos valores conjuntivo, condicional e volitivo); (iii) estreitamento paradigmático à primeira pessoa e (iv) seleção de argumento inalienável ou referente a um estado de coisas.
Teoricamente, buscamos classificações de ‘tomara’ na literatura gramatical e ancoramo-nos em postulados da Gramática de Construções, pois o pareamento forma-função foi essencial para compreendermos o percurso da construção gramaticalizada ‘tomara (que)’ para interjeição.
Consideramos 956 dados nos quais observamos que a construção passa a ser usada a partir do século XVI, com acepção de desejo, embora haja uns poucos usos anteriores já com valor modal.
Paralelamente, observamos usos de ‘tomara’ predominantemente em primeira pessoa posposta, além de maior incidência de argumento interno inalienável ou referente a um estado de coisas nos últimos séculos.
Espraiamento semântico, valor modal, estreitamento paradigmático e metaforização contribuem com a gramaticalização da estrutura, persistindo, porém, a seleção argumental dos usos mais longínquos, ou seja, a construção continua a selecionar objeto oracional, até converter-se em interjeição propriamente dita.

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