Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

TROMBOCITOPENIA IMUNE ASSOCIADA A HISTOPLASMOSE PULMONAR EM RECEPTOR DE TRANSPLANTE RENAL

View through CrossRef
Apresentação de caso: Homem, 46 anos, doença renal crônica de etiologia indeterminada e cirrose por hepatite C tratada, realizou o primeiro transplante renal em 1990, evoluindo com perda devido à má adesão. Foi submetido ao segundo transplante em maio/2014. Em fevereiro/2024 é internado com quadro de mialgia, cefaleia, febre e plaquetopenia de 12.000/mm³. Sorologias IgM e IgG para dengue foram fracamente reagentes e o antígeno NS1 negativo. Apresentou melhora dos sintomas clínicos, porém persistiu com plaquetopenia grave, sem resposta à transfusão de plaquetas. Suspensos imunossupressores (azatioprina e tacrolimo) e aumentada a dose de prednisona para 1mg/kg/dia. Houve tentativa de tratamento com 2 ciclos de imunoglobulina humana 0,5g/kg por 5 dias e eltrombopague, sem melhora efetiva da plaquetopenia. Complementos séricos (C3 e C4) estavam significativamente reduzidos, com FAN, ANCA e fator reumatoide negativos. Marcadores de hemólise foram normais e o mielograma evidenciou medula hipercelular. Em investigação de causas secundárias de trombocitopenia imune (PTI), evidenciados múltiplos nódulos com atenuação em vidro fosco em ambos os pulmões. O immunoblotting sérico para Histoplasma capsulatum foi reagente. Realizada anfotericina B lipossomal por 2 semanas, sendo transicionado para itraconazol. Segue em curso do tratamento para histoplasmose pulmonar, porém mantendo plaquetopenia grave e em avaliação de terapias de 2ª linha para PTI. Discussão A PTI é uma doença autoimune rara com incidência de 3/100.000 pessoas por ano. Essa condição resulta de uma destruição periférica das plaquetas juntamente com uma resposta inadequada da medula óssea. A destruição plaquetária é mediada pela ativação da via clássica do complemento em 60% dos casos. A PTI é primária na maioria dos casos, mas em 20% é secundária, podendo ter como causas malignidades hematológicas, doenças autoimunes sistêmicas e infecções. Na literatura há poucos relatos de PTI associada a histoplasmose, sendo um desafio diagnóstico, principalmente em pacientes imunossuprimidos, como os receptores de transplante de órgão. Considerações finais: Receptores de transplante renal possuem apresentações subclínicas de infecções devido a sua limitada resposta imune. No caso relatado, a ausência de sintomas clássicos atrasou o diagnóstico etiológico durante semanas. A ausência de resposta adequada ao tratamento da PTI motivou a investigação de causas secundárias, o que foi essencial para o diagnóstico final.
Title: TROMBOCITOPENIA IMUNE ASSOCIADA A HISTOPLASMOSE PULMONAR EM RECEPTOR DE TRANSPLANTE RENAL
Description:
Apresentação de caso: Homem, 46 anos, doença renal crônica de etiologia indeterminada e cirrose por hepatite C tratada, realizou o primeiro transplante renal em 1990, evoluindo com perda devido à má adesão.
Foi submetido ao segundo transplante em maio/2014.
Em fevereiro/2024 é internado com quadro de mialgia, cefaleia, febre e plaquetopenia de 12.
000/mm³.
Sorologias IgM e IgG para dengue foram fracamente reagentes e o antígeno NS1 negativo.
Apresentou melhora dos sintomas clínicos, porém persistiu com plaquetopenia grave, sem resposta à transfusão de plaquetas.
Suspensos imunossupressores (azatioprina e tacrolimo) e aumentada a dose de prednisona para 1mg/kg/dia.
Houve tentativa de tratamento com 2 ciclos de imunoglobulina humana 0,5g/kg por 5 dias e eltrombopague, sem melhora efetiva da plaquetopenia.
Complementos séricos (C3 e C4) estavam significativamente reduzidos, com FAN, ANCA e fator reumatoide negativos.
Marcadores de hemólise foram normais e o mielograma evidenciou medula hipercelular.
Em investigação de causas secundárias de trombocitopenia imune (PTI), evidenciados múltiplos nódulos com atenuação em vidro fosco em ambos os pulmões.
O immunoblotting sérico para Histoplasma capsulatum foi reagente.
Realizada anfotericina B lipossomal por 2 semanas, sendo transicionado para itraconazol.
Segue em curso do tratamento para histoplasmose pulmonar, porém mantendo plaquetopenia grave e em avaliação de terapias de 2ª linha para PTI.
Discussão A PTI é uma doença autoimune rara com incidência de 3/100.
000 pessoas por ano.
Essa condição resulta de uma destruição periférica das plaquetas juntamente com uma resposta inadequada da medula óssea.
A destruição plaquetária é mediada pela ativação da via clássica do complemento em 60% dos casos.
A PTI é primária na maioria dos casos, mas em 20% é secundária, podendo ter como causas malignidades hematológicas, doenças autoimunes sistêmicas e infecções.
Na literatura há poucos relatos de PTI associada a histoplasmose, sendo um desafio diagnóstico, principalmente em pacientes imunossuprimidos, como os receptores de transplante de órgão.
Considerações finais: Receptores de transplante renal possuem apresentações subclínicas de infecções devido a sua limitada resposta imune.
No caso relatado, a ausência de sintomas clássicos atrasou o diagnóstico etiológico durante semanas.
A ausência de resposta adequada ao tratamento da PTI motivou a investigação de causas secundárias, o que foi essencial para o diagnóstico final.

Related Results

O papel do técnico de radiologia no transplante pulmonar
O papel do técnico de radiologia no transplante pulmonar
O artigo aborda o transplante pulmonar como uma opção terapêutica para pneumopatias avançadas, destacando sua evolução desde o primeiro procedimento realizado em 1983. Em Portugal,...
Avanços nas técnicas cirúrgicas para transplante pulmonar: uma revisão sistemática
Avanços nas técnicas cirúrgicas para transplante pulmonar: uma revisão sistemática
Esta revisão sistemática analisou os avanços nas técnicas cirúrgicas para transplante pulmonar e sua eficácia em comparação com métodos convencionais. A pesquisa foi conduzida na b...
Treinamento muscular inspiratório para pacientes pré e pós-transplante de pulmão: uma revisão de escopo
Treinamento muscular inspiratório para pacientes pré e pós-transplante de pulmão: uma revisão de escopo
INTRODUÇÃO: O transplante pulmonar (TX pulmonar) é uma intervenção eficaz para pacientes com doenças pulmonares graves, sendo crucial a adoção de estratégias para melhorar a capaci...
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS Danilo Hudson Vieira de Souza1 Priscilla Bárbara Campos Daniel dos Santos Fernandes RESUMO A gravidez ...
Prevalência de Disfunção Renal Crônica no Pós-Transplante Hepático em um Serviço no Espírito Santo
Prevalência de Disfunção Renal Crônica no Pós-Transplante Hepático em um Serviço no Espírito Santo
Introdução: A prevalência de doença renal crônica em pacientes pós-transplante hepático é alta e amplamente variável, 35% a 77%, dependendo da definição e da metodologia utilizada ...
CAROLINA MARIA DE JESUS ESCREVIVÊNCIAS: ESPAÇOS FEMININOS DE LINGUAGEM, DE RESISTÊNCIAS E MEMÓRIAS.
CAROLINA MARIA DE JESUS ESCREVIVÊNCIAS: ESPAÇOS FEMININOS DE LINGUAGEM, DE RESISTÊNCIAS E MEMÓRIAS.
Essa pesquisa será baseada em analisar a experiência de Carolina Maria de Jesus, a partir da leitura de trechos do livro Quarto de Despejo- Diário de uma Favelada, e realizar a esc...
ESTUDO MORFOLÓGICO DE MIELOGRAMA: HISTOPLASMOSE SISTÊMICA
ESTUDO MORFOLÓGICO DE MIELOGRAMA: HISTOPLASMOSE SISTÊMICA
Objetivo: Relatar um caso de histoplasma no mielograma, dando ênfase na importância do treinamento dos profissionais do laboratório para o reconhecimento morfológico dessa patologi...

Back to Top