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Um ponto cego no projeto moderno de Jürgen Habermas

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Redigido em 1990, o  presente escrito é uma versão ampliada a quatro mãos de um estudo original de Otília Arantes, apresentado com o mesmo título no Simpósio Internacional “Brasil Século XXI”, em novembro de 1988, na Unicamp. As datas importam também por remeter a todo um debate transcorrido ao longo dos anos 80 sobre a flagrante incongruência da exceção aberta por Jürgen Habermas ao Movimento Moderno, no mesmo momento em que o filósofo declarava obsoleto o paradigma da produção, chancelando a tremenda reestruturação produtiva que estava mudando para pior a cara do capitalismo. Fica ainda mais incompreensível a operação de salvamento preconizada por Habermas, sabendo-se que o Movimento da Arquitetura Moderna nada mais era do que a mais abrangente e acabada personificação da Utopia Técnica do Trabalho e da civilização estético-maquinista do século XX. Ignorando os ímpetos sistêmicos de todo aqueles impulsos que tornavam funcional a utopia de fundir num só bloco o viés estético do Construtivismo às mais elementares finalidades sociais, Habermas foi multiplicando distinções categoriais ad hoc enquanto descrevia o esgotamento do Estado Social, do qual justamente a Ideologia do Plano era mais do que fachada legitimadora, na verdade coluna de sustentação de qualquer iniciativa urbanística. A tentativa de identificação das razões de tamanho disparate histórico foi sem dúvida o disparador do presente estudo acerca do envelhecimento estrutural do Movimento Moderno. O desencaixe que Habermas não viu, ou por outra, a funcionalização integral que lhe escapou e converteu em apologia cega, saltava aos olhos, era a evidência mesma, para qualquer um, armado pelo espírito crítico local, que se dispusesse a examinar as razões da involução formalista, entre outras anomalias, inerentes ao arco completo cumprido pelo Movimento Moderno, que a verdade daquele triunfo internacional foi aos poucos desnudando.   Palavras-chave: Habermas, Modernidade, Projeto Moderno, Movimento Moderno, Pós-modernismo, Ideologia, Arquitetura, Nova Construção, Urbanismo, Plano, Utopia, Trabalho, Ação Comunicativa, Linguistic Turn, Iluminismo, Razão, Teoria Crítica, Welfare, Brasil, Brasília, Adorno, Benjamin, Wellmer, Peter Bürger.
Title: Um ponto cego no projeto moderno de Jürgen Habermas
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Redigido em 1990, o  presente escrito é uma versão ampliada a quatro mãos de um estudo original de Otília Arantes, apresentado com o mesmo título no Simpósio Internacional “Brasil Século XXI”, em novembro de 1988, na Unicamp.
As datas importam também por remeter a todo um debate transcorrido ao longo dos anos 80 sobre a flagrante incongruência da exceção aberta por Jürgen Habermas ao Movimento Moderno, no mesmo momento em que o filósofo declarava obsoleto o paradigma da produção, chancelando a tremenda reestruturação produtiva que estava mudando para pior a cara do capitalismo.
Fica ainda mais incompreensível a operação de salvamento preconizada por Habermas, sabendo-se que o Movimento da Arquitetura Moderna nada mais era do que a mais abrangente e acabada personificação da Utopia Técnica do Trabalho e da civilização estético-maquinista do século XX.
Ignorando os ímpetos sistêmicos de todo aqueles impulsos que tornavam funcional a utopia de fundir num só bloco o viés estético do Construtivismo às mais elementares finalidades sociais, Habermas foi multiplicando distinções categoriais ad hoc enquanto descrevia o esgotamento do Estado Social, do qual justamente a Ideologia do Plano era mais do que fachada legitimadora, na verdade coluna de sustentação de qualquer iniciativa urbanística.
A tentativa de identificação das razões de tamanho disparate histórico foi sem dúvida o disparador do presente estudo acerca do envelhecimento estrutural do Movimento Moderno.
O desencaixe que Habermas não viu, ou por outra, a funcionalização integral que lhe escapou e converteu em apologia cega, saltava aos olhos, era a evidência mesma, para qualquer um, armado pelo espírito crítico local, que se dispusesse a examinar as razões da involução formalista, entre outras anomalias, inerentes ao arco completo cumprido pelo Movimento Moderno, que a verdade daquele triunfo internacional foi aos poucos desnudando.
  Palavras-chave: Habermas, Modernidade, Projeto Moderno, Movimento Moderno, Pós-modernismo, Ideologia, Arquitetura, Nova Construção, Urbanismo, Plano, Utopia, Trabalho, Ação Comunicativa, Linguistic Turn, Iluminismo, Razão, Teoria Crítica, Welfare, Brasil, Brasília, Adorno, Benjamin, Wellmer, Peter Bürger.

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