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Gravidez ectópica intersticial de 18 semanas evoluindo com ruptura uterina: relato de caso
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Introdução: A gestação ectópica é a principal causa de abdome agudo hemorrágico no primeiro trimestre de gravidez, sendo responsável por até 10% de todas as mortes relacionadas com a gravidez. É definida pela implantação e pelo desenvolvimento do blastocisto fora de seu sítio habitual, com cerca de 95% dos casos desenvolvidos na trompa uterina, a maioria na porção do istmo, e 2% na porção intersticial da trompa, com maior índice de mortalidade. Seu quadro clínico habitual inclui dor abdominopélvica e sangramento, com o beta hCG positivo. Relato de caso: Paciente S.C.S., 23 anos, secundípara com cesárea há 5 anos por eclâmpsia. Interna com 14 semanas e 6 dias apresentando dor abdominal há 7 dias predominando em hipocôndrio direito de moderada intensidade; nega sangramento. Ultrassonografia de admissão apresenta gestação tópica com feto vivo e pequena quantidade de líquido livre em cavidade. Após 48 horas de internação, evoluiu com piora da dor abdominal, anemia com hemoglobina (Hb) 5,3 g/dL. Submetida então à tomografia que sugeriu descontinuidade da parede uterina, podendo corresponder à ruptura uterina. Foi solicitada ultrassonografia para confirmação diagnóstica, onde toda a parede uterina visualizada ao método estava íntegra, além de feto com 16 semanas e boa vitalidade. Devido à discordância entre o laudo tomográfico e ultrassonográfico, e sendo este mais específico para avaliação gestacional, optou-se por conduta expectante sob rígida vigilância. No 5º dia de internação, melhor compensada (Hb 8,9 g/dL), manteve queixa de dor pélvica leve de resposta completa a tratamento oral sob demanda, com sinais vitais estáveis e laboratório com parâmetros em ascensão. No 28º dia após a 1ª descompensação, houve novo quadro de dor abdominal aguda e Hb 6,8 g/dL. Realizada culdocentese confirmando diagnóstico de abdome agudo hemorrágico e indicada laparotomia exploradora. Inventário da cavidade: Ruptura uterina cornual com extensão para fundo uterino, exteriorizando bolsa amniótica e feto para cavidade abdominal, omento aderido à superfície uterina rompida e diretamente à placenta. Pós-operatório sem alterações, paciente estável e alta hospitalar no quinto dia após cirurgia. Revisão cirúrgica no 14º dia com paciente assintomática. Conclusão: Apesar de a gestação ectópica intersticial tratar-se de uma condição aguda e de alta mortalidade, no caso em questão, a divergência imaginológica e a melhora clínica apresentada por quase um mês atrasaram o diagnóstico e desfecho cirúrgico. Acredita-se que as aderências do omento ao útero e à placenta tornaram-se um tamponamento biológico eficaz. Ademais, o acompanhamento longitudinal de um caso incomum como este, com bom desfecho materno, nos possibilita melhorar a compreensão e resolução dessa importante causa de abdome agudo hemorrágico de origem obstétrica.
Zeppelini Editorial e Comunicação
Title: Gravidez ectópica intersticial de 18 semanas evoluindo com ruptura uterina: relato de caso
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Introdução: A gestação ectópica é a principal causa de abdome agudo hemorrágico no primeiro trimestre de gravidez, sendo responsável por até 10% de todas as mortes relacionadas com a gravidez.
É definida pela implantação e pelo desenvolvimento do blastocisto fora de seu sítio habitual, com cerca de 95% dos casos desenvolvidos na trompa uterina, a maioria na porção do istmo, e 2% na porção intersticial da trompa, com maior índice de mortalidade.
Seu quadro clínico habitual inclui dor abdominopélvica e sangramento, com o beta hCG positivo.
Relato de caso: Paciente S.
C.
S.
, 23 anos, secundípara com cesárea há 5 anos por eclâmpsia.
Interna com 14 semanas e 6 dias apresentando dor abdominal há 7 dias predominando em hipocôndrio direito de moderada intensidade; nega sangramento.
Ultrassonografia de admissão apresenta gestação tópica com feto vivo e pequena quantidade de líquido livre em cavidade.
Após 48 horas de internação, evoluiu com piora da dor abdominal, anemia com hemoglobina (Hb) 5,3 g/dL.
Submetida então à tomografia que sugeriu descontinuidade da parede uterina, podendo corresponder à ruptura uterina.
Foi solicitada ultrassonografia para confirmação diagnóstica, onde toda a parede uterina visualizada ao método estava íntegra, além de feto com 16 semanas e boa vitalidade.
Devido à discordância entre o laudo tomográfico e ultrassonográfico, e sendo este mais específico para avaliação gestacional, optou-se por conduta expectante sob rígida vigilância.
No 5º dia de internação, melhor compensada (Hb 8,9 g/dL), manteve queixa de dor pélvica leve de resposta completa a tratamento oral sob demanda, com sinais vitais estáveis e laboratório com parâmetros em ascensão.
No 28º dia após a 1ª descompensação, houve novo quadro de dor abdominal aguda e Hb 6,8 g/dL.
Realizada culdocentese confirmando diagnóstico de abdome agudo hemorrágico e indicada laparotomia exploradora.
Inventário da cavidade: Ruptura uterina cornual com extensão para fundo uterino, exteriorizando bolsa amniótica e feto para cavidade abdominal, omento aderido à superfície uterina rompida e diretamente à placenta.
Pós-operatório sem alterações, paciente estável e alta hospitalar no quinto dia após cirurgia.
Revisão cirúrgica no 14º dia com paciente assintomática.
Conclusão: Apesar de a gestação ectópica intersticial tratar-se de uma condição aguda e de alta mortalidade, no caso em questão, a divergência imaginológica e a melhora clínica apresentada por quase um mês atrasaram o diagnóstico e desfecho cirúrgico.
Acredita-se que as aderências do omento ao útero e à placenta tornaram-se um tamponamento biológico eficaz.
Ademais, o acompanhamento longitudinal de um caso incomum como este, com bom desfecho materno, nos possibilita melhorar a compreensão e resolução dessa importante causa de abdome agudo hemorrágico de origem obstétrica.
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