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Gravidez heterotópica: um relato de caso
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Introdução: A gravidez heterotópica é a coexistência entre uma gravidez intrauterina e outra extrauterina. Quando ocorre de forma espontânea, é rara (1:30.000) e geralmente está associada a técnicas de reprodução assistida (1:100-500). Fatores de risco comuns são doença inflamatória pélvica, uso de dispositivo intrauterino e gravidez ectópica prévia. Relato de caso: Mulher, 27 anos, GV PII AII, foi admitida com queixa de dor abdominal difusa, sinais de irritação peritoneal e dor referida no ombro. Trazia ultrassonografia transvaginal (USGTV) que mostrava gestação tópica em idade gestacional compatível com seis semanas e seis dias e imagem ovalar heterogênea em região anexial esquerda medindo 2,8x2,4 cm, com fluxo sanguíneo periférico ao doppler, correlacionada à ressonância magnética, que confirmou a presença e sugeriu diagnóstico de gravidez heterotópica. Por apresentar instabilidade hemodinâmica, foi encaminhada à laparotomia exploradora, que evidenciou prenhez ectópica rota, e foi realizada salpingectomia esquerda. A paciente foi encaminhada à terapia intensiva para estabilização e acompanhamento pós-operatório, com necessidade de noradrenalina endovenosa em infusão contínua para controle hemodinâmico, quando, sem sucesso, foi prescrita transfusão de concentrado de hemácias. Após 24 horas, a paciente apresentava bom estado geral, estava orientada, hidratada, hipocorada +/4+, acianótica, anictérica, com pressão arterial de 35x74 mmHg, frequência cardíaca de 89 bpm e saturação de oxigênio >95%. Ferida operatória por incisão de Pfannenstiel em bom estado. Encontrava-se em uso de cefazolina, cetoprofeno e em desmame de noradrenalina. Dois dias após o procedimento, manteve estabilidade clínica com alta de terapia intensiva e programação de nova USG. Iniciou Progesterona, mantendo analgesia e antibioticoterapia. À USGTV, visualizou-se saco gestacional tópico, útero gravídico com embrião viável em IG compatível com sete semanas e seis dias e pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco. O exame anatomopatológico do material cirúrgico mostrou tuba uterina de 4,5x3,0 cm com paredes espessadas preenchidas por conteúdo hemorrágico, e concluiu-se tratar de prenhez ectópica rota com congestão vascular da serosa. Conclusão: O quadro exposto geralmente tem diagnóstico tardio e prognóstico reservado, de acordo com a sintomatologia exuberante na gestante. Com a resolução da gestação ectópica, se o feto ainda for viável, o seguimento com progesterona até o fim do período gravídico é uma conduta aceitável. A gravidez heterotópica espontânea é um evento obstétrico raro, com incidência crescente nos últimos anos em consequência de técnicas de reprodução assistida. O manejo depende do momento em que é feito o diagnóstico, da presença de complicações e da viabilidade fetal. O diagnóstico precoce é extremamente importante para uma intervenção eficaz na gravidez ectópica e envolve a intenção de preservar a gestação intrauterina sem gerar riscos maiores à gestante.
Title: Gravidez heterotópica: um relato de caso
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Introdução: A gravidez heterotópica é a coexistência entre uma gravidez intrauterina e outra extrauterina.
Quando ocorre de forma espontânea, é rara (1:30.
000) e geralmente está associada a técnicas de reprodução assistida (1:100-500).
Fatores de risco comuns são doença inflamatória pélvica, uso de dispositivo intrauterino e gravidez ectópica prévia.
Relato de caso: Mulher, 27 anos, GV PII AII, foi admitida com queixa de dor abdominal difusa, sinais de irritação peritoneal e dor referida no ombro.
Trazia ultrassonografia transvaginal (USGTV) que mostrava gestação tópica em idade gestacional compatível com seis semanas e seis dias e imagem ovalar heterogênea em região anexial esquerda medindo 2,8x2,4 cm, com fluxo sanguíneo periférico ao doppler, correlacionada à ressonância magnética, que confirmou a presença e sugeriu diagnóstico de gravidez heterotópica.
Por apresentar instabilidade hemodinâmica, foi encaminhada à laparotomia exploradora, que evidenciou prenhez ectópica rota, e foi realizada salpingectomia esquerda.
A paciente foi encaminhada à terapia intensiva para estabilização e acompanhamento pós-operatório, com necessidade de noradrenalina endovenosa em infusão contínua para controle hemodinâmico, quando, sem sucesso, foi prescrita transfusão de concentrado de hemácias.
Após 24 horas, a paciente apresentava bom estado geral, estava orientada, hidratada, hipocorada +/4+, acianótica, anictérica, com pressão arterial de 35x74 mmHg, frequência cardíaca de 89 bpm e saturação de oxigênio >95%.
Ferida operatória por incisão de Pfannenstiel em bom estado.
Encontrava-se em uso de cefazolina, cetoprofeno e em desmame de noradrenalina.
Dois dias após o procedimento, manteve estabilidade clínica com alta de terapia intensiva e programação de nova USG.
Iniciou Progesterona, mantendo analgesia e antibioticoterapia.
À USGTV, visualizou-se saco gestacional tópico, útero gravídico com embrião viável em IG compatível com sete semanas e seis dias e pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco.
O exame anatomopatológico do material cirúrgico mostrou tuba uterina de 4,5x3,0 cm com paredes espessadas preenchidas por conteúdo hemorrágico, e concluiu-se tratar de prenhez ectópica rota com congestão vascular da serosa.
Conclusão: O quadro exposto geralmente tem diagnóstico tardio e prognóstico reservado, de acordo com a sintomatologia exuberante na gestante.
Com a resolução da gestação ectópica, se o feto ainda for viável, o seguimento com progesterona até o fim do período gravídico é uma conduta aceitável.
A gravidez heterotópica espontânea é um evento obstétrico raro, com incidência crescente nos últimos anos em consequência de técnicas de reprodução assistida.
O manejo depende do momento em que é feito o diagnóstico, da presença de complicações e da viabilidade fetal.
O diagnóstico precoce é extremamente importante para uma intervenção eficaz na gravidez ectópica e envolve a intenção de preservar a gestação intrauterina sem gerar riscos maiores à gestante.
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