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Demência e neurossífilis: tema velho, mas atual e necessário. Uma revisão sistemática

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Introdução: A neurossífilis, complicação da sífilis tardia não tratada, afeta o sistema nervoso central e pode causar diversas manifestações neurológicas, como demência. Embora rara em relação ao número total de casos de sífilis, a demência por neurossífilis é clinicamente relevante, especialmente em indivíduos vivendo com HIV. É importante revisar periodicamente a literatura sobre neurossífilis e declínio cognitivo, ressaltando a relevância do diagnóstico e tratamento precoces e adequados, visto que o tratamento com penicilina — em sua forma, dose e duração — difere das demais apresentações da sífilis. Historicamente, muitas pessoas foram internadas em hospitais-colônias (“manicômios”) por problemas mentais, mas padeciam, na realidade, de infecções cerebrais por Treponema pallidum. Objetivo: Analisar a literatura científica dos últimos 10 anos sobre as manifestações cognitivas e neurossífilis, opções terapêuticas e resposta clínica dos pacientes. Métodos: Revisão sistemática realizada nas bases PubMed, SciELO e BVS/LILACS, (2014–2025). Descritores utilizados: neurosyphilis, and dementia, or cognitive decline in syphilis, neurosyphilis and dementia OR syphilitic dementia, aplicando-se os operadores booleanos OR e AND. Resultados: Fora identificados 369 artigos, dos quais apenas oito atenderam aos critérios estabelecidos: oito na PubMed, um na SciELO e um na BVS/LILACS. O artigo “Mechanisms of Neurosyphilis-Induced Dementia: Insights into Pathophysiology” explica que a infecção persistente por Treponema pallidum provoca inflamação crônica, dano neuronal e gliose, levando ao comprometimento cognitivo progressivo. O estudo de caso “Donepezil Improved Cognitive Deficits in a Patient With Neurosyphilis” descreve melhora cognitiva com o uso de donepezil em paciente tratado com penicilina, sugerindo benefício adicional no controle sintomático. No artigo “Neurosyphilis presenting with cognitive deficits – a report of two cases”, dois pacientes HIV-negativos com demência rapidamente progressiva apresentaram recuperação parcial após diagnóstico e tratamento precoce, destacando a relevância da suspeita clínica. Em “Demência por neurossífilis: evolução clínica e neuropsicológica de um paciente”, é documentada a deterioração cognitiva em fases iniciais e estabilização parcial após tratamento com penicilina. O artigo “The importance of including neurosyphilis in the differential diagnosis of patients with cognitive decline and behavior disturbances” enfatiza que os sintomas neuropsiquiátricos da neurossífilis podem mimetizar Alzheimer, esquizofrenia e outras demências, sendo crucial seu reconhecimento clínico. Conclusão: O número de publicações sobre o tema permanece pequeno. A neurossífilis contina sendo uma causa tratável e subdiagnosticada de demência. As publicações reforçam que a detecção precoce, por meio de exames clínico-laboratoriais, e o tratamento com penicilina cristalina são decisivos para impedir a progressão do déficit cognitivo. A inclusão da neurossífilis nos diagnósticos diferenciais de demência e alterações cognitivas é essencial para evitar erros diagnósticos. São necessárias mais pequisas para elucidar os mecanismos da neurodegeneração e ampliar as opções terapêuticas.
Title: Demência e neurossífilis: tema velho, mas atual e necessário. Uma revisão sistemática
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Introdução: A neurossífilis, complicação da sífilis tardia não tratada, afeta o sistema nervoso central e pode causar diversas manifestações neurológicas, como demência.
Embora rara em relação ao número total de casos de sífilis, a demência por neurossífilis é clinicamente relevante, especialmente em indivíduos vivendo com HIV.
É importante revisar periodicamente a literatura sobre neurossífilis e declínio cognitivo, ressaltando a relevância do diagnóstico e tratamento precoces e adequados, visto que o tratamento com penicilina — em sua forma, dose e duração — difere das demais apresentações da sífilis.
Historicamente, muitas pessoas foram internadas em hospitais-colônias (“manicômios”) por problemas mentais, mas padeciam, na realidade, de infecções cerebrais por Treponema pallidum.
Objetivo: Analisar a literatura científica dos últimos 10 anos sobre as manifestações cognitivas e neurossífilis, opções terapêuticas e resposta clínica dos pacientes.
Métodos: Revisão sistemática realizada nas bases PubMed, SciELO e BVS/LILACS, (2014–2025).
Descritores utilizados: neurosyphilis, and dementia, or cognitive decline in syphilis, neurosyphilis and dementia OR syphilitic dementia, aplicando-se os operadores booleanos OR e AND.
Resultados: Fora identificados 369 artigos, dos quais apenas oito atenderam aos critérios estabelecidos: oito na PubMed, um na SciELO e um na BVS/LILACS.
O artigo “Mechanisms of Neurosyphilis-Induced Dementia: Insights into Pathophysiology” explica que a infecção persistente por Treponema pallidum provoca inflamação crônica, dano neuronal e gliose, levando ao comprometimento cognitivo progressivo.
O estudo de caso “Donepezil Improved Cognitive Deficits in a Patient With Neurosyphilis” descreve melhora cognitiva com o uso de donepezil em paciente tratado com penicilina, sugerindo benefício adicional no controle sintomático.
No artigo “Neurosyphilis presenting with cognitive deficits – a report of two cases”, dois pacientes HIV-negativos com demência rapidamente progressiva apresentaram recuperação parcial após diagnóstico e tratamento precoce, destacando a relevância da suspeita clínica.
Em “Demência por neurossífilis: evolução clínica e neuropsicológica de um paciente”, é documentada a deterioração cognitiva em fases iniciais e estabilização parcial após tratamento com penicilina.
O artigo “The importance of including neurosyphilis in the differential diagnosis of patients with cognitive decline and behavior disturbances” enfatiza que os sintomas neuropsiquiátricos da neurossífilis podem mimetizar Alzheimer, esquizofrenia e outras demências, sendo crucial seu reconhecimento clínico.
Conclusão: O número de publicações sobre o tema permanece pequeno.
A neurossífilis contina sendo uma causa tratável e subdiagnosticada de demência.
As publicações reforçam que a detecção precoce, por meio de exames clínico-laboratoriais, e o tratamento com penicilina cristalina são decisivos para impedir a progressão do déficit cognitivo.
A inclusão da neurossífilis nos diagnósticos diferenciais de demência e alterações cognitivas é essencial para evitar erros diagnósticos.
São necessárias mais pequisas para elucidar os mecanismos da neurodegeneração e ampliar as opções terapêuticas.

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