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Educação em informação e ciência aberta na era das IAs

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Este trabalho é um relato de pesquisa em andamento sobre os impactos e implicações das inteligências artificiais generativas (IAs generativas) na educação em informação. Com viés ligado à competência crítica em informação e à pedagogia crítica, a pesquisa busca propôr elementos que devem estar presentes numa educação atenta a relações de poder em cenários informacionais atuais. Este aspecto aplicado, propositivo, é almejado após uma exploração bibliográfica e documental que, atualmente, não pode deixar de olhar para si mesma. Deve olhar para si mesma não só por ser realizada no âmbito de uma ciência social aplicada que tem entre seus objetos primeiros a própria informação científica (Araújo, 2014), mas também por ser realizada numa época em que noções como autoria, diálogo e a relevância da leitura e da escrita são tensionados por novidades tecnológicas (Riparbelli, 2024). Tal discussão parece especialmente relevante por colocar em contato objetos da pesquisa relatada (educação em informação, IAs) e o tema do evento que receberá o relato. Esta edição do Feisc foca na ciência aberta como um motor para inclusão e justiça, buscando que o conhecimento seja um bem comum (Sobre o Feisc 7, 2025). Esse bem comum, comunitário, público, disponível com o qual a academia pode (deve) trabalhar é uma construção a partir de diálogos entre fazedores de pesquisa. Nas palavras de Albagli (2015, p. 19), “(e)ste seria o grande desafio ético da ciência aberta, que é o do diálogo com o outro, o estabelecimento de pontes e de mútuas fertilizações na diversidade de saberes”. Um diálogo que acumula conhecimentos, nos permitindo ver mais longe quando “sobre os ombros de gigantes”, numa continuidade de ideais da “República das Letras”: colaboração, transcendência de fronteiras nacionais, religiosas e temporais (Burke, 2003). Esta comunicação objetiva trazer para debate o incipiente desenvolvimento de investigação sobre uma educação em informação que se possa imaginar para a era das inteligências artificiais. Quando automatismos conquistam territórios até pouco tempo entendidos como exclusivos da ação humana, como as dinâmicas de poder do atual regime de informação (Bezerra, 2024) podem ser entendidas e trabalhadas em uma educação para informação libertadora, que dialogue com a competência crítica em informação? Uma relação crítica e humanista com tecnologias, que resista a adoções irrefletidas de novidades, pode ser um caminho. Mas, para isso, características e consequências negativas da “difusão deste modelo [de plataformas digitais] sem restrições comerciais ou legais” não podem ser aceitos como uma inevitabilidade histórico-tecnológica, como pode acontecer mesmo em estudantes de áreas como Informação e Comunicação (Dedavid, 2023, p. 128). Pelo contrário, áreas como a Ciência da Informação devem lidar com essas questões como mapeadoras do que há e do que pode haver. Intersecções entre CI e Educação são relevantes em diversos aspectos, como indica a revisão de literatura sobre ética digital, com recorte entre 2009 e 2023, de Rockemback e Geerts (2024). Os autores notam que a preocupação principal se deslocou, nesses 15 anos, da privacidade dos dados pessoais para a IA. Eles destacam que “a relação da educação e literacia digital com a ética digital” parece ser atemporal, pois cobre “todo o período”, além de ser o enfoque específico mais presente na literatura estudada (Rockemback; Geerts, 2024, p. 82). Um aporte nesse mapeamento de uma relação crítica e humanista com tecnologias é feito pela educação em informação, entendida como “conjunto de ações multidimensionais voltadas à apropriação da informação e à emancipação do sujeito” (Borges; Brandão; Barros, 2022, p. 249). O diálogo com esses e outros gigantes nos estimula na busca por conhecimento como (e para o) bem comum. Este relato objetiva compartilhar com a comunidade o estado atual da pesquisa de doutorado em Ciência da Informação em andamento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde o segundo semestre de 2025.
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Title: Educação em informação e ciência aberta na era das IAs
Description:
Este trabalho é um relato de pesquisa em andamento sobre os impactos e implicações das inteligências artificiais generativas (IAs generativas) na educação em informação.
Com viés ligado à competência crítica em informação e à pedagogia crítica, a pesquisa busca propôr elementos que devem estar presentes numa educação atenta a relações de poder em cenários informacionais atuais.
Este aspecto aplicado, propositivo, é almejado após uma exploração bibliográfica e documental que, atualmente, não pode deixar de olhar para si mesma.
Deve olhar para si mesma não só por ser realizada no âmbito de uma ciência social aplicada que tem entre seus objetos primeiros a própria informação científica (Araújo, 2014), mas também por ser realizada numa época em que noções como autoria, diálogo e a relevância da leitura e da escrita são tensionados por novidades tecnológicas (Riparbelli, 2024).
Tal discussão parece especialmente relevante por colocar em contato objetos da pesquisa relatada (educação em informação, IAs) e o tema do evento que receberá o relato.
Esta edição do Feisc foca na ciência aberta como um motor para inclusão e justiça, buscando que o conhecimento seja um bem comum (Sobre o Feisc 7, 2025).
Esse bem comum, comunitário, público, disponível com o qual a academia pode (deve) trabalhar é uma construção a partir de diálogos entre fazedores de pesquisa.
Nas palavras de Albagli (2015, p.
19), “(e)ste seria o grande desafio ético da ciência aberta, que é o do diálogo com o outro, o estabelecimento de pontes e de mútuas fertilizações na diversidade de saberes”.
Um diálogo que acumula conhecimentos, nos permitindo ver mais longe quando “sobre os ombros de gigantes”, numa continuidade de ideais da “República das Letras”: colaboração, transcendência de fronteiras nacionais, religiosas e temporais (Burke, 2003).
Esta comunicação objetiva trazer para debate o incipiente desenvolvimento de investigação sobre uma educação em informação que se possa imaginar para a era das inteligências artificiais.
Quando automatismos conquistam territórios até pouco tempo entendidos como exclusivos da ação humana, como as dinâmicas de poder do atual regime de informação (Bezerra, 2024) podem ser entendidas e trabalhadas em uma educação para informação libertadora, que dialogue com a competência crítica em informação? Uma relação crítica e humanista com tecnologias, que resista a adoções irrefletidas de novidades, pode ser um caminho.
Mas, para isso, características e consequências negativas da “difusão deste modelo [de plataformas digitais] sem restrições comerciais ou legais” não podem ser aceitos como uma inevitabilidade histórico-tecnológica, como pode acontecer mesmo em estudantes de áreas como Informação e Comunicação (Dedavid, 2023, p.
128).
Pelo contrário, áreas como a Ciência da Informação devem lidar com essas questões como mapeadoras do que há e do que pode haver.
Intersecções entre CI e Educação são relevantes em diversos aspectos, como indica a revisão de literatura sobre ética digital, com recorte entre 2009 e 2023, de Rockemback e Geerts (2024).
Os autores notam que a preocupação principal se deslocou, nesses 15 anos, da privacidade dos dados pessoais para a IA.
Eles destacam que “a relação da educação e literacia digital com a ética digital” parece ser atemporal, pois cobre “todo o período”, além de ser o enfoque específico mais presente na literatura estudada (Rockemback; Geerts, 2024, p.
82).
Um aporte nesse mapeamento de uma relação crítica e humanista com tecnologias é feito pela educação em informação, entendida como “conjunto de ações multidimensionais voltadas à apropriação da informação e à emancipação do sujeito” (Borges; Brandão; Barros, 2022, p.
249).
O diálogo com esses e outros gigantes nos estimula na busca por conhecimento como (e para o) bem comum.
Este relato objetiva compartilhar com a comunidade o estado atual da pesquisa de doutorado em Ciência da Informação em andamento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde o segundo semestre de 2025.

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