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Lesões orais induzidas pelo papilomavírus humano e a dificuldade de abordagem pela odontologia, e a repercussão na ginecologia: relato de caso

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Introdução: O papilomavírus humano (HPV) é um dos principais agentes infecciosos sexualmente transmissíveis, tradicionalmente associado a lesões cervicais, vaginais e seu entorno. No entanto, sua presença na cavidade orofaríngea tem se tornado cada vez mais frequente, com implicações clínicas relevantes, inclusive em pacientes acima dos 65 anos de idade. Esse fenômeno ainda não é completamente compreendido, sendo possivelmente relacionado à senescência e à redução da resposta imunológica. Uma realidade cada vez mais frequente em consultórios ginecológicos são pacientes com lesões orais solicitando ajuda, por não conseguirem atenção ou abordagem adequada pela odontologia, seja no diagnóstico, com a realização de reação em cadeia da polimerase para detecção do HPV, ou por biópsia da lesão oral, a fim de determinar o tratamento adequado. Por meio do relato deste caso clínico, pretende-se chamar a atenção para a necessidade de melhor abordagem das lesões orais com suspeita de HPV e seu tratamento, tema ainda não totalmente inserido na odontologia, mas que repercute na clínica ginecológica. Relato do caso: N.F., 72 anos, diabética e hipertensa, procurou vários consultórios de odontologia em razão da presença de lesão esbranquiçada e rugosa na região sublingual. Ouviu de todos os odontologistas que não seria possível biopsiar ou remover a lesão e que deveria procurar um cirurgião bucomaxilofacial ou de cabeça e pescoço. Ao procurar esses especialistas, ouviu que o procedimento a ser realizado não teria porte suficiente para justificar a abordagem da cirurgia de cabeça e pescoço ou da bucomaxilofacial. Foi então, emocionalmente abalada, ao seu ginecologista pedir ajuda, uma vez que, após busca na internet, passou a suspeitar de lesão por HPV. Ao exame físico, observou-se lesão com características compatíveis de papiloma. Com o intuito de ajudar e por se tratar de uma lesão de fácil abordagem, foi realizada, no consultório de ginecologia — onde rotineiramente se realizam biópsias de colo uterino e vagina —, a exérese completa da lesão, sob anestesia local com 0,5 ml de lidocaína a 1%, seguida de ponto hemostático com mononylon 5.0. O material foi encaminhado para exame anatomopatológico e imuno-histoquímico, obtendo-se resultado compatível com lesão papilomatosa induzida pelos tipos 16 e 18 do HPV. A paciente foi, então, encaminhada para acompanhamento odontológico posterior. Comentários: Mostra-se oportuno o treinamento do cirurgião-dentista para o diagnóstico e tratamento dessas lesões de menor complexidade. Existe clara necessidade de expansão do estudo das doenças induzidas pelo HPV nas diversas especialidades médicas, bem como em outras áreas da saúde, como a odontologia. As lesões orais por HPV têm aumentado em frequência, assim como as vaginais, vulvares, cervicais e anais. É preciso ressaltar que as lesões da orofaringe induzidas pelo HPV podem evoluir para carcinoma epidermoide bucal, e que apenas o diagnóstico e o tratamento precoces melhoram o prognóstico. O HPV não deve ser apenas uma preocupação ou uma condição abordada exclusivamente pelo ginecologista.
Title: Lesões orais induzidas pelo papilomavírus humano e a dificuldade de abordagem pela odontologia, e a repercussão na ginecologia: relato de caso
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Introdução: O papilomavírus humano (HPV) é um dos principais agentes infecciosos sexualmente transmissíveis, tradicionalmente associado a lesões cervicais, vaginais e seu entorno.
No entanto, sua presença na cavidade orofaríngea tem se tornado cada vez mais frequente, com implicações clínicas relevantes, inclusive em pacientes acima dos 65 anos de idade.
Esse fenômeno ainda não é completamente compreendido, sendo possivelmente relacionado à senescência e à redução da resposta imunológica.
Uma realidade cada vez mais frequente em consultórios ginecológicos são pacientes com lesões orais solicitando ajuda, por não conseguirem atenção ou abordagem adequada pela odontologia, seja no diagnóstico, com a realização de reação em cadeia da polimerase para detecção do HPV, ou por biópsia da lesão oral, a fim de determinar o tratamento adequado.
Por meio do relato deste caso clínico, pretende-se chamar a atenção para a necessidade de melhor abordagem das lesões orais com suspeita de HPV e seu tratamento, tema ainda não totalmente inserido na odontologia, mas que repercute na clínica ginecológica.
Relato do caso: N.
F.
, 72 anos, diabética e hipertensa, procurou vários consultórios de odontologia em razão da presença de lesão esbranquiçada e rugosa na região sublingual.
Ouviu de todos os odontologistas que não seria possível biopsiar ou remover a lesão e que deveria procurar um cirurgião bucomaxilofacial ou de cabeça e pescoço.
Ao procurar esses especialistas, ouviu que o procedimento a ser realizado não teria porte suficiente para justificar a abordagem da cirurgia de cabeça e pescoço ou da bucomaxilofacial.
Foi então, emocionalmente abalada, ao seu ginecologista pedir ajuda, uma vez que, após busca na internet, passou a suspeitar de lesão por HPV.
Ao exame físico, observou-se lesão com características compatíveis de papiloma.
Com o intuito de ajudar e por se tratar de uma lesão de fácil abordagem, foi realizada, no consultório de ginecologia — onde rotineiramente se realizam biópsias de colo uterino e vagina —, a exérese completa da lesão, sob anestesia local com 0,5 ml de lidocaína a 1%, seguida de ponto hemostático com mononylon 5.
O material foi encaminhado para exame anatomopatológico e imuno-histoquímico, obtendo-se resultado compatível com lesão papilomatosa induzida pelos tipos 16 e 18 do HPV.
A paciente foi, então, encaminhada para acompanhamento odontológico posterior.
Comentários: Mostra-se oportuno o treinamento do cirurgião-dentista para o diagnóstico e tratamento dessas lesões de menor complexidade.
Existe clara necessidade de expansão do estudo das doenças induzidas pelo HPV nas diversas especialidades médicas, bem como em outras áreas da saúde, como a odontologia.
As lesões orais por HPV têm aumentado em frequência, assim como as vaginais, vulvares, cervicais e anais.
É preciso ressaltar que as lesões da orofaringe induzidas pelo HPV podem evoluir para carcinoma epidermoide bucal, e que apenas o diagnóstico e o tratamento precoces melhoram o prognóstico.
O HPV não deve ser apenas uma preocupação ou uma condição abordada exclusivamente pelo ginecologista.

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