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O PARADOXO CARTESIANO ENTRE ENTENDIMENTO E VONTADE
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Este ensaio adota uma abordagem analítico-filosófica para investigar o suposto paradoxo cartesiano entre liberdade ilimitada da vontade e os limites finitos do entendimento. Uma análise textual rigorosa das Meditações Metafísicas (2005), em particular a Quarta e dos Princípios de Filosofia (1997), articuladas com as correspondências de René Descartes ao Padre Claude Mesland de 1644 e 1645 e interpretações clássicas e contemporâneas, incluindo as de Lívio Teixeira (1990), Ferdinand Alquié (1969) e Michelle Beyssade (1991), revela que não há contradição. O paradoxo se desfaz ao se entender os diferentes graus de liberdade na filosofia cartesiana. Nesse sentido, a liberdade manifesta-se de quatro maneiras: indiferença negativa (ligada à ignorância), liberdade esclarecida (adesão racional à evidência), indiferença positiva (autodeterminação mesmo com ideias claras) e suspensão do juízo (prudência diante da incerteza). A conclusão mostra que, para Descartes, a vontade, embora una, manifesta-se em graus – e, quando ultrapassa ou segue os limites do entendimento, dá origem ao erro ou a verdade. Tal tensão, longe de ser uma contradição, ajuda a explicar como o ser humano pode ser livre e, ao mesmo tempo, responsável por suas escolhas.
Palavras-chave: Descartes; vontade; liberdade; entendimento; erro.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Title: O PARADOXO CARTESIANO ENTRE ENTENDIMENTO E VONTADE
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Este ensaio adota uma abordagem analítico-filosófica para investigar o suposto paradoxo cartesiano entre liberdade ilimitada da vontade e os limites finitos do entendimento.
Uma análise textual rigorosa das Meditações Metafísicas (2005), em particular a Quarta e dos Princípios de Filosofia (1997), articuladas com as correspondências de René Descartes ao Padre Claude Mesland de 1644 e 1645 e interpretações clássicas e contemporâneas, incluindo as de Lívio Teixeira (1990), Ferdinand Alquié (1969) e Michelle Beyssade (1991), revela que não há contradição.
O paradoxo se desfaz ao se entender os diferentes graus de liberdade na filosofia cartesiana.
Nesse sentido, a liberdade manifesta-se de quatro maneiras: indiferença negativa (ligada à ignorância), liberdade esclarecida (adesão racional à evidência), indiferença positiva (autodeterminação mesmo com ideias claras) e suspensão do juízo (prudência diante da incerteza).
A conclusão mostra que, para Descartes, a vontade, embora una, manifesta-se em graus – e, quando ultrapassa ou segue os limites do entendimento, dá origem ao erro ou a verdade.
Tal tensão, longe de ser uma contradição, ajuda a explicar como o ser humano pode ser livre e, ao mesmo tempo, responsável por suas escolhas.
Palavras-chave: Descartes; vontade; liberdade; entendimento; erro.
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