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A qualidade de vida em pacientes transplantados renais no Brasil: estudo multicêntrico ADERE Brasil
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A carga global da doença renal crônica a torna um problema de saúde pública, pois, entre outros efeitos deletérios, reduz a qualidade de vida (QV). Existem vários conceitos de QV, porém parece haver consenso quanto à multidimensionalidade e subjetividade do constructo. Mensurar a QV é uma maneira de avaliar os resultados das intervenções de saúde, sendo esta, a medida de resultados relatado pelo paciente mais utilizada após o transplante renal (TxR). Existem diversos instrumentos disponíveis para uso tanto em pesquisas quanto na prática assistencial. Embora a QV melhore após o TxR, dados brasileiros são escassos. Os objetivos deste estudo foram descrever o perfil de QV dos pacientes transplantados renais brasileiros e avaliar as dimensões de QV definidas pelo instrumento WHOQOL-BREF de acordo com as variáveis demográficas idade, sexo e local de residência. É um estudo observacional, transversal e multicêntrico, que usou dados secundários do estudo principal ADERE Brasil. Este incluiu, por conveniência, 20 centros transplantadores, utilizando amostragem de múltiplos estágios, considerando a localização geográfica e atividade transplantadora, que realizaram pelo menos 10 TxR/ano nos três anos anteriores ao estudo. O tamanho da amostra de cada centro foi proporcional ao número de pacientes em acompanhamento. A seleção dos pacientes foi randomizada entre os que compareciam à consulta. Os dados foram coletados de dez/2015 a jun/2017, no programa RedCap. Variáveis socioeconômicas e clínicas foram analisadas para caracterização da amostra. O WHOQOL-BREF foi usado para avaliar QV geral e nos quatro domínios: físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais. Os dados foram comparados por equações de estimativa generalizadas (GEE). Foram incluídos 1.105 pacientes, predominantemente do gênero masculino (58,5%), brancos (51,4%), com idade média de 47,6±12,6 anos. O escore de QV geral foi 81±15,1, e, para os domínios, foram: 58,6±11,6 para físico, 65,5±11,4 para psicológico, 68,3±17,1 para relações sociais e 64,2±13,3 ambiental. Os homens possuem maiores escores de QV nos domínios psicológico (OR 2,62, IC: 1,29 ̶3,95, p60 anos, respectivamente). Em relação ao acesso às regiões, indivíduos residentes na região Sul/Sudeste (R2) relataram maiores escores apenas no Domínio Meio Ambiente (OR 3.53, IC: 0.28 ̶6.78, p=0.033) e, de forma limítrofe, no Domínio Físico (OR 2.29, IC: -0.07 ̶4.66, p=0.057). Nesta grande amostra de pacientes submetidos ao TxR, observamos que o domínio mais afetado é o físico, e os melhores escores estão no domínio relações sociais. Os subgrupos de menor QV foram as mulheres e os com idade >45 anos. A partir deste perfil de QV podemos identificar quais os aspectos do TxR de maior benefício percebidos pelo paciente e quais subgrupos devem ser alvo de intervenções.
Title: A qualidade de vida em pacientes transplantados renais no Brasil: estudo multicêntrico ADERE Brasil
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A carga global da doença renal crônica a torna um problema de saúde pública, pois, entre outros efeitos deletérios, reduz a qualidade de vida (QV).
Existem vários conceitos de QV, porém parece haver consenso quanto à multidimensionalidade e subjetividade do constructo.
Mensurar a QV é uma maneira de avaliar os resultados das intervenções de saúde, sendo esta, a medida de resultados relatado pelo paciente mais utilizada após o transplante renal (TxR).
Existem diversos instrumentos disponíveis para uso tanto em pesquisas quanto na prática assistencial.
Embora a QV melhore após o TxR, dados brasileiros são escassos.
Os objetivos deste estudo foram descrever o perfil de QV dos pacientes transplantados renais brasileiros e avaliar as dimensões de QV definidas pelo instrumento WHOQOL-BREF de acordo com as variáveis demográficas idade, sexo e local de residência.
É um estudo observacional, transversal e multicêntrico, que usou dados secundários do estudo principal ADERE Brasil.
Este incluiu, por conveniência, 20 centros transplantadores, utilizando amostragem de múltiplos estágios, considerando a localização geográfica e atividade transplantadora, que realizaram pelo menos 10 TxR/ano nos três anos anteriores ao estudo.
O tamanho da amostra de cada centro foi proporcional ao número de pacientes em acompanhamento.
A seleção dos pacientes foi randomizada entre os que compareciam à consulta.
Os dados foram coletados de dez/2015 a jun/2017, no programa RedCap.
Variáveis socioeconômicas e clínicas foram analisadas para caracterização da amostra.
O WHOQOL-BREF foi usado para avaliar QV geral e nos quatro domínios: físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais.
Os dados foram comparados por equações de estimativa generalizadas (GEE).
Foram incluídos 1.
105 pacientes, predominantemente do gênero masculino (58,5%), brancos (51,4%), com idade média de 47,6±12,6 anos.
O escore de QV geral foi 81±15,1, e, para os domínios, foram: 58,6±11,6 para físico, 65,5±11,4 para psicológico, 68,3±17,1 para relações sociais e 64,2±13,3 ambiental.
Os homens possuem maiores escores de QV nos domínios psicológico (OR 2,62, IC: 1,29 ̶3,95, p60 anos, respectivamente).
Em relação ao acesso às regiões, indivíduos residentes na região Sul/Sudeste (R2) relataram maiores escores apenas no Domínio Meio Ambiente (OR 3.
53, IC: 0.
28 ̶6.
78, p=0.
033) e, de forma limítrofe, no Domínio Físico (OR 2.
29, IC: -0.
07 ̶4.
66, p=0.
057).
Nesta grande amostra de pacientes submetidos ao TxR, observamos que o domínio mais afetado é o físico, e os melhores escores estão no domínio relações sociais.
Os subgrupos de menor QV foram as mulheres e os com idade >45 anos.
A partir deste perfil de QV podemos identificar quais os aspectos do TxR de maior benefício percebidos pelo paciente e quais subgrupos devem ser alvo de intervenções.
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