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Cardiomiopatia periparto em paciente jovem sem comorbidades associadas: relato de caso
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Introdução: A cardiomiopatia periparto é uma forma de insuficiência cardíaca sistólica não isquêmica que pode afetar mulheres jovens do final da gestação aos primeiros meses pós-parto. Os sinais e sintomas podem ser confundidos com os do final de gestação, o que pode retardar o diagnóstico, levando a um pior prognóstico. Essa condição afeta mais as mulheres afro-americanas. Os fatores de risco incluem: gestação múltipla, idade materna acima de 30 anos e doença hipertensiva materna. Sua etiologia não é bem esclarecida, porém sugere-se que seja multifatorial. Relato de caso: S.V.B.S., 18 anos, hígida, puérpera de parto vaginal há um mês, com relato de edema de membros inferiores que evoluiu com dispneia e pico febril, com início uma semana após o parto. Ao exame físico a paciente encontrava-se afebril, com murmúrio vesicular diminuído em bases, hepatomegalia com borda cerca de 6 cm abaixo do arco costal e edema indolor 3+/4+ até os joelhos. Foi internada em unidade de tratamento intensivo (UTI), onde realizou tomografia computadorizada de tórax (TC), abdome, pelve, radiografia (RX) de tórax e hemocultura. A TC revelou aumento da área cardíaca, infiltrado intersticial predominantemente em pulmão direito, derrame pleural de pequena monta em base direita e intercisural à esquerda, hepatomegalia e ascite. RX de tórax com padrão congestivo. Pela história de sintoma respiratório foram iniciados Oseltamivir e Ceftriaxone, foi solicitado swab nasofaríngeo para SARS-CoV-2, e a paciente colocada em leito de isolamento respiratório. O ecocardiograma mostrou aumento das cavidades esquerdas, função sistólica do ventrículo esquerdo importantemente diminuída e disfunção diastólica tipo III. Veia cava inferior distendida, com pouca variação durante a inspiração, sugestiva de cardiomiopatia periparto. Iniciaram-se Carvedilol, Enalapril e Furosemida. Exames laboratoriais com elevação transaminases e marcadores inflamatórios. Swab para SARS-CoV-2 e painel viral negativos. A paciente recebeu alta da UTI, retornando após dois dias em razão de instabilidade hemodinâmica associada a eletrocardiograma com onda T invertida difusa, infra em v4 e v5. Após a otimização de diureticoterapia, apresentou melhora clínica e recebeu alta para a enfermaria, onde completou dez dias de antibioticoterapia, evoluindo com melhora clínica e laboratorial e recebendo alta hospitalar para acompanhamento ambulatorial. Conclusão: A cardiomiopatia periparto é um diagnóstico de exclusão, o que retarda o início do tratamento, aumentando a morbidade. A pré-eclâmpsia grave pode levar à insuficiência cardíaca com disfunção diastólica, porém na cardiomiopatia periparto há disfunção sistólica. Essa condição está relacionada a altas taxas de recuperação, que costuma ocorrer em até seis meses. O tratamento baseia-se no uso de medicações para insuficiência cardíaca com o objetivo de reestabelecer a função sistólica e anticoagulantes para evitar eventos tromboembólicos, e, muitas vezes, deve ser mantido por tempo indeterminado.
Zeppelini Editorial e Comunicação
Title: Cardiomiopatia periparto em paciente jovem sem comorbidades associadas: relato de caso
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Introdução: A cardiomiopatia periparto é uma forma de insuficiência cardíaca sistólica não isquêmica que pode afetar mulheres jovens do final da gestação aos primeiros meses pós-parto.
Os sinais e sintomas podem ser confundidos com os do final de gestação, o que pode retardar o diagnóstico, levando a um pior prognóstico.
Essa condição afeta mais as mulheres afro-americanas.
Os fatores de risco incluem: gestação múltipla, idade materna acima de 30 anos e doença hipertensiva materna.
Sua etiologia não é bem esclarecida, porém sugere-se que seja multifatorial.
Relato de caso: S.
V.
B.
S.
, 18 anos, hígida, puérpera de parto vaginal há um mês, com relato de edema de membros inferiores que evoluiu com dispneia e pico febril, com início uma semana após o parto.
Ao exame físico a paciente encontrava-se afebril, com murmúrio vesicular diminuído em bases, hepatomegalia com borda cerca de 6 cm abaixo do arco costal e edema indolor 3+/4+ até os joelhos.
Foi internada em unidade de tratamento intensivo (UTI), onde realizou tomografia computadorizada de tórax (TC), abdome, pelve, radiografia (RX) de tórax e hemocultura.
A TC revelou aumento da área cardíaca, infiltrado intersticial predominantemente em pulmão direito, derrame pleural de pequena monta em base direita e intercisural à esquerda, hepatomegalia e ascite.
RX de tórax com padrão congestivo.
Pela história de sintoma respiratório foram iniciados Oseltamivir e Ceftriaxone, foi solicitado swab nasofaríngeo para SARS-CoV-2, e a paciente colocada em leito de isolamento respiratório.
O ecocardiograma mostrou aumento das cavidades esquerdas, função sistólica do ventrículo esquerdo importantemente diminuída e disfunção diastólica tipo III.
Veia cava inferior distendida, com pouca variação durante a inspiração, sugestiva de cardiomiopatia periparto.
Iniciaram-se Carvedilol, Enalapril e Furosemida.
Exames laboratoriais com elevação transaminases e marcadores inflamatórios.
Swab para SARS-CoV-2 e painel viral negativos.
A paciente recebeu alta da UTI, retornando após dois dias em razão de instabilidade hemodinâmica associada a eletrocardiograma com onda T invertida difusa, infra em v4 e v5.
Após a otimização de diureticoterapia, apresentou melhora clínica e recebeu alta para a enfermaria, onde completou dez dias de antibioticoterapia, evoluindo com melhora clínica e laboratorial e recebendo alta hospitalar para acompanhamento ambulatorial.
Conclusão: A cardiomiopatia periparto é um diagnóstico de exclusão, o que retarda o início do tratamento, aumentando a morbidade.
A pré-eclâmpsia grave pode levar à insuficiência cardíaca com disfunção diastólica, porém na cardiomiopatia periparto há disfunção sistólica.
Essa condição está relacionada a altas taxas de recuperação, que costuma ocorrer em até seis meses.
O tratamento baseia-se no uso de medicações para insuficiência cardíaca com o objetivo de reestabelecer a função sistólica e anticoagulantes para evitar eventos tromboembólicos, e, muitas vezes, deve ser mantido por tempo indeterminado.
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