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Estatuto da metáfora segundo Merleau-Ponty
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No capítulo Interrogação e Intuição, publicado em “O Visível e o invisível”, Merleau-Ponty diz que a linguagem é um paradoxo, pois, de um lado, proíbe a coincidência, a simpatia absoluta com os objetos, uma vez que, se esta linguagem fosse possível, seria muda, isto é, reduzida ao silêncio; por outro lado, se é verdade que não há linguagem pura, adâmica, diamantina, é fato que poetas e escritores descobrem, por meio das metáforas, uma linguagem apta a falar do mundo. Há, no interior da linguagem, um papel reservado para a metáfora que opera o sentido irônico. Este estudo visa acompanhar este paradoxo tal como Merleau-Ponty no-lo apresenta em “O Visível e o invisível” e nas “Notas sobre o curso A origem da geometria de Husserl”. Neste curso, Merleau-Ponty insiste sobre o conceito de “diferença” ou “desvio de nível” (écart). O conceito de desvio é fundamental para a articulação entre a fenomenologia da expressão e a ontologia do sensível e representa uma novidade fortemente presente nos cursos de Merleau-Ponty no Collège de France na década de 1950. A linguagem deve ser compreendida a partir do uso de metáforas operantes, isto é, a partir do desvio de nível entre a fala falada e a fala falante. A operação da metáfora é representativa da aurora da linguagem e está fundada sobre o campo do sensível. Merleau-Ponty critica a evidência das afirmações científicas e as idéias do entendimento em nome da opacidade do sensível que se revela na operação metafórica. A conclusão do artigo apresenta a relação entre a metáfora e a linguagem indireta.
Associação de Pesquisas em Fenomenologia
Title: Estatuto da metáfora segundo Merleau-Ponty
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No capítulo Interrogação e Intuição, publicado em “O Visível e o invisível”, Merleau-Ponty diz que a linguagem é um paradoxo, pois, de um lado, proíbe a coincidência, a simpatia absoluta com os objetos, uma vez que, se esta linguagem fosse possível, seria muda, isto é, reduzida ao silêncio; por outro lado, se é verdade que não há linguagem pura, adâmica, diamantina, é fato que poetas e escritores descobrem, por meio das metáforas, uma linguagem apta a falar do mundo.
Há, no interior da linguagem, um papel reservado para a metáfora que opera o sentido irônico.
Este estudo visa acompanhar este paradoxo tal como Merleau-Ponty no-lo apresenta em “O Visível e o invisível” e nas “Notas sobre o curso A origem da geometria de Husserl”.
Neste curso, Merleau-Ponty insiste sobre o conceito de “diferença” ou “desvio de nível” (écart).
O conceito de desvio é fundamental para a articulação entre a fenomenologia da expressão e a ontologia do sensível e representa uma novidade fortemente presente nos cursos de Merleau-Ponty no Collège de France na década de 1950.
A linguagem deve ser compreendida a partir do uso de metáforas operantes, isto é, a partir do desvio de nível entre a fala falada e a fala falante.
A operação da metáfora é representativa da aurora da linguagem e está fundada sobre o campo do sensível.
Merleau-Ponty critica a evidência das afirmações científicas e as idéias do entendimento em nome da opacidade do sensível que se revela na operação metafórica.
A conclusão do artigo apresenta a relação entre a metáfora e a linguagem indireta.
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