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ULISSES OU MITO E ESCLARECIMENTO: QUESTÕES DE GÊNERO NA DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO E ODISSEIA
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O presente trabalho busca analisar o papel do feminino na Odisseia de
Homero através da leitura feita por Adorno e Horkheimer na Dialética do
Esclarecimento. Os autores tratam a epopeia homérica como alegoria da
construção da civilização ocidental e como testemunho da dialética do
esclarecimento, compreendendo que a trajetória de Ulisses, a partir do
apoderamento e da organização dos mitos, representa o processo de formação da
Razão, tornando-se instrumental, ordenadora e dominadora do não-idêntico. Neste
desenvolvimento da organização racional para a formação do sujeito, o feminino
torna-se o não-idêntico, de forma a ser dominado pela razão, e portanto, esta já é
patriarcal em seu princípio. O resultado dessa razão ordenadora e instrumental é
a coisificação do outro, consolidando socialmente a dominação, o medo e a dinâmica
do poder como partes fundamentais da razão. O feminino, como sedução e ameaça
ao caminho da racionalidade, deve ser dominado, apartado da estrutura de
formação da consciência de si. A representação feminina na Odisseia se dá
majoritariamente por mulheres submissas e deusas que tentam desviar Ulisses de
seu caminho, este se realizando como indivíduo por se alienar das relações sociais
para se tornar sujeito de si, se relacionando com os demais sempre de forma
instrumental e coisificada. Isto posto, a presente pesquisa visa, a partir da leitura
de Adorno e Horkheimer, compreender a negação do feminino no princípio da
racionalidade ocidental e sua influência nas relações de gênero nos dias atuais.
Title: ULISSES OU MITO E ESCLARECIMENTO: QUESTÕES DE GÊNERO NA DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO E ODISSEIA
Description:
O presente trabalho busca analisar o papel do feminino na Odisseia de
Homero através da leitura feita por Adorno e Horkheimer na Dialética do
Esclarecimento.
Os autores tratam a epopeia homérica como alegoria da
construção da civilização ocidental e como testemunho da dialética do
esclarecimento, compreendendo que a trajetória de Ulisses, a partir do
apoderamento e da organização dos mitos, representa o processo de formação da
Razão, tornando-se instrumental, ordenadora e dominadora do não-idêntico.
Neste
desenvolvimento da organização racional para a formação do sujeito, o feminino
torna-se o não-idêntico, de forma a ser dominado pela razão, e portanto, esta já é
patriarcal em seu princípio.
O resultado dessa razão ordenadora e instrumental é
a coisificação do outro, consolidando socialmente a dominação, o medo e a dinâmica
do poder como partes fundamentais da razão.
O feminino, como sedução e ameaça
ao caminho da racionalidade, deve ser dominado, apartado da estrutura de
formação da consciência de si.
A representação feminina na Odisseia se dá
majoritariamente por mulheres submissas e deusas que tentam desviar Ulisses de
seu caminho, este se realizando como indivíduo por se alienar das relações sociais
para se tornar sujeito de si, se relacionando com os demais sempre de forma
instrumental e coisificada.
Isto posto, a presente pesquisa visa, a partir da leitura
de Adorno e Horkheimer, compreender a negação do feminino no princípio da
racionalidade ocidental e sua influência nas relações de gênero nos dias atuais.
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