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Quando o presente visita o passado. Reflexões da arqueologia sobre o futuro da Amazônia
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Mais que contar uma história sobre o passado, o estudo da arqueologia amazônica vem nos mostrando, ao longo das últimas décadas, estratégias bem-sucedidas de “convivência pacífica” entre os povos da floresta e o meio ambiente. Frequentemente as sociedades tradicionais nos alertam que a lógica atual de uso dos recursos da Amazônia é insustentável. Longe de pretender que a arqueologia trará uma chancela científica para algo que já está posto por esses povos, ou de reificar a visão romântica do “bom selvagem”, podemos dizer que o quê a pesquisa vem demonstrando é a validade dessas estratégias na longa duração, numa escala de pelo menos 12 mil anos. As primeiras sínteses arqueológicas na metade do século XX apresentaram a Amazônia como um local limitante, onde as sociedades humanas não teriam alcançado um estágio completo de desenvolvimento, em função da escassez e da hostilidade do ambiente. Com um melhor entendimento e acúmulo de dados sobre sítios e vestígios arqueológicos na Amazônia, hoje se tem uma compreensão muito diferente sobre a relação de longa duração entre os humanos e o ambiente. Estas escolhas, feitas há milhares de anos, vêm promovendo resiliência da floresta mesmo diante do desequilíbrio catastrófico iniciado pelo colonialismo e potencializado nos últimos anos pela exploração de recursos de maneira desenfreada dentro de uma economia global. Entretanto, a continuidade da resiliência depende de como absorvemos oeco da voz dos que transformaram a Amazônia na floresta diversa que conhecemos hoje. O texto advoga peladefesa do conhecimento dos povos tradicionais como uma das melhores alternativas de futuro para a Amazônia, umconhecimento milenar e cumulativo, em nada inferior ao que consideramos científico.
Coimbra University Press
Title: Quando o presente visita o passado. Reflexões da arqueologia sobre o futuro da Amazônia
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Mais que contar uma história sobre o passado, o estudo da arqueologia amazônica vem nos mostrando, ao longo das últimas décadas, estratégias bem-sucedidas de “convivência pacífica” entre os povos da floresta e o meio ambiente.
Frequentemente as sociedades tradicionais nos alertam que a lógica atual de uso dos recursos da Amazônia é insustentável.
Longe de pretender que a arqueologia trará uma chancela científica para algo que já está posto por esses povos, ou de reificar a visão romântica do “bom selvagem”, podemos dizer que o quê a pesquisa vem demonstrando é a validade dessas estratégias na longa duração, numa escala de pelo menos 12 mil anos.
As primeiras sínteses arqueológicas na metade do século XX apresentaram a Amazônia como um local limitante, onde as sociedades humanas não teriam alcançado um estágio completo de desenvolvimento, em função da escassez e da hostilidade do ambiente.
Com um melhor entendimento e acúmulo de dados sobre sítios e vestígios arqueológicos na Amazônia, hoje se tem uma compreensão muito diferente sobre a relação de longa duração entre os humanos e o ambiente.
Estas escolhas, feitas há milhares de anos, vêm promovendo resiliência da floresta mesmo diante do desequilíbrio catastrófico iniciado pelo colonialismo e potencializado nos últimos anos pela exploração de recursos de maneira desenfreada dentro de uma economia global.
Entretanto, a continuidade da resiliência depende de como absorvemos oeco da voz dos que transformaram a Amazônia na floresta diversa que conhecemos hoje.
O texto advoga peladefesa do conhecimento dos povos tradicionais como uma das melhores alternativas de futuro para a Amazônia, umconhecimento milenar e cumulativo, em nada inferior ao que consideramos científico.
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