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A importância do conhecimento científico na construção do saber moderno
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O período atual é marcado por um forte contraste entre as antigas concepções milenaristas (pelo menos do ponto de vista ocidental) tais como, os mitos de criação do universo, mitos de cura e mitos apocalípticos, em contraste com as modernas concepções estabelecidas como base do saber científico. Algumas fases da história humana foram marcadas por períodos de relativos avanços tecnológicos, por exemplo, quando criamos as primeiras ferramentas de pedra, dominamos o fogo, domesticamos as plantas e os animais e implementamos os processos industriais. Entretanto, nunca a ciência (principalmente, nas suas formas mais aplicadas, ou seja, tecnologia) esteve tão direta, ou indiretamente, presente no cotidiano das pessoas (JAPIASSU, 1991; GOULD, 1999; SILVA e ARCANJO, 2021). Até mesmo o mais ignorante dos indivíduos modernos (assumindo ignorância no sentido de carência de informações, não como incapacidade intelectual), não consegue passar inerte pelas influências impostas pelo desenvolvimento científico. É possível argumentar que, salvo alguns povos que se mantêm estruturados política e sócio culturalmente sob um regime muito primitivo (em regiões remotas da Terra) nós literalmente, comemos, bebemos, cheiramos, vestimos, andamos (ou melhor, corremos, pois, poucos mamíferos – por exemplo, um guepardo que pode atingir 110 Km/h – estão adaptados para se locomover de forma tão rápida como fazemos todos os dias) e até voamos através da ciência. Isso, sem citar diversos outros exemplos de atividades humanas modernas que vêm sendo super potencializadas pelos avanços científicos e tecnológicos. Parece lógico acreditar que qualquer ser humano, a despeito das diferenças étnicas, sociais, ideológicas e filosóficas, durante algum breve ataque de lucidez deve se surpreender (se não, é porque o cérebro nos habitua às situações cotidianas) todas as vezes que assiste a decolagem de um avião, a transmissão de uma imagem ao vivo via satélite (de uma região do outro lado do mundo, ou até de outro planeta) ou quando vê a imagem do próprio interior do seu corpo através de sistemas de ultrassonografia ou ressonância magnética (CHALMERS, 1993; 1994; SERRES, 1995; SILVA e ARCANJO, 2021). A mente de todo ser humano que nasce no mundo atual e sua forma de construir a estrutura do conhecimento que servirá de base para a sua relação com o universo ao redor está imersa, consciente ou inconscientemente, num contexto em que a existência da ciência faz uma grande diferença. Apesar de quaisquer excessos que possam ser cometidos por uma concepção racionalista da vida (o que não reduz de nenhuma forma a subjetividade associada a cada ser humano, pois, ela nada mais é que a expressão da própria variabilidade genética), o principal traço que diferencia o Homo sapiens de qualquer outro animal que vive nesse planeta está ligado, diretamente, à capacidade que ele teve, desde o seu surgimento como espécie (aproximadamente, há 200.000 anos), de criar formas complexas de compreender e influenciar o seu ambiente. A nossa cultura e tecnologia complexas podem ser interpretadas como a inevitabilidade histórica da ação do animal humano sobre o planeta. No início do seu desenvolvimento, os grupos humanos pré-históricos apresentavam, provavelmente, um padrão parecido com aquele esperado para outros mamíferos primatas. Seria esperado para uma espécie de mamífero de médio/grande porte a manutenção de pequenas populações capazes de subsistirem em ambientes inóspitos. É impossível discutir a origem do pensamento complexo dos seres humanos desvinculada da necessidade inicial dos grupos pré-modernos de compreender e manipular o ambiente, pois, a tecnologia – que em muitos aspectos serve como base para o estabelecimento da cultura – é o resultado histórico do acúmulo dessas experiências humanas no sentido de criar um mundo que atenda às suas expectativas. Sendo assim, os cenários epistemológicos e filosóficos que se seguiram - inicialmente, pobres em informações e depois se tornando, gradativamente, complexos até os cenários atuais – representam, simplesmente, a sequência histórica e natural da evolução do nosso conhecimento (SERRES, 1995; GOULD, 1999; HARARI, 2018). É provável que o acréscimo rápido, e constante, de conhecimento que estamos observando nos últimos séculos produza, nas gerações futuras, uma impressão de obscurantismo na nossa capacidade atual de compreendermos as relações com o mundo em que vivemos. De forma que a negação, ou mediocrização, do conhecimento científico é em última análise a negação da própria história do conhecimento humano. Por mais psicológicos que sejamos, nossa “caixa de pensamento” (nosso cérebro de primata) ainda é um invólucro constituído por átomos, moléculas, tecidos, órgãos e uma infinidade de conexões nervosas que estão submetidos às mesmas leis naturais às quais estão submetidas a maior parte das estruturas que constituem a matéria - pelo menos macroscópica - do nosso universo. Por isso, o conhecimento científico é essencial não só na academia, mas também, no nosso cotidiano (DAWKINS, 1998; GOULD, 1999; HARARI, 2016; 2018; SILVA e ARCANJO, 2021).
Title: A importância do conhecimento científico na construção do saber moderno
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O período atual é marcado por um forte contraste entre as antigas concepções milenaristas (pelo menos do ponto de vista ocidental) tais como, os mitos de criação do universo, mitos de cura e mitos apocalípticos, em contraste com as modernas concepções estabelecidas como base do saber científico.
Algumas fases da história humana foram marcadas por períodos de relativos avanços tecnológicos, por exemplo, quando criamos as primeiras ferramentas de pedra, dominamos o fogo, domesticamos as plantas e os animais e implementamos os processos industriais.
Entretanto, nunca a ciência (principalmente, nas suas formas mais aplicadas, ou seja, tecnologia) esteve tão direta, ou indiretamente, presente no cotidiano das pessoas (JAPIASSU, 1991; GOULD, 1999; SILVA e ARCANJO, 2021).
Até mesmo o mais ignorante dos indivíduos modernos (assumindo ignorância no sentido de carência de informações, não como incapacidade intelectual), não consegue passar inerte pelas influências impostas pelo desenvolvimento científico.
É possível argumentar que, salvo alguns povos que se mantêm estruturados política e sócio culturalmente sob um regime muito primitivo (em regiões remotas da Terra) nós literalmente, comemos, bebemos, cheiramos, vestimos, andamos (ou melhor, corremos, pois, poucos mamíferos – por exemplo, um guepardo que pode atingir 110 Km/h – estão adaptados para se locomover de forma tão rápida como fazemos todos os dias) e até voamos através da ciência.
Isso, sem citar diversos outros exemplos de atividades humanas modernas que vêm sendo super potencializadas pelos avanços científicos e tecnológicos.
Parece lógico acreditar que qualquer ser humano, a despeito das diferenças étnicas, sociais, ideológicas e filosóficas, durante algum breve ataque de lucidez deve se surpreender (se não, é porque o cérebro nos habitua às situações cotidianas) todas as vezes que assiste a decolagem de um avião, a transmissão de uma imagem ao vivo via satélite (de uma região do outro lado do mundo, ou até de outro planeta) ou quando vê a imagem do próprio interior do seu corpo através de sistemas de ultrassonografia ou ressonância magnética (CHALMERS, 1993; 1994; SERRES, 1995; SILVA e ARCANJO, 2021).
A mente de todo ser humano que nasce no mundo atual e sua forma de construir a estrutura do conhecimento que servirá de base para a sua relação com o universo ao redor está imersa, consciente ou inconscientemente, num contexto em que a existência da ciência faz uma grande diferença.
Apesar de quaisquer excessos que possam ser cometidos por uma concepção racionalista da vida (o que não reduz de nenhuma forma a subjetividade associada a cada ser humano, pois, ela nada mais é que a expressão da própria variabilidade genética), o principal traço que diferencia o Homo sapiens de qualquer outro animal que vive nesse planeta está ligado, diretamente, à capacidade que ele teve, desde o seu surgimento como espécie (aproximadamente, há 200.
000 anos), de criar formas complexas de compreender e influenciar o seu ambiente.
A nossa cultura e tecnologia complexas podem ser interpretadas como a inevitabilidade histórica da ação do animal humano sobre o planeta.
No início do seu desenvolvimento, os grupos humanos pré-históricos apresentavam, provavelmente, um padrão parecido com aquele esperado para outros mamíferos primatas.
Seria esperado para uma espécie de mamífero de médio/grande porte a manutenção de pequenas populações capazes de subsistirem em ambientes inóspitos.
É impossível discutir a origem do pensamento complexo dos seres humanos desvinculada da necessidade inicial dos grupos pré-modernos de compreender e manipular o ambiente, pois, a tecnologia – que em muitos aspectos serve como base para o estabelecimento da cultura – é o resultado histórico do acúmulo dessas experiências humanas no sentido de criar um mundo que atenda às suas expectativas.
Sendo assim, os cenários epistemológicos e filosóficos que se seguiram - inicialmente, pobres em informações e depois se tornando, gradativamente, complexos até os cenários atuais – representam, simplesmente, a sequência histórica e natural da evolução do nosso conhecimento (SERRES, 1995; GOULD, 1999; HARARI, 2018).
É provável que o acréscimo rápido, e constante, de conhecimento que estamos observando nos últimos séculos produza, nas gerações futuras, uma impressão de obscurantismo na nossa capacidade atual de compreendermos as relações com o mundo em que vivemos.
De forma que a negação, ou mediocrização, do conhecimento científico é em última análise a negação da própria história do conhecimento humano.
Por mais psicológicos que sejamos, nossa “caixa de pensamento” (nosso cérebro de primata) ainda é um invólucro constituído por átomos, moléculas, tecidos, órgãos e uma infinidade de conexões nervosas que estão submetidos às mesmas leis naturais às quais estão submetidas a maior parte das estruturas que constituem a matéria - pelo menos macroscópica - do nosso universo.
Por isso, o conhecimento científico é essencial não só na academia, mas também, no nosso cotidiano (DAWKINS, 1998; GOULD, 1999; HARARI, 2016; 2018; SILVA e ARCANJO, 2021).
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