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Maria Judite de Carvalho e a justiça dos esquecidos

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O esquecido é, para Giorgio Agamben (1999, p. 72-73), aquele que busca a justiça, não para ser entregue à memória e à língua, mas para permanecer imemorável e sem nome. Fazer justiça ao esquecido será, portanto, falar de seres desprovidos de importância e mesmo de existência, marcados pelo vazio e pela falta, mergulhados no desespero de suas vidas nuas, como são as personagens de Maria Judite de Carvalho. Estuda-se aqui a obra dessa escritora portuguesa que faz justiça aos esquecidos, exibindo a falta de sentido que somente a literatura – arte do intervalo desligada de pragmatismo e desvinculada de esperanças – pode elaborar com os artifícios e as trapaças de Perséfone e de Orfeu, em seu trânsito entre morte e vida, com a melancolia e a negatividade características de sujeitos presos em seus espaços concentracionais de banimento e exclusão. Lembra-se, assim, a perspectiva de Blanchot de que a obra literária é prova de impossibilidade de união, repetição nunca terminada, saciedade que nada tem, cintilação sem fundamento e sem profundidade. Aparentemente, nada a fazer: não há soluções a esperar, não há integração possível; para os esquecidos, não há possibilidade de resgate. Sabe-se, entretanto, com Almansi (1978): escritores e poetas são mágicos, a linguagem e a poesia impedem um sentido claro e definitivo e podem assim garantir, com os cantos de Orfeu e as máscaras de Perséfone, a vida e a prosperidade da literatura.
Pro Reitoria de Pesquisa, Pos Graduacao e Inovacao - UFF
Title: Maria Judite de Carvalho e a justiça dos esquecidos
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O esquecido é, para Giorgio Agamben (1999, p.
72-73), aquele que busca a justiça, não para ser entregue à memória e à língua, mas para permanecer imemorável e sem nome.
Fazer justiça ao esquecido será, portanto, falar de seres desprovidos de importância e mesmo de existência, marcados pelo vazio e pela falta, mergulhados no desespero de suas vidas nuas, como são as personagens de Maria Judite de Carvalho.
Estuda-se aqui a obra dessa escritora portuguesa que faz justiça aos esquecidos, exibindo a falta de sentido que somente a literatura – arte do intervalo desligada de pragmatismo e desvinculada de esperanças – pode elaborar com os artifícios e as trapaças de Perséfone e de Orfeu, em seu trânsito entre morte e vida, com a melancolia e a negatividade características de sujeitos presos em seus espaços concentracionais de banimento e exclusão.
Lembra-se, assim, a perspectiva de Blanchot de que a obra literária é prova de impossibilidade de união, repetição nunca terminada, saciedade que nada tem, cintilação sem fundamento e sem profundidade.
Aparentemente, nada a fazer: não há soluções a esperar, não há integração possível; para os esquecidos, não há possibilidade de resgate.
Sabe-se, entretanto, com Almansi (1978): escritores e poetas são mágicos, a linguagem e a poesia impedem um sentido claro e definitivo e podem assim garantir, com os cantos de Orfeu e as máscaras de Perséfone, a vida e a prosperidade da literatura.

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