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INPA 70 Anos: Entre Preservação, Patrimônio e Práticas Científicas
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Neste ano em que se celebram os 70 anos da instalação do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA), este livro reúne reflexões a partir de entrevistas gravadas e documentos escritos relevantes para a memória da instituição. As múltiplas dimensões de tais testemunhos impôs determinados recortes de modo a tornar viável elaborar este livro em tempo hábil para destacar a relevância das pesquisas e práticas nele realizadas. A elaboração deste livro envolveu escolhas, pois a narrativa completa dos 70 anos do INPA imporia tempo e equipe de trabalho fora do alcance no momento. A data comemorativa, por outro lado, requer que o leitor encontre uma história de sucesso. Sabendo-se dos incontáveis desafios da pesquisa científica no Brasil e principalmente na Amazônia, seria incômodo relatar unicamente revezes de práticas que exigem determinação cotidiana para alcançar minimamente o desejado êxito. A opção de examinar os primeiros passos do Instituto após a sua fundação levou à evidência da necessidade de destacar o patrimônio científico acumulado ao longo de sua existência, por meio de suas coleções e iniciativas de comunicação com amplos setores sociais, bem como a vontade de superar os impasses gerados pela divisão do trabalho inerente às hierarquias científicas, de modo a construir bases democráticas de construção de conhecimento para evitar deixar como herança para as gerações futuras um fardo demasiado pesado. Optou-se por uma abordagem reflexiva sobre a história da ciência na Amazônia, destacando os projetos que moveram a instituição desde sua fundação, as transformações na divisão de trabalho que que caracteriza a produção científica, as implicações práticas das pesquisas, as coleções e o patrimônio científico e genético em sua dimensão cultural e material, a organização de bancos de dados e as relações entre diferentes agentes envolvidos em práticas cognoscentes e sua relação com o tecido social. Os capítulos concatenam-se na busca de evidenciar como os pesquisadores demais pessoas envolvidas superaram determinados obstáculos que se impuseram ao longo dos anos. Levando em conta as evidentes limitações de cada recorte, a intenção é que o livro sirva de inspiração para trabalhos futuros. Requerem um esforço adicional para publicações à parte programas fundamentais da envergadura do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA, gerenciado pelo MCTI e coordenado pelo MCTI), a história da pós-graduação na Instituição, os cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia liderados por pesquisadores do INPA e toda a a área de cooperação internacional. O primeiro capítulo parte do relatório de Olympio da Fonseca, primeiro diretor do INPA, procurando mostrando mostrar o fundo das controvérsias que envolveram a fundação e a instalação do INPA bem como os dilemas iniciais e o que estava por trás deles, como a tentativa de formar recursos humanos locais e romper com o modelo colonialista de produzir conhecimento científico implicado nas relações entre interesses internacionais, nacionais e regionais. O segundo capítulo parte do enfoque da história da botânica na região e da criação da Reserva Florestal Adolfo Ducke, sua inserção no sistema nacional de unidades de conservação. No exame da polissemia da definição de viagem de exploração, busca mostrar as relações entre teorias e práticas científicas voltadas à elucidação das dinâmicas envolvidas no estudo da floresta Amazônia, envolvendo as diferentes visões de conservação e preservação. O terceiro capítulo apresenta um panorama da formação das coleções do INPA, sua dimensão patrimonial cultural e material, levando em conta a significação de seus acervos biológicos – botânicos, zoológicos e de microrganismos envolvendo a criação de bancos de tecidos de interesse local, nacional e internacional, por sua relevância genética – como demonstração singular da dinâmica da ciência que se faz na instituição. Enfatizam-se os dilemas enfrentados para a preservação de tais patrimônios e o grande risco de perda total ou parcial dada a precariedade dos seus sistemas de segurança, e a urgência de aperfeiçoamento para evitar desastres previamente anunciados. O quarto capítulo trata dos processos de comunicação da ciência bem como sua relação com o meio ambiente e os mundos sociais, destacando suas funções educacionais, museológicas e a interação com o público em geral, focalizando-os como forma de apresentação da dinâmica científica. Considera especificamente a historicidade da formação de banco de dados, mostrando como as fichas das exsicatas históricas são uma demonstração das transformações dos sistemas de classificação botânica. Destaca a necessidade de ampliar o quadro de servidores do INPA, de modo a solucionar a falta de pesquisadores, técnicos, tecnologias, curadores e demais lideranças de modo a cumprir minimamente a missão institucional. O quinto capítulo indaga as possiblidades de reorganização das hierarquias na interação entre os diferentes agentes da produção científica, enfatizando a relevância do papel dos sistemas de conhecimento tácito e indígena na elaboração e desenvolvimento de processos e produtos relevantes para o conhecimento das áreas abrangidas pelo INPA. Pautada na busca de simetria e da possiblidade de romper com estruturas tradicionais de dominação presentes na história da ciência, a construção de práticas democráticas e da justiça epistêmica nutre-se de utopias concretas, na esperança de que a ciência possa contribuir para a equidade social. Ao final, apresentaremos uma homenagem aos 70 pioneiros do INPA que foram seus primeiros servidores. Em suma, é preciso apoiar o INPA e seus pesquisadores nas tarefas que eles se propõem para que possam, reiterando, cumprir a sua missão institucional.
Editora INPA
Title: INPA 70 Anos: Entre Preservação, Patrimônio e Práticas Científicas
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Neste ano em que se celebram os 70 anos da instalação do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA), este livro reúne reflexões a partir de entrevistas gravadas e documentos escritos relevantes para a memória da instituição.
As múltiplas dimensões de tais testemunhos impôs determinados recortes de modo a tornar viável elaborar este livro em tempo hábil para destacar a relevância das pesquisas e práticas nele realizadas.
A elaboração deste livro envolveu escolhas, pois a narrativa completa dos 70 anos do INPA imporia tempo e equipe de trabalho fora do alcance no momento.
A data comemorativa, por outro lado, requer que o leitor encontre uma história de sucesso.
Sabendo-se dos incontáveis desafios da pesquisa científica no Brasil e principalmente na Amazônia, seria incômodo relatar unicamente revezes de práticas que exigem determinação cotidiana para alcançar minimamente o desejado êxito.
A opção de examinar os primeiros passos do Instituto após a sua fundação levou à evidência da necessidade de destacar o patrimônio científico acumulado ao longo de sua existência, por meio de suas coleções e iniciativas de comunicação com amplos setores sociais, bem como a vontade de superar os impasses gerados pela divisão do trabalho inerente às hierarquias científicas, de modo a construir bases democráticas de construção de conhecimento para evitar deixar como herança para as gerações futuras um fardo demasiado pesado.
Optou-se por uma abordagem reflexiva sobre a história da ciência na Amazônia, destacando os projetos que moveram a instituição desde sua fundação, as transformações na divisão de trabalho que que caracteriza a produção científica, as implicações práticas das pesquisas, as coleções e o patrimônio científico e genético em sua dimensão cultural e material, a organização de bancos de dados e as relações entre diferentes agentes envolvidos em práticas cognoscentes e sua relação com o tecido social.
Os capítulos concatenam-se na busca de evidenciar como os pesquisadores demais pessoas envolvidas superaram determinados obstáculos que se impuseram ao longo dos anos.
Levando em conta as evidentes limitações de cada recorte, a intenção é que o livro sirva de inspiração para trabalhos futuros.
Requerem um esforço adicional para publicações à parte programas fundamentais da envergadura do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA, gerenciado pelo MCTI e coordenado pelo MCTI), a história da pós-graduação na Instituição, os cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia liderados por pesquisadores do INPA e toda a a área de cooperação internacional.
O primeiro capítulo parte do relatório de Olympio da Fonseca, primeiro diretor do INPA, procurando mostrando mostrar o fundo das controvérsias que envolveram a fundação e a instalação do INPA bem como os dilemas iniciais e o que estava por trás deles, como a tentativa de formar recursos humanos locais e romper com o modelo colonialista de produzir conhecimento científico implicado nas relações entre interesses internacionais, nacionais e regionais.
O segundo capítulo parte do enfoque da história da botânica na região e da criação da Reserva Florestal Adolfo Ducke, sua inserção no sistema nacional de unidades de conservação.
No exame da polissemia da definição de viagem de exploração, busca mostrar as relações entre teorias e práticas científicas voltadas à elucidação das dinâmicas envolvidas no estudo da floresta Amazônia, envolvendo as diferentes visões de conservação e preservação.
O terceiro capítulo apresenta um panorama da formação das coleções do INPA, sua dimensão patrimonial cultural e material, levando em conta a significação de seus acervos biológicos – botânicos, zoológicos e de microrganismos envolvendo a criação de bancos de tecidos de interesse local, nacional e internacional, por sua relevância genética – como demonstração singular da dinâmica da ciência que se faz na instituição.
Enfatizam-se os dilemas enfrentados para a preservação de tais patrimônios e o grande risco de perda total ou parcial dada a precariedade dos seus sistemas de segurança, e a urgência de aperfeiçoamento para evitar desastres previamente anunciados.
O quarto capítulo trata dos processos de comunicação da ciência bem como sua relação com o meio ambiente e os mundos sociais, destacando suas funções educacionais, museológicas e a interação com o público em geral, focalizando-os como forma de apresentação da dinâmica científica.
Considera especificamente a historicidade da formação de banco de dados, mostrando como as fichas das exsicatas históricas são uma demonstração das transformações dos sistemas de classificação botânica.
Destaca a necessidade de ampliar o quadro de servidores do INPA, de modo a solucionar a falta de pesquisadores, técnicos, tecnologias, curadores e demais lideranças de modo a cumprir minimamente a missão institucional.
O quinto capítulo indaga as possiblidades de reorganização das hierarquias na interação entre os diferentes agentes da produção científica, enfatizando a relevância do papel dos sistemas de conhecimento tácito e indígena na elaboração e desenvolvimento de processos e produtos relevantes para o conhecimento das áreas abrangidas pelo INPA.
Pautada na busca de simetria e da possiblidade de romper com estruturas tradicionais de dominação presentes na história da ciência, a construção de práticas democráticas e da justiça epistêmica nutre-se de utopias concretas, na esperança de que a ciência possa contribuir para a equidade social.
Ao final, apresentaremos uma homenagem aos 70 pioneiros do INPA que foram seus primeiros servidores.
Em suma, é preciso apoiar o INPA e seus pesquisadores nas tarefas que eles se propõem para que possam, reiterando, cumprir a sua missão institucional.
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