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Relações entre clássico e contemporâneo: a reescrita do mito de Penélope na poesia de Ana Martins Marques
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O presente trabalho parte da potência do clássico (CALVINO, 1993), manifestada na Antiguidade através dos mitos, que terminam por chegar aos leitores de outras épocas como narrativas tradicionais (BURKERT, 2001) por possuírem a capacidade de serem textos que estabelecem um diálogo constante com outros autores e sociedades, ressaltando sua relevância e permitindo a estruturação de uma tradição mito-poética no Ocidente. Como corpus de análise, partimos de uma comparação entre duas temporalidades e tessituras distintas. De um lado, escolhemos o poema épico Odisseia, atribuído a Homero, de onde selecionamos, em perspectiva, uma de suas personagens femininas, Penélope. De outro, em outros mares, mais contemporâneos, enfocamos a inserção da mesma personagem, a célebre rainha de Ítaca, agora na poesia da autora mineira Ana Martins Marques. A partir do conceito de aemulatio/emulação, da poética clássica, defendemos a hipótese de que, ao inserir Penélope como entidade ficcional no seu processo de (re)escrita criativa, a poeta busca dialogar com a tradição clássica greco-romana, reconhecendo sua importância, ao mesmo tempo em que pretende se inserir nela, acrescentando sua perspectiva autoral feminina, conforme demonstramos na análise dos poemas que compõem a série temática dedicada a Penélope nas obras A Vida Submarina (2009) e Da Arte das Armadilhas (2011). Buscamos, então, ao discutir a forma e os temas dos poemas de A.M.M. selecionados, compreender a mudança na ocupação de espaços (BACHELARD, 2005), sejam eles físicos ou simbólicos, atribuídos às mulheres nestes diferentes contextos históricos, partindo da figura mítica de Penélope, desde a Grécia arcaica e desaguando na contemporaneidade por meio das ficções em cena. Como demonstramos nos resultados, a poesia de Ana Martins Marques se apropria do clássico como ponto de referência para o estabelecimento do diálogo intertextual, através do mito de Penélope, mas não para repeti-lo (BAKOGIANNI, 2015). Pelo contrário, a autora manifesta, em sua poética, traços significativos da mudança de paradigma social para as mulheres observados na contemporaneidade a despeito da força centrípeta da cultura patriarcal que continua a tentar cerceá-las (WOOLF, 1985; BEAUVOIR, 1970). Palavras-chave: Clássico. Recepção. Gênero. Espaço. Poesia.
Title: Relações entre clássico e contemporâneo: a reescrita do mito de Penélope na poesia de Ana Martins Marques
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O presente trabalho parte da potência do clássico (CALVINO, 1993), manifestada na Antiguidade através dos mitos, que terminam por chegar aos leitores de outras épocas como narrativas tradicionais (BURKERT, 2001) por possuírem a capacidade de serem textos que estabelecem um diálogo constante com outros autores e sociedades, ressaltando sua relevância e permitindo a estruturação de uma tradição mito-poética no Ocidente.
Como corpus de análise, partimos de uma comparação entre duas temporalidades e tessituras distintas.
De um lado, escolhemos o poema épico Odisseia, atribuído a Homero, de onde selecionamos, em perspectiva, uma de suas personagens femininas, Penélope.
De outro, em outros mares, mais contemporâneos, enfocamos a inserção da mesma personagem, a célebre rainha de Ítaca, agora na poesia da autora mineira Ana Martins Marques.
A partir do conceito de aemulatio/emulação, da poética clássica, defendemos a hipótese de que, ao inserir Penélope como entidade ficcional no seu processo de (re)escrita criativa, a poeta busca dialogar com a tradição clássica greco-romana, reconhecendo sua importância, ao mesmo tempo em que pretende se inserir nela, acrescentando sua perspectiva autoral feminina, conforme demonstramos na análise dos poemas que compõem a série temática dedicada a Penélope nas obras A Vida Submarina (2009) e Da Arte das Armadilhas (2011).
Buscamos, então, ao discutir a forma e os temas dos poemas de A.
M.
M.
selecionados, compreender a mudança na ocupação de espaços (BACHELARD, 2005), sejam eles físicos ou simbólicos, atribuídos às mulheres nestes diferentes contextos históricos, partindo da figura mítica de Penélope, desde a Grécia arcaica e desaguando na contemporaneidade por meio das ficções em cena.
Como demonstramos nos resultados, a poesia de Ana Martins Marques se apropria do clássico como ponto de referência para o estabelecimento do diálogo intertextual, através do mito de Penélope, mas não para repeti-lo (BAKOGIANNI, 2015).
Pelo contrário, a autora manifesta, em sua poética, traços significativos da mudança de paradigma social para as mulheres observados na contemporaneidade a despeito da força centrípeta da cultura patriarcal que continua a tentar cerceá-las (WOOLF, 1985; BEAUVOIR, 1970).
Palavras-chave: Clássico.
Recepção.
Gênero.
Espaço.
Poesia.
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