Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

O que é, o que é: a morte? Notas e reflexões sobre o conceito de morte em Martin Heidegger

View through CrossRef
Tendo como ponto de partida a expressão “Um humano [Mensch] logo que nasce já é bastante velho para morrer”, escrita por Martin Heidegger em Ser e Tempo, este artigo se apresenta como uma ousada tentativa de releitura do conceito de morte, dada a dificuldade de interpretação de sua magnum opus, em especial da segunda parte da obra. Esta empreitada se concentrou em buscar compreender a morte, o ser-para-a-morte e a antecipação, conceitos fundantes do pensamento heideggeriano e reunidos aqui sob uma nova perspectiva. Para além da interpretação cotidiana deste conceito - que deve ser de imediato colocada em suspenso - ou ainda de uma parte significativa das leituras especializadas de Heidegger, este trabalho entende que a morte, no horizonte do pensamento heideggeriano, é o processo cotidiano de atualização (ato) de possibilidades (potência) no interior da experiência humana. Tendo a fenomenologia como recurso de análise, e o fenômeno da morte como chave de acesso à questão do sentido da morte, foi possível reunir aqui um conjunto de notas e direção para se compreender todos os existenciais como sinônimos de morte, o que se evidencia na condição cotidiana de um Dasein impróprio, inautêntico, e no aparecimento (Erscheinung) de um mim-mesmo prevaricado com a-gente (das Man), à semelhança caricatural de um “morto-vivo”, um “zumbi”, tema muito em voga, nos dias de hoje, em filmes e séries. Embora o “humano” - cotidianamente sujeito a representações sucessivas - se atenha a isto ou aquilo, em ser-para-a-morte se está livre de todo apego a isto ou aquilo, na aquiescência tanto disto quanto daquilo, na proximidade de tudo e pertencimento a nada, no “deixar-ser” (Gelassenheit).
Title: O que é, o que é: a morte? Notas e reflexões sobre o conceito de morte em Martin Heidegger
Description:
Tendo como ponto de partida a expressão “Um humano [Mensch] logo que nasce já é bastante velho para morrer”, escrita por Martin Heidegger em Ser e Tempo, este artigo se apresenta como uma ousada tentativa de releitura do conceito de morte, dada a dificuldade de interpretação de sua magnum opus, em especial da segunda parte da obra.
Esta empreitada se concentrou em buscar compreender a morte, o ser-para-a-morte e a antecipação, conceitos fundantes do pensamento heideggeriano e reunidos aqui sob uma nova perspectiva.
Para além da interpretação cotidiana deste conceito - que deve ser de imediato colocada em suspenso - ou ainda de uma parte significativa das leituras especializadas de Heidegger, este trabalho entende que a morte, no horizonte do pensamento heideggeriano, é o processo cotidiano de atualização (ato) de possibilidades (potência) no interior da experiência humana.
Tendo a fenomenologia como recurso de análise, e o fenômeno da morte como chave de acesso à questão do sentido da morte, foi possível reunir aqui um conjunto de notas e direção para se compreender todos os existenciais como sinônimos de morte, o que se evidencia na condição cotidiana de um Dasein impróprio, inautêntico, e no aparecimento (Erscheinung) de um mim-mesmo prevaricado com a-gente (das Man), à semelhança caricatural de um “morto-vivo”, um “zumbi”, tema muito em voga, nos dias de hoje, em filmes e séries.
Embora o “humano” - cotidianamente sujeito a representações sucessivas - se atenha a isto ou aquilo, em ser-para-a-morte se está livre de todo apego a isto ou aquilo, na aquiescência tanto disto quanto daquilo, na proximidade de tudo e pertencimento a nada, no “deixar-ser” (Gelassenheit).

Related Results

testemunho de Ricardo Piglia em “Um dia na vida”
testemunho de Ricardo Piglia em “Um dia na vida”
As escritas de si têm desempenhado um papel significativo na literatura, permitindo aos autores explorar suas próprias experiências de vida e oferecer insights profundos sobre a co...
Heidegger’s Struggle with History
Heidegger’s Struggle with History
In this paper I analyze early Heidegger’s concept of history. First, I argue that early Heidegger makes use of three distinct concepts or spheres of history, namely (1) history as ...
Heidegger's Topology
Heidegger's Topology
This groundbreaking inquiry into the centrality of place in Martin Heidegger's thinking offers not only an illuminating reading of Heidegger's thought but a detailed investigation ...
Heidegger, Martin (1889–1976)
Heidegger, Martin (1889–1976)
Martin Heidegger taught philosophy at Freiburg University (1915–23), Marburg University (1923–8), and again at Freiburg University (1928–45). Early in his career he came under the ...
Racionalidade médica na morte e na finitude
Racionalidade médica na morte e na finitude
Introdução Somos concebidos. E a partir desse momento, estamos vulneráveis e podemos deixar de vivos estarmos. Encontramo-nos meio a inquietações a respeito da realidade acerca do ...
Martin Heidegger in the history of the European anti- Semitism. Reflection on the book of Donatella Di Cesare “Heidegger, Jews and Shoa”
Martin Heidegger in the history of the European anti- Semitism. Reflection on the book of Donatella Di Cesare “Heidegger, Jews and Shoa”
The article deals with the role of Martin Heidegger’s anti-Semitism in his concept of fundamental ontology. This analysis is done on the basis of the publication of new volumes of ...
UM DIÁLOGO SOBRE O MILAGRE DA VIDA EM MANUEL BANDEIRA E O SER-PARA-A-MORTE DE MARTIN HEIDEGGER
UM DIÁLOGO SOBRE O MILAGRE DA VIDA EM MANUEL BANDEIRA E O SER-PARA-A-MORTE DE MARTIN HEIDEGGER
  Resumo Neste artigo buscamos uma reflexão sobre a morte a partir do diálogo-confronto entre M. Bandeira em “Preparação para a morte” e M. Heidegger com o conceito de ser-para-a...
Pensar es escribir : la filosofía en notas de Nicolás Gómez Dávila
Pensar es escribir : la filosofía en notas de Nicolás Gómez Dávila
Este trabajo presenta una lectura de Notas (1954) de Nicolás Gómez Dávila desde una pregunta básica: ¿cómo se plantea la relación entre escritura y filosofía en Notas?, que apunta ...

Back to Top