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Da Seleção Natural e da Reinvenção da Universidade

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As universidades são conhecidas por seu inigualável potencial de transformação da sociedade por meio da descoberta, invenção e inserção de novas tecnologias. Esse potencial é baseado na missão que fundamenta a criação, em 1088, da Universidade de Bolonha, na Itália, que visava a busca da verdade, do bem e do belo, promovendo a controvérsia livre entre propostas rivais. Essa base, que configura um espaço fértil de ideias, está longe de ser um ambiente limitante. Muito pelo contrário, precisa semear a todo tempo – na seara dos porquês – a necessidade de mudança, avanço e transformação do conhecimento. Por isso, muitas vezes, algo considerado verdade absoluta, logo adiante pode ser questionado, reformulado e gerar mais transformação e novas verdades. Isso reforça especialmente dentro de seus muros – que até pouco tempo eram respeitados até mesmo pelas forças contrárias às ciências – seu inquestionável caráter de autonomia e garantia de liberdade para a investigação e a análise de causas, efeitos e fenômenos em si, sejam naturais ou humanos. Há muito se faz menção à importância de que o conhecimento chegue com mais fluidez à sociedade, o que, sem sombra de dúvidas, beneficiará a comunidade ainda antes do momento em que a tecnologia materializa o saber – em forma dos mais diversos produtos e serviços. E este conhecimento deve chegar à sociedade no momento em que ele brota nos bancos acadêmicos, ou ainda, antes mesmo de surgir na academia – porque é inquestionável que a necessidade nasce do mesmo público para o qual o conhecimento, gerado cientificamente, faz e fará toda a diferença. A sociedade precisa saber reconhecer que este é o mesmo conhecimento que transforma, que realiza sonhos, cura e salva vidas, promove a longevidade, leva o homem ao espaço, permite o uso de redes sociais (sim, o Facebook, o Instagram e o WhatsApp são aplicações de conhecimentos oriundo das universidades), permite que a inteligência artificial “sugira” e “implemente” ações que direcionam vidas, os mercados, a economia e, quem diria, a política... No cenário atual, de reformulação da narrativa liberal frente à derrocada dos outros modelos de organização socioeconômica, observamos, a despeito do papel e importância destas instituições que congregam ensino, pesquisa e extensão, um momento de questionamentos e tentativas de cerceamento ao livre pensar. Devemos destacar o contrassenso dessas posturas visto que tais instituições eram até recentemente consideradas, como efetivamente o são, os pilares da sociedade moderna. Frente às novas possibilidades surgem outras demandas, a sociedade e os mercados dão sinais claros de que precisamos de novos profissionais. Que profissionais? Sequer sabemos quais são ainda. Estamos hoje formando para um futuro que desconhecemos. Estamos formando aqueles e aquelas que irão criar, direcionar e definir as novas profissões. Cabe reforçar que o mundo avança a passos largos do analógico para o digital. Não esqueçamos que graças às inúmeras ações de pesquisa garantidas e realizadas por essas instituições, que agora se veem ameaçadas por setores conservadores da sociedade que, ao tentar o cerceamento, conseguem apenas impedir que a universidade possa viabilizar e acelerar os processos que poderiam garantir transformações que se mostram urgentes e necessárias ante as mudanças que se sucedem de modo avassalador afetando todas as dimensões do espaço humano. Há que se considerar que, uma das constantes da natureza é a mudança, fato absorvido com intensidade e velocidade por instituições como as religiosas, consideradas as mais rígidas justamente por seu caráter dogmático. Estas instituições e seus dirigentes perceberam as ameaças que se avizinhavam configurando um risco à estabilidade e à sobrevivência de construtos assentados sobre bases de falsa solidez, que não resistiriam ao tempo se não se adaptassem às novas realidades. Elas se reinventaram e se reinventam na mesma velocidade das mudanças observadas nos horizontes humanos. Vale mencionar que, em 2019, celebramos os 160 anos de publicação da obra do naturalista inglês Charles Darwin, "Sobre a origem das espécies através da seleção natural", na qual propõe, com toda elegância da simplicidade, os mecanismos hoje adotados até pelas instituições mais rígidas, que se rendem à necessidade de adaptação para garantir a própria sobrevivência. É incoerente alegarmos não ter respostas para tais situações quando a solução se mostra através de uma porta escancarada (ou para alguns apenas entreaberta). A universidade precisa se reinventar. Para isso precisa estar junto da sociedade, reaprender a beber na fonte e permitir-se transformar-se. Os nossos pares agora precisam estar em todo tempo e espaço. Nossos pares não são mais os catedráticos e dominantes de um saber inatingível. As políticas da divulgação e detenção do conhecimento mudaram. O conhecimento é livre e fluído, “líquido” em uma sociedade dinâmica; está disponível a todos e a qualquer tempo. Não está mais preso nos livros didáticos que ficavam aprisionados em pontos remotos e específicos do planeta, sequer em poucos cérebros privilegiados. O conhecimento é de todos. A transformação e a produção deste conhecimento não dependem mais tão somente dos bancos acadêmicos. Faz-se a hora de mudar para manter a essência e conquistar aliados que possam captar tendências, compreender a dinâmica, entender os fluxos e administrar os processos em meio às inexoráveis mudanças e consequentes adaptações. É chegado o momento da reinvenção.
Title: Da Seleção Natural e da Reinvenção da Universidade
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As universidades são conhecidas por seu inigualável potencial de transformação da sociedade por meio da descoberta, invenção e inserção de novas tecnologias.
Esse potencial é baseado na missão que fundamenta a criação, em 1088, da Universidade de Bolonha, na Itália, que visava a busca da verdade, do bem e do belo, promovendo a controvérsia livre entre propostas rivais.
Essa base, que configura um espaço fértil de ideias, está longe de ser um ambiente limitante.
Muito pelo contrário, precisa semear a todo tempo – na seara dos porquês – a necessidade de mudança, avanço e transformação do conhecimento.
Por isso, muitas vezes, algo considerado verdade absoluta, logo adiante pode ser questionado, reformulado e gerar mais transformação e novas verdades.
Isso reforça especialmente dentro de seus muros – que até pouco tempo eram respeitados até mesmo pelas forças contrárias às ciências – seu inquestionável caráter de autonomia e garantia de liberdade para a investigação e a análise de causas, efeitos e fenômenos em si, sejam naturais ou humanos.
Há muito se faz menção à importância de que o conhecimento chegue com mais fluidez à sociedade, o que, sem sombra de dúvidas, beneficiará a comunidade ainda antes do momento em que a tecnologia materializa o saber – em forma dos mais diversos produtos e serviços.
E este conhecimento deve chegar à sociedade no momento em que ele brota nos bancos acadêmicos, ou ainda, antes mesmo de surgir na academia – porque é inquestionável que a necessidade nasce do mesmo público para o qual o conhecimento, gerado cientificamente, faz e fará toda a diferença.
A sociedade precisa saber reconhecer que este é o mesmo conhecimento que transforma, que realiza sonhos, cura e salva vidas, promove a longevidade, leva o homem ao espaço, permite o uso de redes sociais (sim, o Facebook, o Instagram e o WhatsApp são aplicações de conhecimentos oriundo das universidades), permite que a inteligência artificial “sugira” e “implemente” ações que direcionam vidas, os mercados, a economia e, quem diria, a política.
No cenário atual, de reformulação da narrativa liberal frente à derrocada dos outros modelos de organização socioeconômica, observamos, a despeito do papel e importância destas instituições que congregam ensino, pesquisa e extensão, um momento de questionamentos e tentativas de cerceamento ao livre pensar.
Devemos destacar o contrassenso dessas posturas visto que tais instituições eram até recentemente consideradas, como efetivamente o são, os pilares da sociedade moderna.
Frente às novas possibilidades surgem outras demandas, a sociedade e os mercados dão sinais claros de que precisamos de novos profissionais.
Que profissionais? Sequer sabemos quais são ainda.
Estamos hoje formando para um futuro que desconhecemos.
Estamos formando aqueles e aquelas que irão criar, direcionar e definir as novas profissões.
Cabe reforçar que o mundo avança a passos largos do analógico para o digital.
Não esqueçamos que graças às inúmeras ações de pesquisa garantidas e realizadas por essas instituições, que agora se veem ameaçadas por setores conservadores da sociedade que, ao tentar o cerceamento, conseguem apenas impedir que a universidade possa viabilizar e acelerar os processos que poderiam garantir transformações que se mostram urgentes e necessárias ante as mudanças que se sucedem de modo avassalador afetando todas as dimensões do espaço humano.
Há que se considerar que, uma das constantes da natureza é a mudança, fato absorvido com intensidade e velocidade por instituições como as religiosas, consideradas as mais rígidas justamente por seu caráter dogmático.
Estas instituições e seus dirigentes perceberam as ameaças que se avizinhavam configurando um risco à estabilidade e à sobrevivência de construtos assentados sobre bases de falsa solidez, que não resistiriam ao tempo se não se adaptassem às novas realidades.
Elas se reinventaram e se reinventam na mesma velocidade das mudanças observadas nos horizontes humanos.
Vale mencionar que, em 2019, celebramos os 160 anos de publicação da obra do naturalista inglês Charles Darwin, "Sobre a origem das espécies através da seleção natural", na qual propõe, com toda elegância da simplicidade, os mecanismos hoje adotados até pelas instituições mais rígidas, que se rendem à necessidade de adaptação para garantir a própria sobrevivência.
É incoerente alegarmos não ter respostas para tais situações quando a solução se mostra através de uma porta escancarada (ou para alguns apenas entreaberta).
A universidade precisa se reinventar.
Para isso precisa estar junto da sociedade, reaprender a beber na fonte e permitir-se transformar-se.
Os nossos pares agora precisam estar em todo tempo e espaço.
Nossos pares não são mais os catedráticos e dominantes de um saber inatingível.
As políticas da divulgação e detenção do conhecimento mudaram.
O conhecimento é livre e fluído, “líquido” em uma sociedade dinâmica; está disponível a todos e a qualquer tempo.
Não está mais preso nos livros didáticos que ficavam aprisionados em pontos remotos e específicos do planeta, sequer em poucos cérebros privilegiados.
O conhecimento é de todos.
A transformação e a produção deste conhecimento não dependem mais tão somente dos bancos acadêmicos.
Faz-se a hora de mudar para manter a essência e conquistar aliados que possam captar tendências, compreender a dinâmica, entender os fluxos e administrar os processos em meio às inexoráveis mudanças e consequentes adaptações.
É chegado o momento da reinvenção.

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