Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

PAISAGEM E INTERDITO EM A MENINA MORTA, DE CORNÉLIO PENNA, E NEDJMA, DE KATEB YACINE

View through CrossRef
Este artigo analisa a paisagem nos romances A menina morta (1954), de Cornélio Penna, e Nedjma (1956), do escritor argelino Kateb Yacine. O romance brasileiro, ambientado na época que precede à abolição da escravidão, é atravessado por uma atmosfera de mistério e mau agouro após a morte da filha caçula dos proprietários da fazenda de café. Por sua vez, o romance argelino traz questões concernentes às consequências da colonização, como o apagamento da história, que gera incógnitas sobre o passado da região e de seus habitantes no período que precede a independência da Argélia. Os enigmas presentes na trama se mantêm por meio da forte interdição que estrutura os romances. Eles atuam na paisagem, personificando os elementos da natureza e da topografia nos arredores da fazenda e nas cidades argelinas. A análise pelo viés histórico-social, apoiada nos estudos de Walter Benjamin e de outros teóricos, mostra que a linguagem metafórica em torno da paisagem revela sua estreita ligação com os mistérios que circundam os enredos e traz experiências camufladas ou silenciadas. As imagens que se desprendem das paisagens nas obras revelam, por fim, questões e problemas que estruturam as sociedades brasileira e argelina.
Universidade do Estado da Bahia - Campus X
Title: PAISAGEM E INTERDITO EM A MENINA MORTA, DE CORNÉLIO PENNA, E NEDJMA, DE KATEB YACINE
Description:
Este artigo analisa a paisagem nos romances A menina morta (1954), de Cornélio Penna, e Nedjma (1956), do escritor argelino Kateb Yacine.
O romance brasileiro, ambientado na época que precede à abolição da escravidão, é atravessado por uma atmosfera de mistério e mau agouro após a morte da filha caçula dos proprietários da fazenda de café.
Por sua vez, o romance argelino traz questões concernentes às consequências da colonização, como o apagamento da história, que gera incógnitas sobre o passado da região e de seus habitantes no período que precede a independência da Argélia.
Os enigmas presentes na trama se mantêm por meio da forte interdição que estrutura os romances.
Eles atuam na paisagem, personificando os elementos da natureza e da topografia nos arredores da fazenda e nas cidades argelinas.
A análise pelo viés histórico-social, apoiada nos estudos de Walter Benjamin e de outros teóricos, mostra que a linguagem metafórica em torno da paisagem revela sua estreita ligação com os mistérios que circundam os enredos e traz experiências camufladas ou silenciadas.
As imagens que se desprendem das paisagens nas obras revelam, por fim, questões e problemas que estruturam as sociedades brasileira e argelina.

Related Results

Kateb Yacine-Djamel Allam : de quelques transcendances textuelles
Kateb Yacine-Djamel Allam : de quelques transcendances textuelles
A biographical statement led the concept of this paper, which in this case, highlights Djamel Allam's keen interest in literature along with particular authors and poets, notably K...
Le tragique dans le cycle Nedjma de Kated Yacine
Le tragique dans le cycle Nedjma de Kated Yacine
The Tragic in Kateb Yacine's Nedjma Cycle. Tragic heroes in Kateb Yacine's work live a double passion: desire for Nedjma, woman and figure of the nation, desire for revenge fr...
A Boy Asleep under the Sun
A Boy Asleep under the Sun
Peter Valente’s first encounter with Sandro Penna’s poetry was while translating Pier Paolo Pasolini. At the time, Valente was reading a biography on Pasolini and learned of his cl...
Um itinerário secreto: imagens sobreviventes em Paisagem com dromedário, de Carola Saavedra
Um itinerário secreto: imagens sobreviventes em Paisagem com dromedário, de Carola Saavedra
O artigo enfoca a relação das imagens com o arquivo histórico-cultural, e mais especificamente literário, a partir da obra Paisagem com dromedário, de Carola Saavedra. Tendo em men...
METÁFORAS DA NAÇÃO: CORNÉLIO PENNA E GILBERTO FREYRE
METÁFORAS DA NAÇÃO: CORNÉLIO PENNA E GILBERTO FREYRE
A pequena cidade do interior e a família nos romances de Cornélio Penna são metáforas e metonímias da nação. Comparam-se a ela e são partes que compõem o todo. Reproduzindo o siste...
Notas sobre paisagem e ensino de paisagismo
Notas sobre paisagem e ensino de paisagismo
Assume-se aqui que o objeto do ensino de paisagismo é a paisagem. Essa assunção, que pode parecer óbvia, é simples apenas na aparência. Na verdade, ela exige uma indagação sobre a ...
A REGULARIZAÇÃO DOS ASSENTAMENTOS INFORMAIS COMO PRODUTO DA MODIFICAÇÃO DA PAISAGEM URBANA NA CIDADE EM ISOLAMENTO SOCIAL
A REGULARIZAÇÃO DOS ASSENTAMENTOS INFORMAIS COMO PRODUTO DA MODIFICAÇÃO DA PAISAGEM URBANA NA CIDADE EM ISOLAMENTO SOCIAL
O presente trabalho contribui para o debate referente à regularização dos assentamentos informais como produto da modificação da paisagem urbana na cidade em isolamento social. A p...
A Dramaturgia Musical das Comédias de Luiz Carlos Martins Penna (1838-1874): Companhias, Artistas e Repertórios
A Dramaturgia Musical das Comédias de Luiz Carlos Martins Penna (1838-1874): Companhias, Artistas e Repertórios
O presente artigo tem por objetivo esclarecer a dramaturgia musical (MOTA 2008) das comédias de Luiz Carlos Martins Penna, noção que engloba tanto o texto teatral como sua performa...

Back to Top