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Evolução Clínica, Hematológica e Radiográfica de um Cão com Poliartrite por Leishmaniose Tratado com Miltefosina
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Introdução: A leishmaniose visceral canina causa diversos sinais clínicos, como linfadenomegalia, dermatite esfoliativa, lesões ulcerativas na pele e claudicação. As alterações locomotoras mais comumente relatadas são claudicação, edema, artralgia, rigidez articular e atrofia muscular. O exame radiográfico revelou destruição cortical e medular, aumento ou diminuição da opacidade medular, reação periosteal proliferativa, osteólise, colapso de espaços articulares e edema de partes moles. O objetivo deste relato é descrever a evolução clínica e radiográfica de um caso de poliartrite erosiva associada à leishmaniose em um cão antes, durante e após o tratamento com miltefosina.
Caso: Um cão mestiço de 7 meses de idade foi atendido por dor e dificuldade de locomoção. Na avaliação ortopédica observou-se edema articular, rigidez e aumento da sensibilidade dolorosa dos quatro membros, bem como rigidez de nuca. O exame radiográfico mostrou alterações articulares compatíveis com edema, com aumento de volume e radiopacidade dos tecidos moles adjacentes às articulações. Os segmentos da coluna da paciente apresentavam alterações ósseas mais graves, sendo a coluna cervical uma das regiões mais acometidas, com múltiplas proliferações ósseas por todo o corpo vertebral, principalmente na porção ventral (espondilose), compatível com poliartrite por leishmaniose. Diante da suspeita, foi realizada citologia de linfonodo e baço, confirmando o diagnóstico. O exame hematológico revelou anemia, leucopenia por linfopenia e trombocitopenia, além de aumento de AST (79,4 U/L, referência: 6,2 - 13 U/L), creatina quinase (517,6 U/L, referência: 1,5 - 28,4 U/L), lactato desidrogenase (688,4 UI/L, referência: 45 – 233 UI/L) e hiperproteinemia (7,34 g/dL, referência: 5,4 – 7,1 g/dL). Foi iniciado tratamento com miltefosina, alopurinol, domperidona, prednisona, gabapentina e dipirona. As reavaliações foram realizadas mensalmente durante três meses consecutivos. Os exames hematológicos mostraram melhora, com resolução da anemia e trombocitopenia, e diminuição acentuada dos valores de creatina quinase. Assim, fica evidente que o cão não desenvolveu alterações hepáticas ou renais durante o tratamento. Durante o tratamento e acompanhamento neste período, o cão apresentou melhora clínica, passando a andar sem dor. Além disso, os edemas articulares não estavam mais presentes, porém, não houve melhora na avaliação radiográfica das articulações.
Discussão: Os sinais clínicos do aparelho locomotor são compatíveis com os descritos em animais que apresentaram manifestações osteoarticulares associadas à leishmaniose, como artralgia, edema e rigidez articular. No presente relato, o tratamento com miltefosina associado ao alopurinol resultou em melhora do quadro clínico, sendo esta terapia, portanto, promissora em cães com poliartrite por leishmaniose. Um caso publicado na medicina humana demonstrou a capacidade de absorção intra-articular desta droga. Há apenas um estudo até o momento que descreve a evolução radiográfica de um cão com artrite por leishmaniose após tratamento com miltefosina e alopurinol. Neste caso descrito, o cão relatado permaneceu com as lesões osteoarticulares após o tratamento, embora tenha sido observada melhora clínica, como em nosso relato. O uso de miltefosina e alopurinol estão de acordo com o estadiamento estágio II da leishmaniose. Neste estudo, embora não tenha havido melhora nos exames radiográficos, o tratamento foi eficaz na remissão do quadro clínico do animal.
Title: Evolução Clínica, Hematológica e Radiográfica de um Cão com Poliartrite por Leishmaniose Tratado com Miltefosina
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Introdução: A leishmaniose visceral canina causa diversos sinais clínicos, como linfadenomegalia, dermatite esfoliativa, lesões ulcerativas na pele e claudicação.
As alterações locomotoras mais comumente relatadas são claudicação, edema, artralgia, rigidez articular e atrofia muscular.
O exame radiográfico revelou destruição cortical e medular, aumento ou diminuição da opacidade medular, reação periosteal proliferativa, osteólise, colapso de espaços articulares e edema de partes moles.
O objetivo deste relato é descrever a evolução clínica e radiográfica de um caso de poliartrite erosiva associada à leishmaniose em um cão antes, durante e após o tratamento com miltefosina.
Caso: Um cão mestiço de 7 meses de idade foi atendido por dor e dificuldade de locomoção.
Na avaliação ortopédica observou-se edema articular, rigidez e aumento da sensibilidade dolorosa dos quatro membros, bem como rigidez de nuca.
O exame radiográfico mostrou alterações articulares compatíveis com edema, com aumento de volume e radiopacidade dos tecidos moles adjacentes às articulações.
Os segmentos da coluna da paciente apresentavam alterações ósseas mais graves, sendo a coluna cervical uma das regiões mais acometidas, com múltiplas proliferações ósseas por todo o corpo vertebral, principalmente na porção ventral (espondilose), compatível com poliartrite por leishmaniose.
Diante da suspeita, foi realizada citologia de linfonodo e baço, confirmando o diagnóstico.
O exame hematológico revelou anemia, leucopenia por linfopenia e trombocitopenia, além de aumento de AST (79,4 U/L, referência: 6,2 - 13 U/L), creatina quinase (517,6 U/L, referência: 1,5 - 28,4 U/L), lactato desidrogenase (688,4 UI/L, referência: 45 – 233 UI/L) e hiperproteinemia (7,34 g/dL, referência: 5,4 – 7,1 g/dL).
Foi iniciado tratamento com miltefosina, alopurinol, domperidona, prednisona, gabapentina e dipirona.
As reavaliações foram realizadas mensalmente durante três meses consecutivos.
Os exames hematológicos mostraram melhora, com resolução da anemia e trombocitopenia, e diminuição acentuada dos valores de creatina quinase.
Assim, fica evidente que o cão não desenvolveu alterações hepáticas ou renais durante o tratamento.
Durante o tratamento e acompanhamento neste período, o cão apresentou melhora clínica, passando a andar sem dor.
Além disso, os edemas articulares não estavam mais presentes, porém, não houve melhora na avaliação radiográfica das articulações.
Discussão: Os sinais clínicos do aparelho locomotor são compatíveis com os descritos em animais que apresentaram manifestações osteoarticulares associadas à leishmaniose, como artralgia, edema e rigidez articular.
No presente relato, o tratamento com miltefosina associado ao alopurinol resultou em melhora do quadro clínico, sendo esta terapia, portanto, promissora em cães com poliartrite por leishmaniose.
Um caso publicado na medicina humana demonstrou a capacidade de absorção intra-articular desta droga.
Há apenas um estudo até o momento que descreve a evolução radiográfica de um cão com artrite por leishmaniose após tratamento com miltefosina e alopurinol.
Neste caso descrito, o cão relatado permaneceu com as lesões osteoarticulares após o tratamento, embora tenha sido observada melhora clínica, como em nosso relato.
O uso de miltefosina e alopurinol estão de acordo com o estadiamento estágio II da leishmaniose.
Neste estudo, embora não tenha havido melhora nos exames radiográficos, o tratamento foi eficaz na remissão do quadro clínico do animal.
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