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O USO DE TERAPIAS BIOLÓGICAS E CÉLULAS-TRONCO NO TRATAMENTO DE LESÕES CONDRAIS E OSTEOARTRITE: EVIDÊNCIAS ATUAIS, MECANISMOS E DESAFIOS TRANSLACIONAIS
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Objetivo: Analisar criticamente as evidências disponíveis acerca da utilização de terapias biológicas e células-tronco, com ênfase nas células estromais mesenquimais, plasma rico em plaquetas, produtos derivados de aspirado de medula óssea, terapias acelulares e estratégias de engenharia tecidual, no tratamento de lesões condrais e osteoartrite, considerando mecanismos de ação, eficácia clínica, potencial regenerativo, segurança e limitações translacionais. Método: Revisão narrativa da literatura, com busca estruturada nas bases MEDLINE/PubMed, Embase, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS e SciELO, complementada por busca manual das referências dos estudos selecionados e documentos de sociedades científicas e agências regulatórias. Foram priorizados ensaios clínicos randomizados, estudos prospectivos, revisões sistemáticas, metanálises, estudos translacionais e documentos de consenso publicados nas últimas décadas, com ênfase na literatura contemporânea. A síntese foi realizada de forma narrativa e crítica, considerando a heterogeneidade das fontes celulares, protocolos de processamento, doses, vias de administração, populações estudadas e desfechos clínicos e estruturais. Resultados: As evidências disponíveis indicam que determinadas terapias biológicas podem promover melhora de dor e função em pacientes com osteoartrite, especialmente do joelho. O plasma rico em plaquetas apresenta evidência clínica relativamente mais consolidada para benefício sintomático, embora os resultados sejam influenciados pela composição e pelo protocolo de preparação. As células estromais mesenquimais apresentam potencial imunomodulador, anti inflamatório e reparador, provavelmente mediado predominantemente por mecanismos parácrinos e não exclusivamente pela diferenciação celular em condrócitos. Estudos clínicos demonstram resultados promissores em relação à dor, função e, em determinados trabalhos, parâmetros de imagem, porém ainda não existe evidência consistente de regeneração de cartilagem hialina capaz de modificar definitivamente a história natural da osteoartrite. Nas lesões condrais focais, particularmente em pacientes mais jovens e com doença localizada, as estratégias celulares apresentam potencial adicional, sobretudo quando associadas à engenharia de tecidos e biomateriais. Conclusão: As terapias biológicas e celulares representam estratégias promissoras para preservação articular e modulação dos mecanismos envolvidos nas lesões condrais e osteoartrite, mas a evidência atual ainda não sustenta sua classificação como terapias regenerativas definitivas. A heterogeneidade dos produtos, ausência de padronização, diferenças entre fontes celulares e protocolos terapêuticos e escassez de estudos de longo prazo constituem importantes limitações. A consolidação da medicina regenerativa ortopédica dependerá de ensaios clínicos de elevada qualidade metodológica, padronização dos produtos biológicos, seleção adequada dos pacientes e demonstração de benefícios clínicos e estruturais duradouros.
Title: O USO DE TERAPIAS BIOLÓGICAS E CÉLULAS-TRONCO NO TRATAMENTO DE LESÕES CONDRAIS E OSTEOARTRITE: EVIDÊNCIAS ATUAIS, MECANISMOS E DESAFIOS TRANSLACIONAIS
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Objetivo: Analisar criticamente as evidências disponíveis acerca da utilização de terapias biológicas e células-tronco, com ênfase nas células estromais mesenquimais, plasma rico em plaquetas, produtos derivados de aspirado de medula óssea, terapias acelulares e estratégias de engenharia tecidual, no tratamento de lesões condrais e osteoartrite, considerando mecanismos de ação, eficácia clínica, potencial regenerativo, segurança e limitações translacionais.
Método: Revisão narrativa da literatura, com busca estruturada nas bases MEDLINE/PubMed, Embase, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS e SciELO, complementada por busca manual das referências dos estudos selecionados e documentos de sociedades científicas e agências regulatórias.
Foram priorizados ensaios clínicos randomizados, estudos prospectivos, revisões sistemáticas, metanálises, estudos translacionais e documentos de consenso publicados nas últimas décadas, com ênfase na literatura contemporânea.
A síntese foi realizada de forma narrativa e crítica, considerando a heterogeneidade das fontes celulares, protocolos de processamento, doses, vias de administração, populações estudadas e desfechos clínicos e estruturais.
Resultados: As evidências disponíveis indicam que determinadas terapias biológicas podem promover melhora de dor e função em pacientes com osteoartrite, especialmente do joelho.
O plasma rico em plaquetas apresenta evidência clínica relativamente mais consolidada para benefício sintomático, embora os resultados sejam influenciados pela composição e pelo protocolo de preparação.
As células estromais mesenquimais apresentam potencial imunomodulador, anti inflamatório e reparador, provavelmente mediado predominantemente por mecanismos parácrinos e não exclusivamente pela diferenciação celular em condrócitos.
Estudos clínicos demonstram resultados promissores em relação à dor, função e, em determinados trabalhos, parâmetros de imagem, porém ainda não existe evidência consistente de regeneração de cartilagem hialina capaz de modificar definitivamente a história natural da osteoartrite.
Nas lesões condrais focais, particularmente em pacientes mais jovens e com doença localizada, as estratégias celulares apresentam potencial adicional, sobretudo quando associadas à engenharia de tecidos e biomateriais.
Conclusão: As terapias biológicas e celulares representam estratégias promissoras para preservação articular e modulação dos mecanismos envolvidos nas lesões condrais e osteoartrite, mas a evidência atual ainda não sustenta sua classificação como terapias regenerativas definitivas.
A heterogeneidade dos produtos, ausência de padronização, diferenças entre fontes celulares e protocolos terapêuticos e escassez de estudos de longo prazo constituem importantes limitações.
A consolidação da medicina regenerativa ortopédica dependerá de ensaios clínicos de elevada qualidade metodológica, padronização dos produtos biológicos, seleção adequada dos pacientes e demonstração de benefícios clínicos e estruturais duradouros.
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