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Risco de predação e investimento em características defensivas em Cyclosa fililineata (Araneae: Araneidae)
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As pressões exercidas por predadores podem alterar aspectos morfológicos e comportamentais das presas ao longo do tempo. Entretanto, ainda são escassos os estudos que investigam como sinais de risco induzem mudanças plásticas em características associadas à redução da detecção por predadores. Aranhas do gênero Cyclosa utilizam estratégias de camuflagem, caracterizadas pela construção de estruturas de detritos nas teias, chamadas estabilimento. Além disso, a própria teia também pode atuar como uma pista visual para inimigos naturais, tornando sua arquitetura potencialmente relevante para a detecção da aranha. Dessa forma, esses organismos constituem modelos promissores para compreender como animais respondem plasticamente ao risco de predação do ambiente. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar como o risco de predação pode modular o investimento em camuflagem e a estrutura da teia de Cyclosa fililineata (Araneae: Araneidae). Nossas hipóteses foram de que indivíduos expostos a maior risco de predação (1) investem mais na construção do estabilimento e (2) reduzem o investimento estrutural da teia. Para isso, monitoramos em campo a variação no comprimento do estabilimento e na área da teia de 65 indivíduos juvenis de C. fililineata, estágio do desenvolvimento mais vulnerável a ataques de parasitoides, dos quais 34 indivíduos foram submetidos a ataques simulados por parasitoides e 31 não foram submetidos aos ataques. Nossos resultados mostraram que o risco de predação simulado por ataques de parasitoides não influenciou o investimento em estabilimento nem a área da teia de C. fililineata. Isto sugere que o investimento em estabilimento pode não ser uma resposta prioritária frente a predadores especializados. Além disso, sugerimos que o estágio juvenil das aranhas, que possuem maior demanda energética direcionada para o crescimento, também pode ter limitado o redirecionamento de energia para estratégias de defesa. Da mesma forma, a manutenção da área da teia nos dois grupos experimentais, reforça a hipótese de que, durante essa fase da vida, a prioridade energética das aranhas está voltada ao crescimento, em detrimento de ajustes na arquitetura da teia em resposta ao risco de predação. Nossos resultados sugerem que alocações de defesa podem não ser apenas respostas diretas ao risco, mas também uma consequência da identidade do predador e do custo energético necessário para o crescimento e desenvolvimento nesse estágio, que juntos podem sobrepor o ajuste em estruturas de defesa. Palavras-chave: predador-presa; parasitoides; plasticidade comportamental; estabilimento
Title: Risco de predação e investimento em características defensivas em Cyclosa fililineata (Araneae: Araneidae)
Description:
As pressões exercidas por predadores podem alterar aspectos morfológicos e comportamentais das presas ao longo do tempo.
Entretanto, ainda são escassos os estudos que investigam como sinais de risco induzem mudanças plásticas em características associadas à redução da detecção por predadores.
Aranhas do gênero Cyclosa utilizam estratégias de camuflagem, caracterizadas pela construção de estruturas de detritos nas teias, chamadas estabilimento.
Além disso, a própria teia também pode atuar como uma pista visual para inimigos naturais, tornando sua arquitetura potencialmente relevante para a detecção da aranha.
Dessa forma, esses organismos constituem modelos promissores para compreender como animais respondem plasticamente ao risco de predação do ambiente.
Assim, o objetivo deste estudo foi investigar como o risco de predação pode modular o investimento em camuflagem e a estrutura da teia de Cyclosa fililineata (Araneae: Araneidae).
Nossas hipóteses foram de que indivíduos expostos a maior risco de predação (1) investem mais na construção do estabilimento e (2) reduzem o investimento estrutural da teia.
Para isso, monitoramos em campo a variação no comprimento do estabilimento e na área da teia de 65 indivíduos juvenis de C.
fililineata, estágio do desenvolvimento mais vulnerável a ataques de parasitoides, dos quais 34 indivíduos foram submetidos a ataques simulados por parasitoides e 31 não foram submetidos aos ataques.
Nossos resultados mostraram que o risco de predação simulado por ataques de parasitoides não influenciou o investimento em estabilimento nem a área da teia de C.
fililineata.
Isto sugere que o investimento em estabilimento pode não ser uma resposta prioritária frente a predadores especializados.
Além disso, sugerimos que o estágio juvenil das aranhas, que possuem maior demanda energética direcionada para o crescimento, também pode ter limitado o redirecionamento de energia para estratégias de defesa.
Da mesma forma, a manutenção da área da teia nos dois grupos experimentais, reforça a hipótese de que, durante essa fase da vida, a prioridade energética das aranhas está voltada ao crescimento, em detrimento de ajustes na arquitetura da teia em resposta ao risco de predação.
Nossos resultados sugerem que alocações de defesa podem não ser apenas respostas diretas ao risco, mas também uma consequência da identidade do predador e do custo energético necessário para o crescimento e desenvolvimento nesse estágio, que juntos podem sobrepor o ajuste em estruturas de defesa.
Palavras-chave: predador-presa; parasitoides; plasticidade comportamental; estabilimento.
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