Javascript must be enabled to continue!
Miocardite associada à vacinação contra a COVID-19
View through CrossRef
Introdução: Apesar da existência de diversas vacinas contra a COVID-19 amplamente disponíveis, eficazes e seguras, as campanhas de vacinação enfrentam barreiras ocasionadas por eventos adversos imprevistos e raros. Além da fadiga, febre e mialgias observadas nos ensaios clínicos, a miocardite associada à vacina emergiu como um evento adverso significativo. A utilização da proteína “spike” (S) do SARS-CoV-2 para produzir imunidade levou à preocupação com o potencial de induzir miocardite associada à vacina, pois os cardiomiócitos expressam receptores ECA-2, os quais podem atuar como receptores para a proteína S. Objetivos: Conhecer as incidências de miocardites associadas à vacinação contra a COVID-19 por meio de revisão de literatura. Métodos: Foram selecionados artigos bem avaliados, canalizados na temática proposta e com dados/relatórios robustos na base de dados MEDLINE/PubMed. Foram buscados artigos publicados entre 2021 e 2022 combinando os termos MeSH: “covid”, “vaccine“ e “myocarditis”. A área temática do estudo é Clinica Médica. Resultados: Várias vacinas contra a COVID-19, incluindo as vacinas de RNA Mensageiro (mRNA) BNT162b2, mRNA-1273 e Ad26.COV2-S, utilizaram a proteína S do SARS-CoV-2. Em um estudo realizado com militares americanos previamente saudáveis e com elevado nível de condicionamento físico, em um total de 2,8 milhões de indivíduos, 23 (0,0008%) militares do sexo masculino com idade mediana de 25 (20-51) anos receberam diagnóstico clínico de miocardite. Sete receberam a vacina BNT162b2-mRNA e 16 receberam a vacina mRNA-1273; 20 dos quais desenvolveram sintomas cerca de 4 dias após a segunda dose de uma série de 2 doses adequadamente espaçadas. Em outro estudo realizado pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, Aviram et al. (2022) encontraram resultados semelhantes: em um total de 596.618 pacientes, 8 (0,001%) foram diagnosticados com miocardite; todos após receber a segunda dose da vacina BNT162b2; com idade entre 20 a 34 anos. Alguns estudos utilizando o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas dos Estados Unidos (VAERS) encontraram 1.300 (0,003%) casos de miocardites após mais de 350 milhões de vacinações; a maioria homens (idade média de 24 anos), cerca de 2/3 após a segunda dose com um início médio dos sintomas aproximadamente três dias após a vacinação. A vacina de vetor viral Ad26.COV2-S não foi associada a sinais de miocardite/pericardite, sendo considerada alternativa para pacientes com alto risco de miocardite/pericardite ou com lesões miocárdicas. Apesar disso, ensaios clínicos randomizados demonstram até 95% de eficácia das vacinas de mRNA. Ademais, todos os estudos evidenciaram que as miocardites associadas à vacinação contra a COVID19 podem ser tratadas de forma eficaz com cuidados de suporte, esteroides e/ou medicamentos anti-inflamatórios nãoesteroides. Conclusão: As vacinas que utilizam a tecnologia de mRNA são significativamente associadas a riscos aumentados de miocardite. Evidencia-se ainda a necessidade de vigilância contínua para eventos extremamente raros que podem estar associados a qualquer nova terapia. Por fim, é importante ressaltar que os resultados observados nesses estudos não devem diminuir o entusiasmo por vacinas seguras e altamente eficazes contra a COVID-19, que fornecem o melhor caminho para mitigar a morbidade e a mortalidade da infecção por SARS-CoV2. Resumo- sem apresentação oral. PALAVRAS-CHAVE: COVID-19, Miocardite, RNA Mensageiro, SARS-CoV-2, Vacinação
Title: Miocardite associada à vacinação contra a COVID-19
Description:
Introdução: Apesar da existência de diversas vacinas contra a COVID-19 amplamente disponíveis, eficazes e seguras, as campanhas de vacinação enfrentam barreiras ocasionadas por eventos adversos imprevistos e raros.
Além da fadiga, febre e mialgias observadas nos ensaios clínicos, a miocardite associada à vacina emergiu como um evento adverso significativo.
A utilização da proteína “spike” (S) do SARS-CoV-2 para produzir imunidade levou à preocupação com o potencial de induzir miocardite associada à vacina, pois os cardiomiócitos expressam receptores ECA-2, os quais podem atuar como receptores para a proteína S.
Objetivos: Conhecer as incidências de miocardites associadas à vacinação contra a COVID-19 por meio de revisão de literatura.
Métodos: Foram selecionados artigos bem avaliados, canalizados na temática proposta e com dados/relatórios robustos na base de dados MEDLINE/PubMed.
Foram buscados artigos publicados entre 2021 e 2022 combinando os termos MeSH: “covid”, “vaccine“ e “myocarditis”.
A área temática do estudo é Clinica Médica.
Resultados: Várias vacinas contra a COVID-19, incluindo as vacinas de RNA Mensageiro (mRNA) BNT162b2, mRNA-1273 e Ad26.
COV2-S, utilizaram a proteína S do SARS-CoV-2.
Em um estudo realizado com militares americanos previamente saudáveis e com elevado nível de condicionamento físico, em um total de 2,8 milhões de indivíduos, 23 (0,0008%) militares do sexo masculino com idade mediana de 25 (20-51) anos receberam diagnóstico clínico de miocardite.
Sete receberam a vacina BNT162b2-mRNA e 16 receberam a vacina mRNA-1273; 20 dos quais desenvolveram sintomas cerca de 4 dias após a segunda dose de uma série de 2 doses adequadamente espaçadas.
Em outro estudo realizado pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, Aviram et al.
(2022) encontraram resultados semelhantes: em um total de 596.
618 pacientes, 8 (0,001%) foram diagnosticados com miocardite; todos após receber a segunda dose da vacina BNT162b2; com idade entre 20 a 34 anos.
Alguns estudos utilizando o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas dos Estados Unidos (VAERS) encontraram 1.
300 (0,003%) casos de miocardites após mais de 350 milhões de vacinações; a maioria homens (idade média de 24 anos), cerca de 2/3 após a segunda dose com um início médio dos sintomas aproximadamente três dias após a vacinação.
A vacina de vetor viral Ad26.
COV2-S não foi associada a sinais de miocardite/pericardite, sendo considerada alternativa para pacientes com alto risco de miocardite/pericardite ou com lesões miocárdicas.
Apesar disso, ensaios clínicos randomizados demonstram até 95% de eficácia das vacinas de mRNA.
Ademais, todos os estudos evidenciaram que as miocardites associadas à vacinação contra a COVID19 podem ser tratadas de forma eficaz com cuidados de suporte, esteroides e/ou medicamentos anti-inflamatórios nãoesteroides.
Conclusão: As vacinas que utilizam a tecnologia de mRNA são significativamente associadas a riscos aumentados de miocardite.
Evidencia-se ainda a necessidade de vigilância contínua para eventos extremamente raros que podem estar associados a qualquer nova terapia.
Por fim, é importante ressaltar que os resultados observados nesses estudos não devem diminuir o entusiasmo por vacinas seguras e altamente eficazes contra a COVID-19, que fornecem o melhor caminho para mitigar a morbidade e a mortalidade da infecção por SARS-CoV2.
Resumo- sem apresentação oral.
PALAVRAS-CHAVE: COVID-19, Miocardite, RNA Mensageiro, SARS-CoV-2, Vacinação.
Related Results
Miocardite traumática em um cão por acidente automobilístico: relato de caso
Miocardite traumática em um cão por acidente automobilístico: relato de caso
Resumo: Miocardite é uma doença miocárdica com prognóstico ruim em cães e gatos, e sua etiologiapode ser infecciosa e não-infecciosa, como a miocardite traumática. A miocardite tra...
ANÁLISE DAS EMOÇÕES NO DEBATE SOBRE VACINAÇÃO INFANTIL CONTRA COVID-19 NO TWITTER
ANÁLISE DAS EMOÇÕES NO DEBATE SOBRE VACINAÇÃO INFANTIL CONTRA COVID-19 NO TWITTER
Este estudo objetiva identificar as emoções mobilizadas nas publicações dentro da plataforma Twitter durante a Campanha de Vacinação Infantil contra a Covid-19 no Brasil. Considera...
Vacinação contra a COVID-19: uma análise das desigualdades de acesso em um estado do Nordeste brasileiro
Vacinação contra a COVID-19: uma análise das desigualdades de acesso em um estado do Nordeste brasileiro
O objetivo deste estudo foi analisar a evolução e as disparidades na cobertura da vacinação contra a Covid-19 em Pernambuco durante os anos de 2021 e 2022, utilizando uma abordagem...
IMUNIZAÇÃO DE JOVENS ATLETAS
IMUNIZAÇÃO DE JOVENS ATLETAS
Objetivo: Relatar a experiência proveniente da disciplina de Laboratório de Extensão III do curso de Enfermagem do Centro Universitário do Vale do Jaguaribe, que verificou o cartão...
REVISÃO NARRATIVA E SISTEMÁTICA SOBRE O PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV), VOLTADA PARA USO EM APLICATIVO MÓVEL DE RASTREAMENTO DA VACINAÇÃO ENTRE JOVENS DE ESCOLA PÚBLICA
REVISÃO NARRATIVA E SISTEMÁTICA SOBRE O PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV), VOLTADA PARA USO EM APLICATIVO MÓVEL DE RASTREAMENTO DA VACINAÇÃO ENTRE JOVENS DE ESCOLA PÚBLICA
Introdução: Papilomavírus Humano são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais
de 150 tipos diferentes de HPV, destes, 12 são de alto risco e podem provocar cânc...
VALIDAÇÃO DO RELATO DE VACINAÇÃO CONTRA HEPATITE B COMO MEDIDA DA SITUAÇÃO VACINAL ENTRE UNIVERSITÁRIOS DA ÁREA DA SAÚDE
VALIDAÇÃO DO RELATO DE VACINAÇÃO CONTRA HEPATITE B COMO MEDIDA DA SITUAÇÃO VACINAL ENTRE UNIVERSITÁRIOS DA ÁREA DA SAÚDE
Avaliou-se a validade do relato de vacinação como uma medida da situação vacinal e os fatores associados à discordância da situação vacinal medida pelo relato e registrada no cartã...
Insuficiência Cardíaca Aguda por Provável Miocardite Viral
Insuficiência Cardíaca Aguda por Provável Miocardite Viral
A miocardite caracteriza-se como uma patologia cardíaca secundária à inflamação do miocárdio, com grande variedade de manifestações clínicas. Este relato trata de um paciente com i...
ASPECTOS CLÍNICOS DA MIOCARDITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA
ASPECTOS CLÍNICOS DA MIOCARDITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Este artigo tem por objetivo avaliar os aspectos clínicos da miocardite realizada nos últimos cinco anos. Revisão integrativa no banco de dados da BVS, LILACS, SciELO, PubMed de tr...

