Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

POLÍTICA NA COMUNIDADE DA DIFERENÇA: MICROPOLÍTICA E SEGMENTARIDADE EM MIROSLAV, DELEUZE E GUATTARI

View through CrossRef
A política na comunidade da diferença é o tema deste artigo. O processo político atual, ou seja, nos Estados e nas democracias, é complexo em todos os sentidos e direções, com perigos de totalitarismo e fascismo permeando o plano de existência. Somos diferentes e precisamos compreender a política nas diferenças. Em suas obras, Miroslav Milovic tem como questão a filosofia na modernidade e a filosofia política de como chegamos até aqui onde estamos. A sua obra Comunidade da diferença (Milovic, 2004) desenvolve uma crítica à filosofia tradicional nos pensamentos de filósofos modernos desde Descartes. A motivação de Miroslav nos contagia a continuar pesquisando. Para irmos além, incluímos neste estudo a metafísica da continuidade na filosofia política de Deleuze e Guattari. Eles presenciaram o movimento global de 1968 iniciado na França e escrevem a obra O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1 (Deleuze; Guattari, 2011a) e depois a obra Mil Platôs (Deleuze; Guattari, 2011b, 2011c, 2012a, 2012b, 2012c), que proporcionam conceitos claros relacionados à política e psicanálise, questionando a intersubjetividade contra a produção social de desejos. Inovam com conceitos inéditos como segmentaridade, micropolítica, molar, molecular, linhas desejantes, máquinas abstratas, produção desejante, plano de consistência, massa, classes, minorias, linhas binárias duras, linhas flexíveis e de fuga, linhas suicidárias e círculos segmentários, dentre outros conceitos. O movimento social possui momentos de velocidades e lentidões, sempre em velocidades diferenciadas tendo como motor a política. Está sempre presente nos acontecimentos do mundo provocando, induzindo, modelando, formando, destruindo e reconfigurando consistências e territórios. Está em jogo a possibilidade de mudanças ou a manutenção de inércias dominantes. Sentimos, nas mais variadas vezes, uma impotência em agir para definir ou mesmo escolher rumos nos sentidos que desejamos neste mundo mutante. A força de um corpo é menor do que a força de um coletivo de corpos, os desejos coletivos contêm uma potência política. Raramente visualizamos cenários de ressonâncias criativas para um “novo possível”; precisamos, no contexto atual do mundo, de algo novo na política, na economia e no direito. Ou seja, precisamos de mudanças cognitivas expressivas na cultura e na criação de novos padrões de vida necessários para habitar o planeta. A política deve estar atualizada enquanto instrumento social primordial para as mudanças necessárias e na velocidade adequada. A nova era terrestre, ao nosso entender, já está caracterizada como Tanatoceno, que ultrapassa o limite do Antropoceno e estabelece um limiar de morte das espécies e da humanidade. A Política atual deve estar exposta à filosofia da diferença, dado que sem ela o jogo raso de interesses da ganância devirá em aprofundar as consequências do Tanatoceno, com os perigos já identificados. Este artigo não pretende esgotar a metafísica da continuidade e, tampouco, a filosofia política dos autores ou abranger na quase totalidade o rizoma em que se insere a política na comunidade da diferença. Todavia, pretende pontuar alguns conceitos em uma nova “semiótica perceptiva” que nos permita refletir e agir para a construção de novos mundos possíveis.
Title: POLÍTICA NA COMUNIDADE DA DIFERENÇA: MICROPOLÍTICA E SEGMENTARIDADE EM MIROSLAV, DELEUZE E GUATTARI
Description:
A política na comunidade da diferença é o tema deste artigo.
O processo político atual, ou seja, nos Estados e nas democracias, é complexo em todos os sentidos e direções, com perigos de totalitarismo e fascismo permeando o plano de existência.
Somos diferentes e precisamos compreender a política nas diferenças.
Em suas obras, Miroslav Milovic tem como questão a filosofia na modernidade e a filosofia política de como chegamos até aqui onde estamos.
A sua obra Comunidade da diferença (Milovic, 2004) desenvolve uma crítica à filosofia tradicional nos pensamentos de filósofos modernos desde Descartes.
A motivação de Miroslav nos contagia a continuar pesquisando.
Para irmos além, incluímos neste estudo a metafísica da continuidade na filosofia política de Deleuze e Guattari.
Eles presenciaram o movimento global de 1968 iniciado na França e escrevem a obra O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1 (Deleuze; Guattari, 2011a) e depois a obra Mil Platôs (Deleuze; Guattari, 2011b, 2011c, 2012a, 2012b, 2012c), que proporcionam conceitos claros relacionados à política e psicanálise, questionando a intersubjetividade contra a produção social de desejos.
Inovam com conceitos inéditos como segmentaridade, micropolítica, molar, molecular, linhas desejantes, máquinas abstratas, produção desejante, plano de consistência, massa, classes, minorias, linhas binárias duras, linhas flexíveis e de fuga, linhas suicidárias e círculos segmentários, dentre outros conceitos.
O movimento social possui momentos de velocidades e lentidões, sempre em velocidades diferenciadas tendo como motor a política.
Está sempre presente nos acontecimentos do mundo provocando, induzindo, modelando, formando, destruindo e reconfigurando consistências e territórios.
Está em jogo a possibilidade de mudanças ou a manutenção de inércias dominantes.
Sentimos, nas mais variadas vezes, uma impotência em agir para definir ou mesmo escolher rumos nos sentidos que desejamos neste mundo mutante.
A força de um corpo é menor do que a força de um coletivo de corpos, os desejos coletivos contêm uma potência política.
Raramente visualizamos cenários de ressonâncias criativas para um “novo possível”; precisamos, no contexto atual do mundo, de algo novo na política, na economia e no direito.
Ou seja, precisamos de mudanças cognitivas expressivas na cultura e na criação de novos padrões de vida necessários para habitar o planeta.
A política deve estar atualizada enquanto instrumento social primordial para as mudanças necessárias e na velocidade adequada.
A nova era terrestre, ao nosso entender, já está caracterizada como Tanatoceno, que ultrapassa o limite do Antropoceno e estabelece um limiar de morte das espécies e da humanidade.
A Política atual deve estar exposta à filosofia da diferença, dado que sem ela o jogo raso de interesses da ganância devirá em aprofundar as consequências do Tanatoceno, com os perigos já identificados.
Este artigo não pretende esgotar a metafísica da continuidade e, tampouco, a filosofia política dos autores ou abranger na quase totalidade o rizoma em que se insere a política na comunidade da diferença.
Todavia, pretende pontuar alguns conceitos em uma nova “semiótica perceptiva” que nos permita refletir e agir para a construção de novos mundos possíveis.

Related Results

Cartografias da Arte: da Literatura à Imagem
Cartografias da Arte: da Literatura à Imagem
Este artigo é uma versão em português do primeiro capítulo do livro de Anne Sauvagnargues Deleuze et l’art, publicado em francês em 2005 pela Presses Universitaires de France. Mais...
Urban Free Flow: A Poetics of Parkour
Urban Free Flow: A Poetics of Parkour
Find your black holes and white walls, know them … it is the only way you will be able to dismantle them and draw your lines of flight.—Deleuze and Guattari, A Thousand Plateaus ...
Totalité, sens et structure : Gilles Deleuze, de l’histoire de la philosophie à la philosophie structuraliste (1954-1969)
Totalité, sens et structure : Gilles Deleuze, de l’histoire de la philosophie à la philosophie structuraliste (1954-1969)
Notre thèse vise à éclairer la relation de Gilles Deleuze (1925-1995) avec le structuralisme jusqu’à la fin des années 1960. Soulignons que Deleuze commence sa carrière académique ...
Felix Guattari's Schizoanalytic Ecology
Felix Guattari's Schizoanalytic Ecology
Félix Guattari’s Schizoanalytic Ecology argues that Guattari’s ecosophy, which it regards as a ‘schizoanalytic ecology’ or ‘schizoecology’ for short, is the mos...
Differenciating the Depths: A ‘Jungian Turn’ in Deleuze and Guattari Studies
Differenciating the Depths: A ‘Jungian Turn’ in Deleuze and Guattari Studies
Although it is not clear that Deleuze and Guattari were simply and unambiguously Jungians, they extensively engaged with Jung’s depth psychology in both affirmative and critical wa...
Deleuze Studies in Education
Deleuze Studies in Education
Gilles Deleuze (1925–1995) was a French philosopher, who wrote about literature, art, cinema, other philosophers, capitalism, and schizophrenia. His wide-ranging oeuvre has begun t...
Gilles Deleuze's Luminous Philosophy
Gilles Deleuze's Luminous Philosophy
Providing a comprehensive reading of Deleuzian philosophy, Gilles Deleuze’s Luminous Philosophy argues that this philosophy’s most consisten...
Ibn Khaldûn and Esprit de Corps in Deleuze and Guattari
Ibn Khaldûn and Esprit de Corps in Deleuze and Guattari
In A Thousand Plateaus, Deleuze and Guattari pose the question, ‘What is a collective body?’ This leads them to differentiate between bodies and organisms, attributing esprit de co...

Back to Top