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Dois modos de rememorar/narrar o crime em "Angústia", de Graciliano Ramos, e "Coivara da Memória", de Francisco Dantas

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Será analisado, neste artigo, o estado de angústia em que vivem os narradores-protagonistas, das obras Angústia (1936) e Coivara da memória (1991), após terem supostamente cometido um assassinato. O crime nas duas obras configura-se como fator preponderante para o desenlace das tramas: na obra de Francisco J. C. Dantas, o delito aparece em tom enigmático e em Graciliano Ramos em tom confesso. Enquanto em Coivara da memória, o crime é o responsável pelo rememorar da vida do protagonista, em Angústia, o crime é fator causante de toda narrativa, visto que a aflição do protagonista, descrita no início da obra, tem relação direta com o ato extremo que cometeu. Nesse sentido, o narrador-protagonista de Coivara da memória vive um conflito interno semelhante ao do também narrador-protagonista de Angústia. Nos relatos, os protagonistas se encontram presos, ora preso em suas visões, no caso de Luís da Silva, ora em prisão domiciliar, no caso do serventuário do cartório, ambos estão em estado de agonia, visto não saber o que poderá lhes acontecer. O dito estado aqui é pensado numa perspectiva psicanalítica, a partir do que Freud teoriza sobre a angústia, entendida como “estado afetivo”, ou seja, a angústia a serviço da autoconservação, a ideia de que a angústia seria o retorno a uma série de ameaças que levam ao desamparo, tendo o nascimento como princípio de tudo. Para tanto, tomaremos como norte as obras de Freud, que tratam diretamente da temática abordada, como também, o estudo se fará em diálogo com a fortuna crítica das obras que compõem o corpus dessa análise.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Title: Dois modos de rememorar/narrar o crime em "Angústia", de Graciliano Ramos, e "Coivara da Memória", de Francisco Dantas
Description:
Será analisado, neste artigo, o estado de angústia em que vivem os narradores-protagonistas, das obras Angústia (1936) e Coivara da memória (1991), após terem supostamente cometido um assassinato.
O crime nas duas obras configura-se como fator preponderante para o desenlace das tramas: na obra de Francisco J.
C.
Dantas, o delito aparece em tom enigmático e em Graciliano Ramos em tom confesso.
Enquanto em Coivara da memória, o crime é o responsável pelo rememorar da vida do protagonista, em Angústia, o crime é fator causante de toda narrativa, visto que a aflição do protagonista, descrita no início da obra, tem relação direta com o ato extremo que cometeu.
Nesse sentido, o narrador-protagonista de Coivara da memória vive um conflito interno semelhante ao do também narrador-protagonista de Angústia.
Nos relatos, os protagonistas se encontram presos, ora preso em suas visões, no caso de Luís da Silva, ora em prisão domiciliar, no caso do serventuário do cartório, ambos estão em estado de agonia, visto não saber o que poderá lhes acontecer.
O dito estado aqui é pensado numa perspectiva psicanalítica, a partir do que Freud teoriza sobre a angústia, entendida como “estado afetivo”, ou seja, a angústia a serviço da autoconservação, a ideia de que a angústia seria o retorno a uma série de ameaças que levam ao desamparo, tendo o nascimento como princípio de tudo.
Para tanto, tomaremos como norte as obras de Freud, que tratam diretamente da temática abordada, como também, o estudo se fará em diálogo com a fortuna crítica das obras que compõem o corpus dessa análise.

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