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Aproximações entre Fanon e Coetzee: violência colonial e despersonalização em Life and Times of Michael K e Waiting for the Barbarians

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O presente artigo procura demonstrar como a violência colonial gera um processo de despersonalização nos personagens dos romances Life and Times of Michael K (1984) e Waiting for the Barbarians (1999), de John Maxwell Coetzee, escritor sul-africano vencedor do prêmio Nobel de Literatura. Para tanto, parte-se das reflexões de Frantz Fanon, psiquiatra, ativista e teórico que diagnostica com precisão os efeitos da violência sofrida pelos povos colonizados em suas principais obras: Pele Negra Máscaras Brancas (2008) e Os Condenados da Terra (2005). Os romances analisados no artigo retratam a violência colonial presente na África do Sul durante o regime do apartheid, justificando, assim, a investigação da escrita ficcional de Coetzee por meio do pensamento anticolonial de Fanon. Pretende-se uma abordagem dos romances que ilustre a violência colonial em suas diferentes configurações: a violência física/psicológica, responsável pelo aprisionamento e tortura do corpo colonizado; a violência material, relacionada à usurpação da terra do colonizado pelo colonizador; e a violência cultural/simbólica, que desumaniza o colonizado, aniquilando sua identidade. Por fim, traz-se uma reflexão sobre as formas de resistência apresentadas nos romances. A libertação do oprimido por meio do conflito violento, ação política prescrita por Fanon, não acontece. Para os personagens de Coetzee, resta apenas a capacidade de resiliência frente à opressão colonial.
Title: Aproximações entre Fanon e Coetzee: violência colonial e despersonalização em Life and Times of Michael K e Waiting for the Barbarians
Description:
O presente artigo procura demonstrar como a violência colonial gera um processo de despersonalização nos personagens dos romances Life and Times of Michael K (1984) e Waiting for the Barbarians (1999), de John Maxwell Coetzee, escritor sul-africano vencedor do prêmio Nobel de Literatura.
Para tanto, parte-se das reflexões de Frantz Fanon, psiquiatra, ativista e teórico que diagnostica com precisão os efeitos da violência sofrida pelos povos colonizados em suas principais obras: Pele Negra Máscaras Brancas (2008) e Os Condenados da Terra (2005).
Os romances analisados no artigo retratam a violência colonial presente na África do Sul durante o regime do apartheid, justificando, assim, a investigação da escrita ficcional de Coetzee por meio do pensamento anticolonial de Fanon.
Pretende-se uma abordagem dos romances que ilustre a violência colonial em suas diferentes configurações: a violência física/psicológica, responsável pelo aprisionamento e tortura do corpo colonizado; a violência material, relacionada à usurpação da terra do colonizado pelo colonizador; e a violência cultural/simbólica, que desumaniza o colonizado, aniquilando sua identidade.
Por fim, traz-se uma reflexão sobre as formas de resistência apresentadas nos romances.
A libertação do oprimido por meio do conflito violento, ação política prescrita por Fanon, não acontece.
Para os personagens de Coetzee, resta apenas a capacidade de resiliência frente à opressão colonial.

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