Javascript must be enabled to continue!
Transexualidade – desafios na adesão à terapia hormonal de usuários do ambulatório de assistência especializada para pessoas travestis e transgênero do Distrito Federal
View through CrossRef
O número de transexuais necessitando de cuidados de afirmação de gênero vem crescendo, no entanto, a assistência integral à saúde da população trans, bem como a instituição de um processo transexualizador universal e equitativo ainda permanece um desafio. Nesse contexto, a presente pesquisa destinou-se a analisar os fatores que interferem na adesão à terapia hormonal em usuários do Ambulatório de Assistência Especializada para Pessoas Travestis e Transgênero do Distrito Federal do Hospital Dia (Brasília - DF), com vistas a: delinear o perfil dos pacientes que realizam terapia hormonal; analisar a taxa de adesão ao tratamento hormonal; identificar as principais causas de descontinuidade do seguimento endocrinológico/hormonioterapia e comparar as taxas dessa descontinuidade entre homens e mulheres transexuais no ambulatório trans do DF. Foi realizado um estudo observacional, de caráter transversal e retrospectivo, por meio de análise documental da Ficha de admissão ao ambulatório trans e do Guia de entrevista interdisciplinar de acolhimento do ambulatório trans de 346 usuários admitidos entre 22/08/2017 a 14/02/2019, além dos seus respectivos prontuários físicos e eletrônicos, o que resultou em 201 indivíduos selecionados para este estudo. Após identificação de 127 pacientes em seguimento endocrinológico regular no ambulatório e 74 que descontinuaram a terapia hormonal orientada por endocrinologista deste centro especializado, foi realizada busca ativa deste último grupo com intuito de elucidar as causas que cercam a descontinuidade do acompanhamento. Concluiu-se que o perfil do usuário que iniciou tratamento hormonal com orientações do endocrinologista do ambulatório se configura, principalmente por homens trans, menores de 30 anos e com predomínio de educação formal igual ou superior a 9 anos. Houve uma taxa de adesão à hormonioterapia de 63,2%, em comparação a uma taxa de abandono de 36,8%, sendo esta descontinuidade maior entre as mulheres trans que iniciaram a hormonização. Os principais motivos de abandono identificados foram a dificuldade de marcação das consultas e/ou o acesso ao ambulatório (distância, transporte e recursos financeiros). A maior parte dos pacientes que estão usando hormônios sem acompanhamento médico segue a mesma prescrição feita pelo endocrinologista do ambulatório. Este campo de estudo ainda é pouco explorado, a falta de dados e de documentos oficiais brasileiros sobre esse tema reafirma a situação de marginalização em que a população trans está inserida. Esta pesquisa buscou trazer visibilidade para a pauta, além de suscitar pesquisas futuras no que tange a saúde trans.
Centro de Ensino Unificado de Brasilia
Title: Transexualidade – desafios na adesão à terapia hormonal de usuários do ambulatório de assistência especializada para pessoas travestis e transgênero do Distrito Federal
Description:
O número de transexuais necessitando de cuidados de afirmação de gênero vem crescendo, no entanto, a assistência integral à saúde da população trans, bem como a instituição de um processo transexualizador universal e equitativo ainda permanece um desafio.
Nesse contexto, a presente pesquisa destinou-se a analisar os fatores que interferem na adesão à terapia hormonal em usuários do Ambulatório de Assistência Especializada para Pessoas Travestis e Transgênero do Distrito Federal do Hospital Dia (Brasília - DF), com vistas a: delinear o perfil dos pacientes que realizam terapia hormonal; analisar a taxa de adesão ao tratamento hormonal; identificar as principais causas de descontinuidade do seguimento endocrinológico/hormonioterapia e comparar as taxas dessa descontinuidade entre homens e mulheres transexuais no ambulatório trans do DF.
Foi realizado um estudo observacional, de caráter transversal e retrospectivo, por meio de análise documental da Ficha de admissão ao ambulatório trans e do Guia de entrevista interdisciplinar de acolhimento do ambulatório trans de 346 usuários admitidos entre 22/08/2017 a 14/02/2019, além dos seus respectivos prontuários físicos e eletrônicos, o que resultou em 201 indivíduos selecionados para este estudo.
Após identificação de 127 pacientes em seguimento endocrinológico regular no ambulatório e 74 que descontinuaram a terapia hormonal orientada por endocrinologista deste centro especializado, foi realizada busca ativa deste último grupo com intuito de elucidar as causas que cercam a descontinuidade do acompanhamento.
Concluiu-se que o perfil do usuário que iniciou tratamento hormonal com orientações do endocrinologista do ambulatório se configura, principalmente por homens trans, menores de 30 anos e com predomínio de educação formal igual ou superior a 9 anos.
Houve uma taxa de adesão à hormonioterapia de 63,2%, em comparação a uma taxa de abandono de 36,8%, sendo esta descontinuidade maior entre as mulheres trans que iniciaram a hormonização.
Os principais motivos de abandono identificados foram a dificuldade de marcação das consultas e/ou o acesso ao ambulatório (distância, transporte e recursos financeiros).
A maior parte dos pacientes que estão usando hormônios sem acompanhamento médico segue a mesma prescrição feita pelo endocrinologista do ambulatório.
Este campo de estudo ainda é pouco explorado, a falta de dados e de documentos oficiais brasileiros sobre esse tema reafirma a situação de marginalização em que a população trans está inserida.
Esta pesquisa buscou trazer visibilidade para a pauta, além de suscitar pesquisas futuras no que tange a saúde trans.
Related Results
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
Danilo Hudson Vieira de Souza1
Priscilla Bárbara Campos
Daniel dos Santos Fernandes
RESUMO
A gravidez ...
Psicologia e assistência social: diálogos possíveis
Psicologia e assistência social: diálogos possíveis
A política pública de assistência social representa, na atualidade, um dos principais campos de emprego para psicólogos brasileiros, sendo uma das responsáveis pela expansão e inte...
Indicadores epidemiológicos de saúde da população de transgênero no Distrito Federal
Indicadores epidemiológicos de saúde da população de transgênero no Distrito Federal
O cuidado integral do paciente transgênero é um desafio na área da saúde uma vez querequer a preparação das instituições para prestar um serviço de qualidade e a participação dospr...
Análise Fatorial da Utrecht Gender Dysphoria Scale - Gender Spectrum para Mensuração de Incongruência de Gênero em Pessoas Transgênero
Análise Fatorial da Utrecht Gender Dysphoria Scale - Gender Spectrum para Mensuração de Incongruência de Gênero em Pessoas Transgênero
Introdução: A Incongruência de Gênero (IG), definida como a dissonância entre o gênero experienciado e o atribuído ao nascer, pode levar a taxas mais altas de depressão e ansiedade...
OS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS
OS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS
I. Organização do funcionalismo municipal1. A Autonomia dos Municípios e a organização de seu funcionalismo — A Constituição Federal assegura, aos Municípios, a autonomia de autogo...
SEMANA DE ENFERMAGEM E SEUS ASPECTOS SOCIAIS NA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DO GRUPO PET-ENFERMAGEM
SEMANA DE ENFERMAGEM E SEUS ASPECTOS SOCIAIS NA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DO GRUPO PET-ENFERMAGEM
A enfermagem é o pilar da assistência pois está na linha de frente do cuidado holístico, todavia esta é estigmatizada e desvalorizada, assim como não possui reconhecimento consider...
Avaliação da adesão de pacientes com lúpus ao tratamento com imunobiológicos
Avaliação da adesão de pacientes com lúpus ao tratamento com imunobiológicos
Introdução: O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica, caracterizada por períodos de remissões e recidivas. Parte desses pacientes utiliza imunobio...
TECNOLOGIA E INCLUSÃO: FERRAMENTAS E PRÁTICAS PARA UM MUNDO DIGITAL ACESSÍVEL
TECNOLOGIA E INCLUSÃO: FERRAMENTAS E PRÁTICAS PARA UM MUNDO DIGITAL ACESSÍVEL
A tecnologia, em sua constante evolução, tem se estabelecido como uma ferramenta poderosa para promover a inclusão e ampliar o acesso à informação, educação e oportunidades. O livr...

