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Miguel Torga e sua geografia nativa: paisagens inscritas.

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A obra de Miguel Torga (1907-1995) é de reconhecida importância no contexto da literatura portuguesa do século XX. Disso são provas a recepção do Prêmio Camões em 1989 e a já extensa fortuna crítica publicada em Portugal e no Brasil. Um dos temas recorrentes nesses trabalhos críticos é a relação do escritor com a terra, a força telúrica tanto em sua prosa como na poesia. Neste artigo, trataremos das paisagens inscritas em sua escrita a partir do Diário de Miguel Torga (vols. I a VIII, de 1934 a 1959). Em muitas de suas anotações, o escritor demonstra a importância da geografia transmontana para configuração de sua escrita literária, sobretudo sua terra natal, S. Martinho de Anta (Concelho de Sabrosa) e espaços próximos. Na relação de Torga com essa paisagem, poderemos examinar determinadas linhas de compreensão de sua obra literária humanista e ética. Não à toa, em seu pseudônimo autoral, destaca-se “torga”, vegetação de montanha que se agarra às rochas, com suas raízes fortes e caule retilíneo, assim como sua escrita profundamente ligada à paisagem rural transmontana, agreste e rigorosa, mas profundamente sensível ao humano em sua miséria ou grandeza.
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Title: Miguel Torga e sua geografia nativa: paisagens inscritas.
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A obra de Miguel Torga (1907-1995) é de reconhecida importância no contexto da literatura portuguesa do século XX.
Disso são provas a recepção do Prêmio Camões em 1989 e a já extensa fortuna crítica publicada em Portugal e no Brasil.
Um dos temas recorrentes nesses trabalhos críticos é a relação do escritor com a terra, a força telúrica tanto em sua prosa como na poesia.
Neste artigo, trataremos das paisagens inscritas em sua escrita a partir do Diário de Miguel Torga (vols.
I a VIII, de 1934 a 1959).
Em muitas de suas anotações, o escritor demonstra a importância da geografia transmontana para configuração de sua escrita literária, sobretudo sua terra natal, S.
Martinho de Anta (Concelho de Sabrosa) e espaços próximos.
Na relação de Torga com essa paisagem, poderemos examinar determinadas linhas de compreensão de sua obra literária humanista e ética.
Não à toa, em seu pseudônimo autoral, destaca-se “torga”, vegetação de montanha que se agarra às rochas, com suas raízes fortes e caule retilíneo, assim como sua escrita profundamente ligada à paisagem rural transmontana, agreste e rigorosa, mas profundamente sensível ao humano em sua miséria ou grandeza.

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