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A ARTE COMO NEGÓCIO: O LAZER E A ECONOMIA DO CINEMA EM FEIRA DE SANTANA, DE 1910 A 1920
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Entre a última década do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, o cinema, cuja estreia se deu em 1889, encontrava-se em crise no cenário Europeu em virtude de sua concorrência advinda da disputa nos negócios cinematográficos entre franceses e estadunidenses.É em meio a essa disputa por mercados que se dá o aumento da exibição de filmes estadunidenses no mercado interno americano, com uma maior tiragem de cópias de filmes. No entanto, a despeito do crescimento americano, no resto do mundo, a indústria cinematográfica francesa ainda era hegemônica, por ser responsável por 60% a 70% dos filmes exportados em todo mundo (SADOUL, 1962: 17).Com o avanço das exibições de filmes dos Estados Unidos, a Bahia, que exibia em sua maioria filmes franceses, passou a ter um volume maior de filmes americanos em torno de 1917 e 1918. Neste momento, o cinema era um divertimento tanto popular como de elite, sendo o público baiano, do cinema e do teatro, praticamente o mesmo. O grau de importância conferido a um cine-romance e uma peça teatral por exemplo, equiparavam-se, e a única diferença entre cinema e teatro era o preço da entrada (mil réis para o primeiro, três mil para o segundo) (SILVEIRA, 1978: 52). Tudo isso coincidiu com a entrada da influência americana na Bahia, que ocorreu não só no cinema, como também nos negócios (que mostravam a relação econômica entre esse estado e os Estados Unidos) e nos hábitos de comportamento e de vestimenta. O domínio do mercado cinematográfico baiano se caracterizava, agora, por filmes americanos. O cinematógrafo em Salvador tinha, portanto, caráter divulgador de novos padrões estéticos e de comportamentos (FONSECA, 2002: 198).De acordo com Santos, Feira de Santana também vivenciou essa experiência cinematográfica, mas com menor intensidade, já que a cidade veio a ter seu primeiro Cine-teatro em 1919 (Cine Theatro de Sant’Anna), e mais um cinema em 1920 (Cine Brasil). (SANTOS, 2012: 99). O desenhar das sociabilidades feito pelo cinema em Feira de Santana se deu em um contexto de desenvolvimento comercial, aumento populacional e adoção do discurso que sustentava o ideal de cidade civilizada, onde surgem espaços de lazer na cidade, provenientes da comunicação disposta por conta destas características, somadas ao perfil histórico e geográfico da cidade entroncamento. Tudo isso contribuiu para que o cinema fosse um delineador de hábitos e, concomitantemente, um bom negócio.O cinema como um produto cultural, artístico e como meio de sociabilidade, desenha e influencia hábitos que marcam sociedades. Tudo isso não acontece desvinculado das mudanças que ocorrem no setor econômico político e cultural de um determinado período histórico. Com a dimensão econômica do cinema não é diferente; ela deve ser analisada levando em consideração qualquer alteração operada em setores de qualquer negócio (CAIRO, 1956: 14).É pelo entendimento de que o avanço do cinema como fenômeno social, anda de mãosdadas com seu crescimento econômico, que este estudo sobre o cinema em Feira de Santana sepropôs a investigar como o cinema se tornou um negócio rentável entre as artes da dita Princesado Sertão entre 1910 a 1920 e quais as implicações de sua consolidação como negócio paratransformações nas práticas de lazer e sociabilidade da sociedade local.
Universidade Estadual de Feira de Santana
Title: A ARTE COMO NEGÓCIO: O LAZER E A ECONOMIA DO CINEMA EM FEIRA DE SANTANA, DE 1910 A 1920
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Entre a última década do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, o cinema, cuja estreia se deu em 1889, encontrava-se em crise no cenário Europeu em virtude de sua concorrência advinda da disputa nos negócios cinematográficos entre franceses e estadunidenses.
É em meio a essa disputa por mercados que se dá o aumento da exibição de filmes estadunidenses no mercado interno americano, com uma maior tiragem de cópias de filmes.
No entanto, a despeito do crescimento americano, no resto do mundo, a indústria cinematográfica francesa ainda era hegemônica, por ser responsável por 60% a 70% dos filmes exportados em todo mundo (SADOUL, 1962: 17).
Com o avanço das exibições de filmes dos Estados Unidos, a Bahia, que exibia em sua maioria filmes franceses, passou a ter um volume maior de filmes americanos em torno de 1917 e 1918.
Neste momento, o cinema era um divertimento tanto popular como de elite, sendo o público baiano, do cinema e do teatro, praticamente o mesmo.
O grau de importância conferido a um cine-romance e uma peça teatral por exemplo, equiparavam-se, e a única diferença entre cinema e teatro era o preço da entrada (mil réis para o primeiro, três mil para o segundo) (SILVEIRA, 1978: 52).
Tudo isso coincidiu com a entrada da influência americana na Bahia, que ocorreu não só no cinema, como também nos negócios (que mostravam a relação econômica entre esse estado e os Estados Unidos) e nos hábitos de comportamento e de vestimenta.
O domínio do mercado cinematográfico baiano se caracterizava, agora, por filmes americanos.
O cinematógrafo em Salvador tinha, portanto, caráter divulgador de novos padrões estéticos e de comportamentos (FONSECA, 2002: 198).
De acordo com Santos, Feira de Santana também vivenciou essa experiência cinematográfica, mas com menor intensidade, já que a cidade veio a ter seu primeiro Cine-teatro em 1919 (Cine Theatro de Sant’Anna), e mais um cinema em 1920 (Cine Brasil).
(SANTOS, 2012: 99).
O desenhar das sociabilidades feito pelo cinema em Feira de Santana se deu em um contexto de desenvolvimento comercial, aumento populacional e adoção do discurso que sustentava o ideal de cidade civilizada, onde surgem espaços de lazer na cidade, provenientes da comunicação disposta por conta destas características, somadas ao perfil histórico e geográfico da cidade entroncamento.
Tudo isso contribuiu para que o cinema fosse um delineador de hábitos e, concomitantemente, um bom negócio.
O cinema como um produto cultural, artístico e como meio de sociabilidade, desenha e influencia hábitos que marcam sociedades.
Tudo isso não acontece desvinculado das mudanças que ocorrem no setor econômico político e cultural de um determinado período histórico.
Com a dimensão econômica do cinema não é diferente; ela deve ser analisada levando em consideração qualquer alteração operada em setores de qualquer negócio (CAIRO, 1956: 14).
É pelo entendimento de que o avanço do cinema como fenômeno social, anda de mãosdadas com seu crescimento econômico, que este estudo sobre o cinema em Feira de Santana sepropôs a investigar como o cinema se tornou um negócio rentável entre as artes da dita Princesado Sertão entre 1910 a 1920 e quais as implicações de sua consolidação como negócio paratransformações nas práticas de lazer e sociabilidade da sociedade local.
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