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Acúmulo de alumínio em Melastomataceae ocorrentes nos campos rupestres da Serra de Ouro Branco (MG)
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A Serra de Ouro Branco (SOB) compõe a Cadeia do Espinhaço, região que abriga a maioria dos campos rupestres (CR) quartzíticos no Brasil. Os campos rupestres são marcados por inúmeros filtros ambientais, responsáveis pela seleção de variadas adaptações em plantas ao longo da evolução. A presente pesquisa avaliou o acúmulo de Al em vinte e duas espécies da família Melastomataceae que ocorrem na SOB. Aqui, procuramos afirmar as seguintes hipóteses: as plantas da família Melastomataceae dos CR, acumulam alumínio em sua parte aérea, independente do hábito e da quantidade do metal no solo; os principais sítios de acúmulo são as paredes de natureza pecto-celulósica e o conteúdo citoplasmático de diferentes tipos celulares, os núcleos, cloroplastos e tricomas; os sítios de acúmulo do Al se sobrepõem aos de compostos fenólicos, de Si e Ca, sugerindo a complexação desses elementos como detoxificação interna do metal. Solos de três ambientes da SOB foram coletados e submetidos à análise química. Amostras de folhas e caules foram quantificadas quimicamente para determinação dos teores de Al, P, K, Ca, Mg e Fe. Cortes anatômicos de folhas e caules, incluídos em historesina, foram corados com Chrome Azurol S, Dicromato de Potássio, PAS e Vermelho Neutro, para detecção de Al, polifenóis, mucilagens e cutícula, respectivamente. Folhas e caules de 17 espécies foram submetidos à microanálise de Raios-X, para mapeamento de Al, Si, Ca, Mn e Fe. Os resultados apontam que os solos da SOB são ácidos, oligotróficos e altamente saturados por Al. Todas as espécies são acumuladoras de Al, sendo três delas hiperacumuladoras do metal. O Al tem preferência pelas paredes de natureza pecto-celulósica. Os tricomas, cutícula propriamente dita, núcleos, cloroplastos, conteúdo celular das esclereídes, floema e células parenquimáticas associadas ao xilema e mucilagens apresentaram reação positiva para Al. Observou-se complexação entre Al e Si e formação de cristais de silicato de alumínio. Não houve superposição entre os sítios de Al com os de Ca e compostos fenólicos. A hipótese de complexação do Al com Ca e compostos fenólicos não foi confirmada. O presente trabalho é inédito em relação ao acúmulo de Al por plantas de CR e representa um avanço no entendimento da ecofiosiologia de espécies desse tipo de vegetação. Palavras-chave: Histolocalização de Al; Al em Myrtales; Cadeia do Espinhaço.
Title: Acúmulo de alumínio em Melastomataceae ocorrentes nos campos rupestres da Serra de Ouro Branco (MG)
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A Serra de Ouro Branco (SOB) compõe a Cadeia do Espinhaço, região que abriga a maioria dos campos rupestres (CR) quartzíticos no Brasil.
Os campos rupestres são marcados por inúmeros filtros ambientais, responsáveis pela seleção de variadas adaptações em plantas ao longo da evolução.
A presente pesquisa avaliou o acúmulo de Al em vinte e duas espécies da família Melastomataceae que ocorrem na SOB.
Aqui, procuramos afirmar as seguintes hipóteses: as plantas da família Melastomataceae dos CR, acumulam alumínio em sua parte aérea, independente do hábito e da quantidade do metal no solo; os principais sítios de acúmulo são as paredes de natureza pecto-celulósica e o conteúdo citoplasmático de diferentes tipos celulares, os núcleos, cloroplastos e tricomas; os sítios de acúmulo do Al se sobrepõem aos de compostos fenólicos, de Si e Ca, sugerindo a complexação desses elementos como detoxificação interna do metal.
Solos de três ambientes da SOB foram coletados e submetidos à análise química.
Amostras de folhas e caules foram quantificadas quimicamente para determinação dos teores de Al, P, K, Ca, Mg e Fe.
Cortes anatômicos de folhas e caules, incluídos em historesina, foram corados com Chrome Azurol S, Dicromato de Potássio, PAS e Vermelho Neutro, para detecção de Al, polifenóis, mucilagens e cutícula, respectivamente.
Folhas e caules de 17 espécies foram submetidos à microanálise de Raios-X, para mapeamento de Al, Si, Ca, Mn e Fe.
Os resultados apontam que os solos da SOB são ácidos, oligotróficos e altamente saturados por Al.
Todas as espécies são acumuladoras de Al, sendo três delas hiperacumuladoras do metal.
O Al tem preferência pelas paredes de natureza pecto-celulósica.
Os tricomas, cutícula propriamente dita, núcleos, cloroplastos, conteúdo celular das esclereídes, floema e células parenquimáticas associadas ao xilema e mucilagens apresentaram reação positiva para Al.
Observou-se complexação entre Al e Si e formação de cristais de silicato de alumínio.
Não houve superposição entre os sítios de Al com os de Ca e compostos fenólicos.
A hipótese de complexação do Al com Ca e compostos fenólicos não foi confirmada.
O presente trabalho é inédito em relação ao acúmulo de Al por plantas de CR e representa um avanço no entendimento da ecofiosiologia de espécies desse tipo de vegetação.
Palavras-chave: Histolocalização de Al; Al em Myrtales; Cadeia do Espinhaço.
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