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Úlceras de córnea em cães - tratamento com o polímero sintético PBAT

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Histórico: A ceratite ulcerativa é uma condição comum em cães que, se não tratada, pode ocasionar a perda da visão. O emprego de membranas à base de polímeros naturais ou sintéticos tem se tornado uma alternativa viável no reparo deste tipo de lesão, pois eles são sustentáveis, biodegradáveis, não tóxicos e apresentam excelentes propriedades mecânicas como resistência a impactos e boa flexibilidade, o que permite sua aplicação na área médica.  O presente trabalho teve como objetivo avaliar clinicamente os efeitos da membrana de poli(butileno adipato co-tereftalato) (PBAT) e amido termoplástico (TPS) como enxerto sintético na técnica de ceratoplastia lamelar para o tratamento de úlceras de córnea em cães. Caso: Para isto, foram selecionados seis cães que, após avaliações pré-cirurgicas, foram submetidos ao procedimento de ceratoplastia lamelar utilizando-se a membrana de PBAT/TPS no recobrimento da região ulcerada. Os pacientes foram submetidos a avaliações oftalmológicas antes da cirurgia (M0) e ao 3º, 7º, 15º e 30º dias de pós-operatório (M3, M7e M15, respectivamente). No pós-operatório, os animais mostraram que o blefarospasmo foi leve até M3, tornando-se ausente no M30; já a secreção ocular esteve levemente presente até M7e ausente a partir de então.  A hiperemia conjuntival foi intensa no M0 e regrediu até M15. Vascularização corneal foi observada a partir do M7, tornando-se intensa no M15. Após remoção da membrana aos 30 dias, observou-se a cicatrização da córnea e a manutenção da estrutura do bulbo do olho. Discussão: A evolução clínica dos animais submetidos ao tratamento com a membrana de PBAT/ TPS foi semelhante à relatada por técnicas já estabelecidas, tais como: enxerto conjuntival livre e pediculado ou com emprego da escama de sardinha e cápsula renal equina preservada (Andrade et al. 1999, Laus et al. 2000). Em ambos, houve boa cicatrização corneana e não se observaram lesões de padrão colagenolítico (do tipo melting), nem sinais clínicos de extrusão da membrana A preferência pelo uso da membrana de PBAT/TPS na proporção 60:40 se deu pelo fato de esta apresentar uma textura mais maleável, que seria mais confortável aos olhos dos animais incluídos no estudo, além dela ter sido utilizada no tratamento clínico de outras afecções (Wei et al.2015). Ademais, a proporção de TPS adicionada ao PBAT (40:60) baseou-se nos melhores resultados em relação a custos, performance e biodegradabilidade, pois a força tênsil do TPS se mantém estável em concentrações menores que 10% e maiores que 30% (Wei et.al. 2016). Para a aplicação da membrana, ora empregou-se um padrão de sutura contínuo, ora interrompido, variando de acordo com sua acomodação no leito da úlcera e curvatura da córnea. Dentre os parâmetros avaliados estão a vascularização corneana, a qual, todos os casos, aumentou e atingiu seu pico em M15, permitindo inferir que a presença da membrana exerça estímulo inflamatório crônico local, o que coincide com o pico da estimulação angiogênica da córnea nos pacientes incluídos no estudo. O blefarospasmo, embora presente, foi considerado leve até o terceiro dia de avaliação, tornando-se ausente até o final da observação clínica (M30). A hiperemia conjuntival observada é comum em quadros conjuntivites agudas, portanto, sua ocorrência já era esperada com a realização do procedimento cirúrgico. O predomínio de secreção mucoide encontrada nestes pacientes foi provavelmente decorrente de processo inflamatório conjuntival associado à gravidade das úlceras e às doenças de base, que deflagraram o estímulo das células caliciformes (Gelatt, 2013). Com a correção destas ocorrências durante o procedimento de colocação da membrana, extinguiu-se a secreção, permitindo concluir que a membrana de PBAT/TPS é uma alternativa terapêutica viável para o tratamento de úlceras de córnea em animais.
Title: Úlceras de córnea em cães - tratamento com o polímero sintético PBAT
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Histórico: A ceratite ulcerativa é uma condição comum em cães que, se não tratada, pode ocasionar a perda da visão.
O emprego de membranas à base de polímeros naturais ou sintéticos tem se tornado uma alternativa viável no reparo deste tipo de lesão, pois eles são sustentáveis, biodegradáveis, não tóxicos e apresentam excelentes propriedades mecânicas como resistência a impactos e boa flexibilidade, o que permite sua aplicação na área médica.
 O presente trabalho teve como objetivo avaliar clinicamente os efeitos da membrana de poli(butileno adipato co-tereftalato) (PBAT) e amido termoplástico (TPS) como enxerto sintético na técnica de ceratoplastia lamelar para o tratamento de úlceras de córnea em cães.
Caso: Para isto, foram selecionados seis cães que, após avaliações pré-cirurgicas, foram submetidos ao procedimento de ceratoplastia lamelar utilizando-se a membrana de PBAT/TPS no recobrimento da região ulcerada.
Os pacientes foram submetidos a avaliações oftalmológicas antes da cirurgia (M0) e ao 3º, 7º, 15º e 30º dias de pós-operatório (M3, M7e M15, respectivamente).
No pós-operatório, os animais mostraram que o blefarospasmo foi leve até M3, tornando-se ausente no M30; já a secreção ocular esteve levemente presente até M7e ausente a partir de então.
 A hiperemia conjuntival foi intensa no M0 e regrediu até M15.
Vascularização corneal foi observada a partir do M7, tornando-se intensa no M15.
Após remoção da membrana aos 30 dias, observou-se a cicatrização da córnea e a manutenção da estrutura do bulbo do olho.
Discussão: A evolução clínica dos animais submetidos ao tratamento com a membrana de PBAT/ TPS foi semelhante à relatada por técnicas já estabelecidas, tais como: enxerto conjuntival livre e pediculado ou com emprego da escama de sardinha e cápsula renal equina preservada (Andrade et al.
1999, Laus et al.
2000).
Em ambos, houve boa cicatrização corneana e não se observaram lesões de padrão colagenolítico (do tipo melting), nem sinais clínicos de extrusão da membrana A preferência pelo uso da membrana de PBAT/TPS na proporção 60:40 se deu pelo fato de esta apresentar uma textura mais maleável, que seria mais confortável aos olhos dos animais incluídos no estudo, além dela ter sido utilizada no tratamento clínico de outras afecções (Wei et al.
2015).
Ademais, a proporção de TPS adicionada ao PBAT (40:60) baseou-se nos melhores resultados em relação a custos, performance e biodegradabilidade, pois a força tênsil do TPS se mantém estável em concentrações menores que 10% e maiores que 30% (Wei et.
al.
2016).
Para a aplicação da membrana, ora empregou-se um padrão de sutura contínuo, ora interrompido, variando de acordo com sua acomodação no leito da úlcera e curvatura da córnea.
Dentre os parâmetros avaliados estão a vascularização corneana, a qual, todos os casos, aumentou e atingiu seu pico em M15, permitindo inferir que a presença da membrana exerça estímulo inflamatório crônico local, o que coincide com o pico da estimulação angiogênica da córnea nos pacientes incluídos no estudo.
O blefarospasmo, embora presente, foi considerado leve até o terceiro dia de avaliação, tornando-se ausente até o final da observação clínica (M30).
A hiperemia conjuntival observada é comum em quadros conjuntivites agudas, portanto, sua ocorrência já era esperada com a realização do procedimento cirúrgico.
O predomínio de secreção mucoide encontrada nestes pacientes foi provavelmente decorrente de processo inflamatório conjuntival associado à gravidade das úlceras e às doenças de base, que deflagraram o estímulo das células caliciformes (Gelatt, 2013).
Com a correção destas ocorrências durante o procedimento de colocação da membrana, extinguiu-se a secreção, permitindo concluir que a membrana de PBAT/TPS é uma alternativa terapêutica viável para o tratamento de úlceras de córnea em animais.

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